O dia em que uma criança matou Kraken, o monstro marinho

Inspirado nas <em>20 000 Léguas Submarinas</em>, de Júlio Verne, a peça do grupo bYfurcação convoca pequenos marinheiros para uma longa expedição marítima que parte de Lisboa
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Ahoy! São precisos "homens expeditos" e todos somos convocados para uma viagem marítima entre São Francisco, EUA, Xangai e China. O "salário é duplo" e a viagem a bordo do navio Abraham Lincoln é feita com "tudo incluído". A expedição parte em busca de algo que pode tratar-se de um "monstro", de uma "baleia" ou de um "bacalhau gigante". São convocados marinheiros todos os sábados às 16.00 e domingos às 11.00 no Jardim Botânico, degraus de uma entrada lateral do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, no Príncipe Real, Lisboa.

A história é antiga, e desde o século XIX que com ela Júlio Verne terá recrutado para alto-mar a imaginação de um sem-número de rapazes e raparigas. Por estes dias, e até outubro, é o teatro bYfurcação que o faz, numa peça inspirada no texto de Verne e encenada por Ricardo Karitsis. Nas 20 000 Léguas Submarinas, o livro, o professor Aronnax dirige o Museu de História Natural de Paris. Aqui, na peça homónima, é diretor do museu para cujos claustros nos dirigimos.

Mar fora, dançamos com o exímio arpoeiro Ned Land, ele que não acredita em monstros - como aquele que Aronnax procura e que tantos navios tem destruído - mas toca e canta para animar toda a tripulação. Ahoy!, gritam de cada vez que avistam uma espécie que poderá ser o "monstro", a "baleia" ou o "bacalhau" gigante que depois lhes destruiria a embarcação. Caídos ao mar há uma cena de natação sincronizada parodiada. "É um fenómeno, porque eles não conseguem perceber", diz uma das atrizes, Ana Lúcia Magalhães. Apenas os pais das crianças - maiores de três anos - riem a bandeiras despregadas. O fenómeno, contudo, não é raro ao longo da peça. "Há algumas piadas que os miúdos não percebem mas os pais desatam a rir", explica Flávia Ferreira, outra das atrizes. "Eles adoram quando os pais se riem", completa Ana.

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