Para suceder a Antonin Scalia, visto como o conservador perfeito e pilar desta corrente no Supremo Tribunal, Donald Trump nomeou Neil Gorsuch, de 49 anos, juiz num tribunal de recurso..Tal como Scalia, que serviu no Supremo três décadas entre 1986 e fevereiro de 2016, Gorsuch pertence à escola "originalista", defensora de uma interpretação da Constituição no sentido da intenção original do texto, e tem de ser confirmado pelo Senado. Confirmação essa que será, como os democratas já o anunciaram, campo de mais uma batalha entre os eleitos deste partido e o presidente republicano..Gorsuch possui uma sólida reputação como conservador devido ao cunho das decisões tomadas no tribunal de Denver a que preside desde 2006, por nomeação de George W. Bush. Após saber da escolha, Gorsuch lembrou os "gigantes" que passaram pelo Supremo, citando Scalia pelo nome e afirmando que o seu exemplo estará sempre consigo.."Bem-educado e obsequioso".Gorsuch nasceu no Colorado, estudou num colégio de jesuítas, na Universidade de Columbia e em Harvard; doutorou-se em Filosofia do Direito por Oxford e esteve numa importante firma de advogados antes de 2006. É autor de uma obra de referência contra a eutanásia e o suicídio assistido..Membro de uma igreja anglicana, Gorsuch é descrito por quem o conhece ou com ele tem contacto profissional como "bem-educado, diplomático, um bom colega e que sabe ouvir os outros - ao ponto de parecer obsequioso", segundo um perfil do jurista publicado pela NPR. A mãe dirigiu a agência para o Ambiente sob a presidência de Ronald Reagan..Argumentando que Gorsuch se situa fora das "correntes maioritárias" da interpretação do texto constitucional - opondo-se, por exemplo, ao fim da pena de morte e ao reconhecimento de novos direitos sociais ou das minorias -, os democratas defendem a votação por "supermaioria", isto é, 60 votos. Num Senado onde os republicanos detêm 52 lugares e os democratas 48, isto significaria que, pelo menos, oito destes teriam de votar pela escolha de Trump. O que, manifestamente, não irá suceder..Um representante da minoria democrata, Jeff Merkley, afirmou que o seu partido não aceitaria uma votação por maioria simples para impedir que, precisamente, "a maioria no Senado roube um lugar" que deveria ter sido escolhido por Barack Obama. Após a morte de Scalia, o ex-presidente democrata apresentou o nome de Merrick Garland, que os eleitos republicanos se recusaram a considerar até janeiro de 2017, na expectativa de uma vitória para a Casa Branca..A exigência da "supermaioria" enquadra-se na estratégia de obstrução sistemática (filibustering) que teve imediata resposta de Trump e dos republicanos. O presidente pediu ao líder da maioria, Mitch McConnell, para "acionar a opção nuclear para ultrapassar o impasse" e impedir "a vergonha" que seria "um homem desta qualidade" não chegar ao Supremo dos EUA, órgão máximo na arquitetura jurídico-constitucional e cujas decisões têm força de precedente. Isto é, podem ser invocadas por este tribunal e restantes em casos futuros..A concretizar-se, será a segunda vez que tal sucede. A primeira foi em 2006, também protagonizada pelos democratas, entre os quais Obama, que tentarem bloquear a confirmação de Samuel Alito. Mas sem sucesso..A "opção nuclear" referida pelo presidente será o fim total da regra dos 60 votos para a confirmação de todos os cargos de nomeação presidencial. Em 2013, os democratas, em maioria no Senado, votaram o fim da regra, com a exceção dos juízes do Supremo. Agora em maioria, os republicanos podem votar o fim desta lei e a seguir aprovarem Gorsuch por maioria simples..[artigo:5496478]