Saúde frágil de Abbas e da Palestina alimentam especulação

Aos 83 anos, o presidente da Autoridade Palestiniana perdeu o vigor e está enfraquecido no poder. Enquanto se fala sobre possíveis sucessores, Abbas endurece discurso
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Os rumores sobre o estado de saúde de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, não são novidade. Nas últimas semanas, o avolumar de notícias sobre a condição física do homem que completa 83 anos na segunda-feira levam à discussão sobre quem será o senhor que se segue num cargo que tem perdido peso com o passar dos anos. Mas Abbas dá sinais de que não pensa abdicar.

Líder interino da Palestina após a morte de Yasser Arafat, foi eleito em 2005 para um mandato de cinco anos. Prometeu a independência do território. Mas 13 anos depois não atingiu o objetivo, nem foi mais a votos. A luta com o movimento rival Hamas, que se apoderou da Faixa de Gaza em 2007, é o álibi para quem nunca deu espaço para se falar de sucessores, quer no seu partido, Fatah, quer na Autoridade Palestiniana.

No dia 20 de fevereiro, ao falar no Conselho de Segurança das Nações Unidas, não conseguiu ocultar as dificuldades respiratórias. Dois dias depois deu entrada no Johns Hopkins Hospital, em Baltimore, para a realização de exames, tendo cancelado uma visita à Venezuela. Há dois anos foi operado de emergência ao coração.

A contratação de um cardiologista para a residência oficial do líder palestiniano é a mais recente atualização relativa ao boletim clínico de Abbas.

Se o líder palestiniano não respira saúde, o seu desempenho também não está melhor, segundo a opinião dos compatriotas. De acordo com o Centro Palestiniano de Investigação de Política e de Opinião Pública, um inquérito de 1200 pessoas concluiu que 68% dos palestinianos querem que Abbas se demita.

O facto de Abbas não dar indicações de que irá preparar a saída poderá criar condições para tempos tumultuosos. O ex-ministro Ghassan Khatib reconhece que o líder palestiniano foi uma figura unificadora e que não será fácil substituí-lo. Mas a mudança é necessária. "A Autoridade Palestiniana está em erosão e a morrer. Não há eleições, não há mudanças, e a distância com o povo agrava-se cada vez mais", comentou à Associated Press.

Mas apesar de não conseguir resultados quer na política interna quer externa, Abbas não está paralisado. Na segunda-feira, em termos incomuns, chamou ao embaixador norte-americano em Israel, David Friedman, "filho de uma cadela" e "colonizador". Esta linguagem parece ser mais para consumo interno e para agradar a certos setores do que outra coisa.

No mesmo dia em que insultou o diplomata norte-americano, Abbas disse sobre o movimento rival e o atentado ao primeiro-ministro: "Podia ter mandado prender 20 pessoas e executá-las no centro da cidade, mas somos pacientes e responsáveis, ao contrário do Hamas."

Ontem, o Hamas anunciou ter matado o principal suspeito da tentativa de assassínio do primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana, Rami Hamdallah. Abbas acusou o Hamas de ter sido responsável pela explosão que atacou a caravana em que seguia o dirigente, e prepara-se para sanções em Gaza.

"A sua trama de vingança é muito clara, e não faz esforço algum em escondê-la", diz um responsável das forças de segurança israelita ao Al-Monitor. "Está à vista de todos que ele quer envolver Israel e o Hamas numa aventura militar da qual pensa que sairá fortalecido. Será a sua vingança e a sua salvação."

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