"Um entreposto comercial importantíssimo. Macau, a estância favorita de Camões, o caminho-de-ferro que nos convém." Com estas palavras começava Henrique Valdez, senador eleito por Macau, um longo texto que fazia peça principal na edição do Diário de Notícias de 2 de julho de 1920..Nessa página aqui reproduzida, elencava os argumentos em defesa da ligação ferroviária entre Macau e Cantão, sob pena de, não sendo feita, a região macaense ficar estrangulada por ações de interesses estrangeiros. "Franceses e ingleses apertam a corda que há de estrangular-nos. Cortá-la é questão de elementar bom senso", escrevia então, para reforçar que essa obra, existindo, tornaria o porto de Macau no principal entreposto comercial de todo o Extremo Oriente. Para tal acontecer, porém, seria essencial fazer os arranjos e aprofundamento necessários no dito porto..18 anos mais tarde, a 9 de dezembro e agora a partir de Tóquio, um novo artigo dava nota dos mesmos argumentos. Citando o correspondente em Macau do jornal Asahi, afirmava-se nele que "o melhor e mais fácil processo para o Japão efetuar a valorização económica do Sul da China seria por meio de uma cooperação com Portugal, no desenvolvimento do porto de Macau (...), com a construção de um caminho-de-ferro para ligar Macau e Cantão"..[Sobre o autor da peça assinada do DN de 2 de julho de 1920, escrevia Constâncio José da Silva dois anos mais tarde: "Senador eleito pela Colonia onde viveu durante quasi cinco anos e cujos problemas conhece melhor que nós mesmos, os macaenses, pôde S. Exa. demonstrar, nos dois anos em que esteve no Parlamento, quanto ama a nossa boa terra e quanta honestidade põe na defesa dos nossos interesses (...). E sempre com uma paixão, uma competeneia e um espirito de sacrificio que dificilmente poderiam ou poderão ser egualados."]