Despretensão, tensão...

Crítica a "The Commuter - O Passageiro", de Jaume Collet-Serra.

O quarto filme de ação de Liam Neeson com o espanhol Jaume Collet-Serra. Depois de Sem Identidade, Non-Stop e Noite em Fuga, agora é a vez de encontramos um Neeson mais frágil do que nunca na pele de um vendedor de seguros metido numa conspiração que pode colocar em perigo a vida de todos os passageiros do seu habitual comboio de regresso a casa.

A aliança Neeson-Serra é de um louvor de entretenimento notável. A dupla conseguiu forjar thrillers de ação com caução hitchcockiana.

Aqui, o mais interessante é mesmo uma ideia de discurso sobre a paranóia americana e a maneira como a suspeição pode estar no espaço do quotidiano. O filme e o seu guião têm "reviravoltas" a mais e no fim qualquer ponta de plausibilidade é uma piada, mas é requintado o seu próprio sentido de cinema de série B.

Um divertimento despretensioso.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.