Concertos, fantoches, jam sessions e OVIS. Eis o Mini Primavera Sound

Luísa Sobral, Benjamim e Tenure Leasing Whist são os cabeças de cartaz da segunda edição do Míni Primavera, no domingo.

É uma espécie de irmão mais novo do Nos Primavera Sound, criado a pensar nas crianças, mas sem ser infantil. Assim se pode definir o Mini Primavera, que este domingo volta a assentar arraiais no Parque da Cidade, com concertos ao vivo e muita diversão para miúdos e graúdos.

"Desde o início que sentimos haver, por parte de todos, um carinho muito especial para com o Primavera Sound e quisemos retribuir com um evento de entrada livre, criado especialmente a pensar nos mais novos, cuja maior diferença é mais ao nível da programação, porque o espírito é o mesmo", explica José Barreiro, da empresa Pic-Nic, que desde 2012 organiza no Porto a versão portuguesa deste festival de música alternativa, surgido originalmente em Barcelona.

No ano passado, foram mais de 10 mil as pessoas presentes na primeira edição do Mini Primavera, num sucesso que José Barreiro espera ver repetido novamente: "Não andámos propriamente a contar cabeças, até porque se trata de um evento de entrada livre e isso é algo difícil de controlar, mas de facto correu muito bem, especialmente devido à grande adesão das famílias, sem dúvida o nosso público-alvo", adianta o promotor, que este ano espera ver "tanta gente como no ano passado", mas "a passar mais tempo no recinto".

Para que isso aconteça está preparado um vasto programa ao longo de todo o dia, que para além de concertos inclui diversas atividades, quase todas relacionadas com música. É o caso do projeto Noiserv nas tuas Mãos, da autoria do músico David Santos, mais conhecido como Noiserv, que pretende "dar liberdade aos mais novos para mexerem na música, dando a conhecer, de forma interativa e através do toque, alguns dos instrumentos que a compõem. Ou das Crassh Babies, uma divertida combinação de percussão, movimento e comédia visual, em que tudo é pretexto para produzir som e estimular os sentidos.

E para os que quiserem experimentar a sensação de estar em palco, haverá também as Kids Jam Sessions, que permitem às crianças desempenhar o papel de músicos com instrumentos musicais, luzes e sistema de som à séria. "O objetivo é democratizar a música através dessa parte lúdica e de entretenimento, desmistificando o lado mais sério e artístico da criação musical", salienta José Barreiro.

A animação inclui ainda o ateliê de construção de fantoches Os Jornais do Gepeto e um minifestival aéreo, de seu nome OVIS: Objetos Voadores Identificados, no qual poderão ser construídos objetos voadores como aviões pipeta, carrinhos-tubo e foguetões.

Quanto aos concertos, o Mini Primavera conta este ano com as atuações de Benjamim, They"re Heading West e Luísa Sobral, que vai apresentar o seu último álbum Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa. "Foi um disco feito especialmente a pensar nas crianças e integra-se muito bem no conceito deste festival", disse a cantora, ela própria prestes a ser mãe em breve, elogiando ainda o cartaz por incluir também outras bandas, ditas mais adultas. "É perfeito, porque estimula as crianças a conhecerem e a descobrirem coisas novas."

Bastante experimentada a cantar para crianças nestes últimos tempos, Luís Sobral reconhece que, enquanto público, os mais novos "expressam-se bastante mais do que os adultos". E também com menos filtros: "Para o bem e para o mal, as suas reações são sempre muito imediatas, é fácil de perceber, logo no momento, o que funciona ou não." Para além de ser ao ar livre, "o que é sempre importante, num tempo em que as crianças passam tanto tempo fechadas em casa", o Mini Primavera tem ainda, na sua opinião, um lado educativo muito importante. "Muitas crianças ouvem a música na rádio ou no computador, mas não fazem ideia de como é feita ou quem a faz. Este festival é assim um pouco como aquelas idas à horta, onde se aprende que as cenouras não nascem nas prateleiras dos supermercados."

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