O Labirinto da Saudade primeiro na televisão e depois nas salas de cinema!

Para muitos, vai ser polémico a forma como está a ser feito o lançamento do novo filme de Miguel Gonçalves Mendes,

O Labirinto da Saudade, a partir da obra homónima de Eduardo Lourenço, o maior pensador português é o novo filme de Miguel Gonçalves Mendes. O filme é exibido hoje na RTP 1, em horário nobre, e, amanhã, chega às salas de cinema.

Importa talvez refletir sobre esta "ousadia". Por um lado, se o filme funciona como homenagem a uma figura maior do nosso país, a estreia em televisão, num canal aberto, e em pleno dia do seu aniversário, faz mais do que sentido. Por outro, do ponto de vista comercial, será um teste muito interessante para percebermos se os públicos televisivos são os mesmos ou se, de facto, estão num outro mundo a nível de consumo de produtos culturais. Na essência, é bom lembrar que este filme tem escala de cinema, foi feito para ser visto em grande ecrã.

Numa altura em que cada vez há mais casos de lançamentos simultâneos ou quase simultâneos em cinema e em "home cinema", o caso de O Labirinto da Saudade, adquire um simbolismo muito próprio: quer se queira quer não, passa primeiro de forma gratuita na televisão.

Torna-se-á óbvio que o próprio mercado levante algumas questões. Será que aos exibidores não fará confusão estar a propor ao seu público pagar para algo que esteve (e estará posteriormente na box) disponível na sua televisão? Mas também não é verdade que com tanto excesso de informação (e só ontem se percebeu que a RTP iria estrear o documentário....) o potencial público de cinema não poderá comprar o bilhete sem saber que o filme foi exibido na RTP?

Esta estreia com ordem de janelas invertidas causa perplexidade mas era bom não apagar a discussão dos méritos de um filme feito por um realizador de cinema. Miguel Gonçalves Mendes não pensou em moldes de telefilme, por certo. O Labirinto da Saudade é muito provavelmente uma maneira de dar a volta às regras fixas do lançamento de um filme, especialmente porque muitas das sessões nos cinemas terão debate com os protagonistas.

Depois de José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes criou um acontecimento cinematográfico e televisivo. Se ainda assim tiver resultados surpreendentes nas bilheteiras vamos ter todos de repensar a maneira como se estreia um filme em Portugal. Isso e começar a imaginar que os filmes da HBO e na Netflix até podiam eventualmente ter ainda seguidores nas salas...

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