"Já tínhamos falado que havíamos de realizar juntos, mas foi um imprevisto"

"Gelo" é a primeira realização conjunta entre o cineasta, produtor e distribuidor Luís Galvão Teles e o filho, Gonçalo Galvão Teles. Deste encontro geracional irrompe um filme onde há romance e ficção científica

Gelo parece veicular em si a tese de que o cinema é, por excelência, uma arte narrativa. Isso está, aliás, modelado em aulas de Argumento, e no discurso das personagens, estudantes de cinema. É assim que o entendem?

Luís Galvão Teles (L.G.T.) - O cinema faz-se de histórias que se podem contar de muitas maneiras. Além disso, é preciso pensá-lo como uma arte de comunicação, e não como uma arte egoísta.

Gonçalo Galvão Teles (G.G.T.) - O cinema é a vida, como diz uma personagem... Para mim o mais importante são mesmo as histórias, e se isso está espelhado no Gelo quase como tese, é porque é uma parte significativa do meu percurso e do meu trabalho. Não cheguei ao cinema pelo lado estético, formal ou técnico, mas pelas histórias, e sempre tive vontade de ser também eu a contá-las. Quando comecei a entrar neste filme, através do argumento original do Luís Diogo, aquilo que me agarrou logo foi a ideia de um grupo de alunos a imaginar histórias que depois se podiam tornar reais ou não. Havia uma ligação natural com o que eu estava a estudar e com o que faço agora paralelamente como professor.

E este foi um projeto conjunto desde o princípio?

G.G.T. - Foi um processo de muitos anos. A primeira versão do argumento foi escrita em 1996, pelo Luís Diogo, que me deu a ler em 2004. Fiquei imediatamente agarrado à ideia, e tentei ter apoio para fazer o filme. Não o consegui na altura, e então partilhei o argumento com o meu pai, que ficou fascinado com a questão da imortalidade, da duplicação da vida... e aí foi ele quem pegou no projeto e o levou para frente. Depois passou por várias fases complicadas...

L.G.T. - Estive condenado. Tinha um contrato assinado em 2010, pouco antes da crise, e o dinheiro não vinha... A [produtora] Fado Filmes esteve para fechar. Ali mesmo no limite o dinheiro chegou e arrancámos, em 2013.

G.G.T. - Nessa fase eu já tinha transformado o argumento na história que queríamos contar - falámos isso com o Luís [Diogo] - e o meu pai começou a produção. A certa altura percebemos que estávamos a discutir as mesmas coisas e que não havia nada que um fizesse que não influenciasse a parte do outro, entre casting, argumento, décor... estávamos a correalizar! Não foi premeditado.

L.G.T. - Já tínhamos falado que um dia havíamos de realizar juntos, mas foi um imprevisto.

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