Homenagem ao francês que criou o Museu de Melgaço

Divulgador e investigador francês com especial ligação a Portugal, Jean-Loup Passek em destaque a partir de amanhã na Cinemateca

O nome de Jean-Loup Passek está ligado a alguns capítulos fundamentais da história do cinema na França das últimas décadas: coordenou o monumental Dicionário Larousse de Cinema (sete edições, entre 1985 e 2014), dirigiu o Festival Internacional de La Rochelle (de 1973 a 2001), foi conselheiro de cinema do Centro Pompidou (de 1978 a 2011). Tem sido, enfim, um incansável divulgador e promotor cultural, com especial significado em relação a Portugal e ao cinema português.

De tal modo que foi entre nós que decidiu depositar a sua coleção pessoal (máquinas primitivas, fotos, cartazes, etc.), para cuja salvaguarda foi criado o Museu de Cinema de Melgaço.

A partir de amanhã e até final do mês, Passek e o seu museu são homenageados na Cinemateca Portuguesa, através de uma exposição de cartazes e um ciclo que combina alguns dos seus filmes preferidos com obras que, em contextos diversos, foram objeto da sua ação cultural.

A produção portuguesa está presente através de títulos de António Campos (Vilarinho das Furnas, 1971) e Manoel de Oliveira (Vale Abraão, 1993), precisamente dois autores que tiveram especial acolhimento na programação do festival de La Rochelle. Será possível reencontrar também o "realismo poético" do francês Marcel Carné (Foi Uma Mulher Que o Perdeu, 1939), as experiências revolucionárias do soviético Lev Kulechov (O Grande Consolador, 1933) ou um momento fulcral da "nova vaga" inglesa assinado por Karel Reisz (Saturday Night and Sunday Morning, 1960).

Com 80 anos de idade, completados a 29 de julho, o homenageado não poderá estar presente no ciclo, devido a problemas de saúde. Contando com o apoio da Câmara Municipal de Melgaço, o ciclo arranca amanhã (21.30), com a projeção de Morte em Veneza (1971), de Luchino Visconti. Na sessão inaugural, estarão presentes o produtor e distribuidor francês Marin Karmitz, uma das personalidades que apoiaram a gestação do museu, e Bernard Des- pomadères, adjunto de Jean-Loup Passek na respetiva gestão e ex-adido cultural junto do Instituto Francês, no Porto.

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