Moinho da Juventude promove os livros para anular estigmas

A anulação dos estigmas e preconceitos através da leitura é um dos objectivos da associação Moinho da Juventude, da Cova da Moura (Amadora), cuja biblioteca é hoje visitada pela ministra da Cultura para assinalar o Dia Mundial do Livro.
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Uma pequena sala forrada com livros, dez cadeiras e uma fotocopiadora têm ajudado a associação a desenvolver a Biblioteca António Ramos Rosa, inaugurada em 2006, que constitui um projecto de integração social a que até já recorreram estudantes estrangeiros para trabalhos de mestrados e doutoramentos.

Responsáveis do Moinho da Juventude adiantaram à agência Lusa que vão aproveitar a visita da ministra Gabriela Canavilhas para pedir ajuda financeira do Governo para ampliar a biblioteca, uma vez que a associação crê que os livros são "uma promoção social de excelência", determinante para o sucesso dos projectos de integração social ali operados.

"Ela própria irá constatar a dificuldade de espaço e a capacidade empreendedora que temos, mesmo nestas circunstâncias, de tentarmos divulgar o livro como uma promoção social de excelência. Se conseguirmos arquitectar esta necessidade e identificá-la como fundamental, com certeza que temos uma expectativa de responsabilidade politica (...) para dar continuidade a este projecto", garantiu Carlos Simões, secretário geral da associação.

A Moinho da Juventude tem outra biblioteca na Cova da Moura, também de pequena dimensão, e que funciona como suporte educativo para a comunidade onde está inserida, para o qual a associação está a preparar um projecto que será apresentado na sexta-feira, e que contempla também a leitura por parte dos pais.

"As crianças vão passar semanalmente a percorrer a comunidade levando e trazendo livros. Vão com os seus monitores e educadores trabalhar pedagogicamente o livro, com o fluxo constante do livro ir para casa como elemento de ligação da própria constelação familiar, numa dinâmica de enriquecimento parental", disse o responsável.

Segundo a coordenadora da associação, Lieve Meersschaert, o livro "é uma nova janela sobre o estar", e nas duas bibliotecas da Moinho da Juventude "as pessoas têm a possibilidade de ler livros ligados a África", continente de origem da maioria dos moradores da Cova da Moura.

"As pessoas têm aqui possibilidade de ler livros ligados a África e perceber a cultura que lá existe. Isto é uma das prioridades das bibliotecas. É de uma importância enorme", garante.

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