O palco, a vida e o desejo

Crítica a "Marvin", de Anne Fontaine.

A vida de um rapaz de província que se torna autor e ator teatral de sucesso em Paris. Este é o ponto de partida do novo filme da irregular Anne Fontaine, cineasta francesa que tenta fazer um "cinema do meio". A passeata de Marvin a descobrir a sua sexualidade não tem propriamente clímaxes narrativos que sustentem a própria opção da cineasta em recorrer de forma incontinente aos constantes flashbacks. Como se fosse tudo um peso insustentável e espetáculo de admiração: olhem como a homossexualidade é matéria tão "traumática".

Pelo meio, há Isabelle Huppert a fazer de Isabelle Huppert com a frieza desconcertante do costume. Pode não ser nada de "especial", mas a presença curta da atriz faz adivinhar um outro filme que não este. Um filme com um outro tom que seria capaz de nos deixar um pouco mais perplexos.

Classificação: ** (Com interesse)

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Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...

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