Giacometti e Chafes encontram-se na Gulbenkian Paris

O escultor português está a criar peças novas a mostra de outubro.

Rui Chafes vai estar em destaque em Paris durante o mês de outubro: duas peças do escultor português - Carne Invisível e Carne Misteriosa (2017) - vão passar a integrar a coleção permanente do Centro Pompidou e a delegação da Fundação Calouste Gulbenkian na capital francesa inaugura uma exposição que junta obras de Alberto Giacometti, um dos nomes maiores da escultura europeia, e Rui Chafes.

"Na realidade vai ser o mais jovem artista a expor com Giacometti. E por isso é uma exposição muito exigente, é um grande desafio, uma grande responsabilidade e uma grande honra porque é uma prova de confiança da Fundação Giacometti e da sua diretora, Catherine Grenier, que decidiu apoiar este projeto e participar nele", salienta Helena de Freitas, curadora da mostra.

Uma participação materializada através do empréstimo de onze esculturas e quatro desenhos do grande mestre expressionista, selecionadas por Helena de Freitas e Rui Chafes. "Estivemos os dois a escolher as obras nas reservas da Fundação Giacometti. Foi um grande privilégio".

Às obras do escultor suíço Alberto Giacometti (1901-1966) juntar-se-ão obras inéditas de Rui Chafes. Quantas? Ainda é cedo para saber. "Estão ainda em construção. Vamos ter obras nunca vistas", refere a curadora. "Achei que [a obra de ambos] têm pontos em comum, um vocabulário que os aproxima e que era possível fazer um encontro mais do que um diálogo. Um encontro sobre o essencial que une os dois artistas. E o essencial nem sempre é o visível. É uma experiência, um trabalho de investigação sobre o exercício da visão, sobre as questões essenciais que os une. Questões como o vazio, a verticalidade, a transcendência, a desmaterialização das formas".

Com parte da sua atividade dedicada à escrita que acompanham o seu trabalho de escultura, Rui Chafes, que nasceu precisamente no ano em que Giacometti morreu, refletira sobre o trabalho do artista suíço num texto publicado no livro O Silêncio de..., de 2006, editado pela Assírio & Alvim. "Escreveu-o muito antes desta aventura", refere Helena de Freitas.

Para além desta mostra - que se enquadra "na estratégia da delegação em França da Fundação Gulbenkian em realizar exposições que criem pontos de contacto com os artistas portugueses e não portugueses", explica Miguel Magalhães -, será inaugurada já a 9 de março Talismans. Le désert entre nous n"est que du sable, que até 1 de julho mostra trabalhos de artistas como Pedro Barateiro, Leonor Antunes, Cildo Meireles e Lawrence Weiner, "sobre questões como a reparação e o tempo", refere o diretor da delegação. Para além das exposições, que em 2017 levaram à Gulbenkian Paris dez dos 17 mil visitantes, a delegação aposta também em conferências "onde recebemos alguns dos mais interessantes intelectuais e artistas da atualidade". Entre outros, destaque para a presença do libanês Walid Raad, também em outubro. Mês que contará ainda com um encontro sobre o punk português, acompanhado por uma pequena mostra documental.

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