Mercado de arte cai 7%. Estados Unidos cada vez mais líderes

O relatório anual é hoje apresentado na feira de arte e antiguidades de Maastricht, uma das mais importantes do mundo.

Tendências contrárias no mercado de arte mundial: a nível global as vendas caíram 7%, mas os Estados Unidos registaram uma subida de 4%. Destaque ainda para o aumento das aquisições de peças acima de um milhão de dólares. Estas são algumas das principais linhas do Relatório do Mercado Anual de Arte, que hoje de manhã será apresentado durante a abertura da feira de arte de Maastricht, a TEFAF, umas das maiores a nível mundial.

Uma descida de 61,2 mil milhões de euros para 57,3 mil milhões relativamente a 2014 é o primeiro grande número avançado pelo documento realizado anualmente pela consultora Arts Economics, sedeada em Dublin, liderada pela economista Clara McAndrew que hoje às 11.00 apresenta os principais dados do mercado da arte em 2015. Desde 2011 que os dados divulgados foram dando conta de novos máximos atingidos a cada ano, pelo que, nota o relatório, "um abrandamento, particularmente em alguns sectores, era inevitável". "Com as vendas a atingirem níveis cada vez mais elevados nos últimos dez anos, tornou-se difícil manter um crescimento contínuo", sublinha o documento.

Em sentido contrário são os dados referentes ao mercado norte-americano: consolidando a liderança a nível mundial, os Estados Unidos registaram uma subida de 4% atingindo vendas da ordem dos 24,5 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde sempre, passando a representar 43% do total de vendas. Por países, o Reino Unido recuperou a segunda posição, com 21% das transações (cerca de 12,1 mil milhões de euros), lugar que entre 2012 e 2014 fora ocupado pela China. Esta troca de lugares deve-se, aponta o relatório, a uma descida de 23% das vendas neste país asiático, ficando em 10,6 mil milhões de euros no ano passado.

Outro dado relevante: as obras de arte vendidas acima da mítica fasquia de um milhão de dólares (cerca de 895 mil euros) passaram a representar mais de metade do valor das vendas (57%), apesar de representarem apenas 1% do volume de peças transacionadas (38,1 milhões, em 2015). O documento sublinha ainda que este valor representa uma subida de 400% na última década. Mais: significando apenas 0,1% do número de peças vendidas durante o ano de 2015, as peças vendidas acima de 10 milhões de dólares (8,9 milhões de euros) representam 28% dos 57,3 mil milhões de euros de vendas do ano passado. Uma tendência que se tem vindo a acentuar na última década: contas feitas, o crescimento fica acima dos 1000%.

Com as vendas privadas a responderam por 53% do valor das vendas, ficando os leilões responsáveis pelos restantes 47%, o documento assinala também o bom desempenho das vendas online, a chegarem aos 4,2 mil milhões de euros, uma subida de 7% face a 2014. Por sectores, a Arte Pós-Guerra e Contemporânea continua a ser a mais procurada, sendo responsável por 46% do valor das vendas. O relatório indica ainda que no mercado de arte e antiguidades operam cerca de 310 400 empresas que garantem postos de trabalho a mais de 3,2 milhões de pessoas.

Portugueses na feira

Juntando arte contemporânea e antiguidades, a TEFAF recebe cerca de 75 mil visitantes por ano e nesta 29.ª edição, que decorre até 20 de março, entre as 270 galerias presentes estão dois antiquários portugueses (Luís Alegria, do Porto, e Jorge Welsh, de Lisboa) que têm como fator comum a aposta na porcelana chinesa.

Mas a grande vedeta deste ano é uma tela de Rembrandt, recentemente identificada como sendo um trabalho do pintor holandês, que pela primeira vez vai ser mostrada ao público. Depois de em setembro de 2015 ter ido à praça numa pequena casa de leilões (a Nye and Company), de Nova Jérsia, onde foi arrematada por 778 mil euros, a imprensa holandesa garante que este Cheiro, foi entretanto comprado pelo multimilionário norte-americano Thomas S. Kaplan por uma quantia superior a três milhões de euros.

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