Berardo comprou o primeiro bilhete. "Não estou feliz"

O empresário, detentor da coleção que se pode ver no Centro Cultural de Belém, adquiriu a primeira entrada paga do museu, apesar de não concordar com a medida. "É um dia triste para mim".

A bilheteira do Museu Berardo mudou. Nos seus ecrãs passam o novo regime de entrada no museu. Bilhete normal: cinco euros. A partir de hoje é assim. Quem quiser visitar o Museu Coleção Berardo, instalado há dez anos no espaço de exposições do Centro Cultural de Belém, tem de pagar bilhete.

Às 10.00, hora de abertura ao público do museu, José Berardo dirigiu-se à bilheteira e adquiriu a primeira entrada. As câmaras de televisão e dos fotógrafos aguardavam o momento em que cumpriria a promessa de ser o primeiro a fazê-lo. Estendeu a nota e recebeu de volta o bilhete e o recibo. Falhou o desconto. O empresário tem 72 anos e os maiores de 65 têm um desconto de 50% (tal como entre os 7 e os 18 anos; até aos seis, inclusive, não se paga).

"Não estou feliz". A frase é do próprio José Berardo, reiterando o que já havia afirmado no sábado ao Diário de Notícias. "Quando viemos para aqui, o acordo era para as entradas serem gratuitas para o povo em geral. O problema destas situações é que pessoas com muito dinheiro arranjam sempre maneira de entrar, os intelectuais não pagam, quem paga é o povinho", afirmou, acrescentando: "É um dia triste para mim".

As peças da coleção de José Berardo, de 1900 a 2010, foram entregues, em regime de comodato, ao Estado português em 2006 por uma década. O acordo foi renovado e revisto no final do ano passado. A parceria mantém-se por mais seis anos, com a exigência de passarem a ser cobradas entradas.

O museu registou 1 006 415 entradas em 2016, segundo informações da instituição.

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