Descobrir o outro lado da cidade pela mão de diferentes artistas

Aplicação Zarco afirmou-se no Porto antes de na semana passada chegar a Lisboa. Interesses dos viajantes moldam itinerários alternativos e pouco comerciais

Sozinho no Porto ou em Lisboa e com vontade de conhecer melhor a cidade que o acolhe? Agora já não há pretexto para perder a oportunidade de explorar locais, respirar história ou vivenciar experiências culturais na companhia de um guia local, através da aplicação Zarco. Há pouco mais de dois meses a funcionar no Porto, o negócio catapultado pelo Vodafone Power Lab chegou a semana passada a Lisboa.

Intuitiva, a plataforma oferece roteiros únicos pela mão de "músicos, arquitetos, arqueólogos, historiadores, que se complementam e podem proporcionar visitas totalmente diferentes e relacionadas com as áreas em que se movem", explica ao DN um dos responsáveis, Diogo Lencastre, acrescentando que "são programas muito flexíveis e à medida dos clientes". E, "aqui quem decide o que quer ver é o viajante, selecionando na aplicação os seus interesses. Os guias apresentam depois as suas propostas", garante, antes de chegar mais um cliente.

João Hierro, de 23 anos, tem costela espanhola, mas é portuense de gema e quis "conhecer melhor a cidade". Estudante de Engenharia de Gestão Industrial e iniciante na bateria, escolheu a companhia de Gon, o vocalista dos Plus Ultra e dos extintos Zen, num trajeto alternativo e cheio de curiosidades pela baixa da Invicta. "Perguntaram-se se conhecia este ou aquele sítio e consegui personalizar bem a visita, pois acabamos por ser estranhos na nossa própria cidade e esta é uma boa dica para ver tudo com olhos de turista", assume João, antes de se lançar ao conhecimento empírico.

Desta vez, o ponto de encontro é "na Avenida dos Aliados, mas pode ser onde o cliente quiser". "A visita tem a ver com os interesses do viajante, mas o encontro pode não ter nada a ver com os mesmos e ser apenas uma referência, ou seja, na aplicação tem o mapa e seleciona onde quer", explica Diogo Lencastre. A oferta pode visar apenas um indivíduo, mas também famílias ou grupos de amigos.

Sem GPS, o itinerário segue pela Rua da Fábrica onde, "em breve, abre portas o Hard Rock Café", nota o "zarco" Gon. Sempre a subir, até à Rua José Falcão rumo ao número 80 da Rua da Conceição, onde a loja Porto Calling reúne uma vasta coleção de discos e "muita música alternativa".

Sempre a pé, o próximo destino é o Bop, na Rua da Firmeza, "um café onde se pode desfrutar de uma bebida e, ao mesmo, ouvir vinil a sério", sugere Gon, não sem antes notar a arte urbana que se apresenta, de forma legal, por algumas paredes da zona.

É o caso das imagens que Hazul Luzah e Mr. Dheo pintaram numa das paredes do parque de estacionamento da Trindade, muito perto do comércio mais antigo, numa fusão perfeita entre modernidade e tradição. O passeio atravessa a movimentada Rua Sá da Bandeira, olha o Mercado do Bolhão, percorre a comercial Rua de Santa Catarina até à Batalha para, já na reta final, parar na Rua da Madeira, com a Torre dos Clérigos à vista e a Estação de São Bento mesmo ao lado, morada para artistas musicais que gravam temas em caves ou garagens. Esta visita acompanhada pelo DN foi a estreia de Gon no projeto Zarco, embora tenha sido antes "cicerone de outros músicos quando trabalhava em produção", diz, como que justificando o à-vontade "em mostrar o próprio mundo".

Sendo certo que "não há nenhuma igual, as visitas vão desde as 2 horas de duração, no mínimo, até às 8 horas, com um custo de 20 euros por hora", conclui Diogo Lencastre, pronto a estender o conceito ainda a outros pontos do país para "marcar a diferença". A Lisboa chegou na semana passada.

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