Atores de luxo mesmo em papéis mais pequenos

Atores de renome povoaram os quatro filmes anteriores da saga Bourne. De Jeremy Renner a Franka Potente.

A saga Bourne já teve alguns golpes de rins, mas numa coisa manteve-se em bicos de pés: a sua qualidade de execução. Dentro do universo do género de ação, a Universal sempre conseguiu que estes filmes fossem de excelência e um pouco mais à frente da concorrência. O que Paul Greengrass e Doug Liman (realizador do primeiro) sempre privilegiaram foram os elencos. Atores de luxo mesmo para os papéis mais pequenos, o que não é de estranhar, pois mesmo nas mais mirabolantes perseguições há sempre espaço para o trabalho dos atores, coisa que não acontece por exemplo em filmes da Marvel e companhia...

Do primeiro filme, Identidade Desconhecida, impossível não recordarmos a sagacidade da atriz alemã Franka Potente, aliada improvável do agente amnésico. Doug Liman arrancava também belas interpretações a atores de relevo como Chris Cooper e Brian Cox, embora fosse Clive Owen, como vilão de serviço, a roubar muitas cenas. Estávamos em 2002.

A sequela, o brilhante Supremacia, trazia a estética de câmara à mão de Greengrass e o herói ganhava relevância iconográfica. Dos secundários, destaque para a complexidade de Kark Urban, como Kirill, uma das personagens mais marcantes da série.

Depois, o grande sucesso de bilheteira Ultimato, que mostrava como o agente criado por Robert Ludlum regressava a Nova Iorque para ele próprio atacar a CIA. As cenas de perseguição ganhavam uma trepidação quase experimental, mas os atores continuavam a destacar-se, em especial Joan Allen, uma chefe de operações gélida e um Edgar Ramirez como vilão muito credível.

Além de Matt Damon, houve outro agente do mesmo "programa" científico que teve direito a um filme só para si, O Legado de Bourne, de Tony Gilroy. Chamava-se Aaron Cross. Um spin-off criado em função de Matt Damon não ter aceitado na altura o quarto filme. Seja como for, Bourne é aqui muito citado num filme que mesmo sem atingir o brilhantismo dos anteriores era uma experiência bem válida mercê do talento de Tony Gilroy, o realizador de serviço e conhecedor da saga: esteve como argumentista nos episódios anteriores.

De referir a presença máscula de Jeremy Renner, um ator herdeiro de uma tradição dura de Steve McQueen. Seja como for, é pouco provável que os dois agentes venham a aparecer no mesmo filme. A Universal fez as contas e O Legado de Bourne ficou muito aquém dos capítulos apenas com Matt Damon. Edward Norton e Rachel Weisz compunham o ramalhete do elenco.

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