O cante já é património cultural da humanidade

O Comité intergovernamental da UNESCO reconheceu hoje o cante alentejano como património cultural imaterial da humanidade.

O anúncio foi feito às 10:15, na 9.ª sessão do Comité Intergovernamental da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade, que decorre até sexta-feira em Paris, França. E pouco depois, todos puderam ouvir o tema 'Alentejo, Alentejo', interpretado na sala pelo Grupo Coral de Serpa.

Além do cante, Portugal tem mais dois items já inscritos na lista do Património Imaterial da Humanidade: o fado (em 2011) e a dieta mediterrânica (em 2013).

O cante alentejano, o "(can)to da (te)rra", que retrata a "ligação umbilical do trabalhador com a terra-mãe", nasceu entre gentes das planícies, tornou-se a "marca identitária" da cultura do Alentejo e pode tornar-se Património da Humanidade. Segundo a Moda - Associação do Cante Alentejano, o canto a vozes tradicional do Alentejo "nasceu no afã" das longas caminhadas dos trabalhadores do campo entre as aldeias onde moravam e os locais de monda ou ceifa, onde era "forçoso" estar ao nascer do sol.

Ouça um pouco da atuação do Grupo Coral Etnográfico da Casa do Povo de Serpa:

A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), explica tratar-se de "um canto coletivo, sem recurso a instrumentos e que incorpora música e poesia", associado geograficamente ao Baixo Alentejo. "Historicamente, nenhuma informação documental parece provar a existência de canto coral sem instrumentos no Baixo Alentejo antes de 1907", quando foi formado o Orfeão Popular de Serpa e começaram a surgir grupos corais como existem na atualidade, indica a candidatura.

Na sua génese, o cante era sobretudo interpretado por classes trabalhadoras, consideradas rurais e camponesas no passado, mas que eram proto-industriais ou industriais, porque trabalhavam na agricultura com máquinas ou em explorações mineiras, como a de Aljustrel, onde, em 1926, foi criado o primeiro grupo coral, "Os mineiros de Aljustrel", refere a candidatura.

A candidatura a Património da Humanidade, coordendada por Paulo Lima, foi promovida pela Câmara Municipal de Serpa/Casa do Cante, com o contributo da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, da Casa do Alentejo, da Confraria do Cante Alentejano e da Moda. O cante alentejano era uma das 46 candidaturas, submetidas por vários países, à inscrição na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, na reunião que está a decorrer, desde segunda-feira, na capital francesa.

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