A estocada final foi dada pelas 20:35, depois de o touro ter sido laçado e preso ao muro da arena improvisada, na antiga praça de armas do castelo de Monsaraz, histórica povoação localizada nas margens da albufeira de Alqueva, no concelho de Reguengos de Monsaraz..Sem a presença visível, no recinto, de qualquer elemento das autoridades, o abate do touro também não foi presenciado pela assistência que quase enchia o castelo (cerca de 1000 pessoas), por o animal ter sido coberto com um pano escuro..Apesar da proibição do espetáculo, por não lhe ter sido reconhecido o caráter de exceção previsto na legislação, a população de Monsaraz voltou a cumprir a promessa de manter a tradição que reivindica de matar um touro no final da novilhada..O touro foi abatido apesar de a autorização excecional para o espetáculo com touro de morte ter sido recusada, pelo 11.º ano consecutivo, pela Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), alegando que "não reunia as condições previstas", disse à agência Lusa fonte do organismo..A novilhada com touro de morte, o último lidado, depois de três vacas e dois novilhos, faz parte do programa das festas em honra de Nosso Senhor Jesus dos Passos, que se realizam anualmente no segundo fim de semana de setembro..Segundo a tradição reivindicada pela população e autarquias locais, o espetáculo taurino - de caráter amador e popular e que termina com a morte ritualizada do touro no final da lide - realiza-se desde 1877, de forma ininterrupta..A legislação, em vigor desde 2002, estabelece que a realização de "qualquer espetáculo com touros de morte é excecionalmente autorizada no caso em que sejam de atender tradições locais que se tenham mantido, de forma ininterrupta, pelo menos, nos 50 anos anteriores à entrada em vigor do diploma, como expressão de cultura popular, nos dias em que o evento histórico se realize"..O pedido dos promotores da novilhada (Misericórdia de Monsaraz e comissão de festas) foi "feito antecipadamente e a recusa da IGAC surgiu no início desta semana", indicou à Lusa fonte da organização dos festejos..Os autarcas alegam que "a morte do touro constitui um símbolo da cultura da população de Monsaraz" e que se trata de uma "tradição que se mantém ininterrupta há mais de um século", pedindo o mesmo regime de exceção concedido a Barrancos em 2002..Os processos em curso nos tribunais surgiram depois de os promotores da vacada terem recorrido, nos últimos anos, a providências cautelares e ações administrativas para tentarem a legalização do espetáculo com touro de morte.