Como nasceu a canção "Amar Pelos Dois"? Luísa e Salvador contam a história

Ainda antes da vitória em Kiev, começou a desenhar-se a ideia de contar a história que deu origem à canção. Com imagens inéditas e entrevistas aos irmãos Sobral, passa na terça e na quarta-feira, na RTP1, às 21.00

Na primeira reunião após a Eurovisão, Daniel Deusdado, diretor de programas da RTP, lançou o desafio: fazer um documentário em torno da história de Amar Pelos Dois, a canção que Luísa Sobral escreveu e compôs e que o irmão, Salvador, interpretou em Kiev, no dia 13 de maio, dando a Portugal a vitória no concurso, a primeira desde que o país começou a participar nos já idos anos 50. O resultado chama-se Sem Fazer Planos do que Virá Depois e é uma minissérie documental em dois episódios que são transmitidos pela RTP1 na terça e quarta-feira, às 21.00.

A ordem do responsável da televisão pública para avançar materializava uma ideia que já estava na cabeça de Nuno Galopim, consultor do Festival da Canção e comentador da RTP na capital ucraniana. Nasceu "ainda não tínhamos ganho". "Estava a acontecer qualquer coisa, que já tinha gerado um entusiasmo invulgar", explica, em conversa com o DN. "Não vamos deitar fora estas imagens", pediu.

"Era um momento ímpar, que estava a ser uma descoberta para muitos, apesar de Salvador já ter um primeiro álbum editado há algum tempo", comenta Nuno Galopim.

As imagens que não foram usadas naqueles dias ficaram guardadas e, então, nessa reunião veio a ideia de contar uma história em dois episódios: o primeiro, terça-feira, dia 26, "corresponde um pouco à ideia de como esta canção surge no processo de renovação do festival da canção". É aqui necessário recordar que a mecânica do Festival da Canção, uma marca em decrepitude, mudou em 2016, tornando-se uma montra de talentos musicais. "E é por ele mudar que uma canção como esta ali assim pode nascer", defende Nuno Galopim que este ano volta a assumir o lugar de consultor do canal público para o festival, encarregue da curadoria musical com Henrique Amaro.

No documentário, assinado por Nuno Galopim e Miguel Pimenta, Salvador Sobral conta que todos acreditavam que a canção não chegaria longe. "O meu próprio pai me disse: "Vocês não vão a lado nenhum com isto, mas a canção é lindíssima"".

O segundo episódio acompanha os acontecimentos em Kiev, nesses dias que antecederam a vitória, e mais uma vez, mostra imagens até agora inéditas, e as circunstâncias especiais em que decorreram esses dias. Devido a problemas de saúde, Salvador Sobral (agora a recuperar de um transplante ao coração nas condições habituais de isolamento que acompanham estas intervenções cirúrgicas, segundo o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental) acabaria por juntar-se à delegação portuguesa uma semana mais tarde do que estava planeado. "Logo isso foi atípico e há uma sucessão de acontecimentos invulgares e muito bonitos que valia a pena serem contados", sustenta Nuno Galopim. As câmaras acompanham o intérprete e a irmã enquanto fazem as canções que depois divulgam Internet ou, desvenda Nuno Galopim, "a escapadela que o Salvador fez com o Júlio Resende a meio da noite a um clube de jazz em Kiev para improvisar". E também o que se passou nos ensaios, na montagem do palco ou nos camarins.

Uma vez em Lisboa, Nuno e Miguel Pimenta ocuparam-se de "fazer uma narrativa" que acompanhasse estas imagens. "Foi preciso falar com muita gente". "Essas muitas pessoas foram as que fizeram essa história, as pessoas da equipa que estiveram ligadas ao festival e à Eurovisão e outras que ajudaram a trazer pontos de vista sobre o que estava a acontecer". Essas pessoas podem ser, por exemplo, Simone de Oliveira, que tem uma história de uma enchente para a irem buscar como o Salvador teve muitos anos depois, mas aqui também como espectadora. Ou a Lena d" Água que conta a sua experiência como concorrente do Festival, mas depois também como espectadora da Eurovisão.

A lista de entrevistados é longa - Celina da Piedade, Noiserv, Tozé Brito, Júlio Isidro, José Carlos Malato, Filomena Cautela, mas também diretores da RTP como Nuno Artur Silva, Daniel Deusdado, Gonçalo Madaíl , a chefe de delegação Carla Bugalho, Henrique Amaro e o próprio Nuno Galopim. Isto para lá das conversas com os protagonistas: Luísa Sobral e, claro, Salvador, naquela que Nuno Galopim classifica "das mais extensas entrevistas que ele dá sobre a sua participação na Eurovisão". Foi gravada em julho quando "já estava com a digressão do Excuse Me em alta."

O documentário pretende resumir, enfim, o que foi, segundo Nuno Galopim, o percurso de Amar Pelos Dois na Eurovisão: "A vitória é fiel à música, fiel à canção e sem cedências a receitas. E, de facto, é o que aconteceu. É uma canção que nasce pela música, entre 16, e depois vai lá fora e seduz toda a gente."

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