Museus nacionais vão receber três pinturas do século XVII

Obras são doadas pelo Aga Khan e vão para os museus nacionais de Arte Antiga e Soares dos Reis

O Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa) e o Museu Nacional Soares dos Reis (Porto) vão acrescentar ao seu espólio três pinturas portuguesas do século XVII. As três obras vão ser doadas pelo Imamat Ismaili, a entidade liderada pelo príncipe Aga Khan - o líder espiritual dos muçulmanos xiitas ismaelitas - no âmbito do acordo entre o Estado português e a Rede Aga Khan para o Desenvolvimento, que instalou a sua sede mundial em Lisboa.

Ao Museu Nacional de Arte antiga serão entregues Repouso no regresso do Egipto (na foto) e Virgem com o menino e a visão da Cruz, duas obras de Bento Coelho da Silveira (1617-1708), o pintor régio de D. Pedro II e um dos mais importantes artistas nacionais do seu tempo. No primeiro caso trata-se de um óleo sobre tela, de 1695, uma obra de contornos assumidamente barrocos.

Virgem com o menino e a visão da Cruz é também um óleo sobre tela, do mesmo ano, que segue de perto a obra do pintor maneirista Maarten de Vos.

De acordo com um comunicado do Ministério da Cultura "ficará posteriormente" no Museu Nacional Soares dos Reis a obra Apresentação da Virgem no Templo.

Anísio Franco, conservador no Museu Nacional de Arte Antiga, diz ao DN que estão em causa duas pinturas "significativas da produção pictórica de Bento Coelho da Silveira".

"Pintou em muitas igrejas de Lisboa e da região de Lisboa, mas o museu, embora tenha algumas das suas obras, não tem pinturas tão significativas, as que tem não estão na galeria de exposição permanente", diz ao DN, acrescentando que as duas pinturas que agora chegarão ao MNAA "são exemplares da qualidade da obra de Bento Coelho da Silveira", um dos mais importantes artistas do barroco português - "se não mesmo o mais importante pintor português da segunda metade do século XVII".

A doação será concretizada esta sexta-feira, numa cerimónia no Museu Nacional de Arte Antiga, que contará com a presença do Aga Khan e da Ministra da Cultura, Graça Fonseca.

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