O secretário-geral do PCP desafiou no sábado os portugueses a refletirem sobre o que pretendem para as suas vidas antes das eleições legislativas e lembrou o contributo dos comunistas para muitas medidas de reposição de direitos na atual legislatura.."A verdade é que o voto na CDU contou, como nenhum outro, para devolver a esperança ao povo português. O voto na CDU contou decisivamente para a reposição de salários e de outros direitos roubados, como feriados e complementos de reforma, para a reposição do direito ao pagamento por inteiro do subsídio de Natal, contou para o aumento do salário mínimo nacional, ainda que aquém do necessário", disse o líder comunista numa sessão pública em Palmela, no distrito de Setúbal..Perante cerca de duas centenas de apoiantes no Cineteatro São João, Jerónimo de Sousa disse que a pandemia de covid-19 veio expor ainda mais os muitos problemas que o país enfrenta, "resultado de décadas de política de direita" da responsabilidade do PS e PSD..Para o líder comunista, a "maioria absoluta que o PS ambiciona [nas legislativas antecipadas de 30 de janeiro], ou as soluções de bloco central, formal ou informal, que o PS não enjeita e que o Presidente da República e o poder económico andam a patrocinar", só serviria para aprofundar esses problemas e não para os resolver.."Dizem querer estabilidade. Mas de que estabilidade falam eles? Não da estabilidade na vida dos trabalhadores e do povo. Não da estabilidade que é garantida pelo emprego com direitos, por salários dignos e por pensões e reformas dignas. Não da estabilidade que requer serviços públicos de qualidade, como o Serviço Nacional de Saúde, que assegure no devido tempo as consultas, os exames ou as cirurgias de que necessitamos", disse.."Não é desta estabilidade que eles falam, não é esta a estabilidade que querem. O que querem é a partir do conforto e da arrogância da maioria absoluta, para assim fugir à solução dos problemas e levar a cabo as políticas que só trazem mais incerteza e instabilidade à vida do povo. Sabemos bem, um saber de experiência feito, que a falsa estabilidade das maiorias absolutas rapidamente se transforma num inferno de instabilidade na vida de quem trabalha", acrescentou..Jerónimo de Sousa reiterou desta forma o discurso proferido horas antes numa outra ação de pré-campanha eleitoral em Grândola, também no distrito de Setúbal, em que afirmou que uma eventual maioria absoluta do PS se traduziria rapidamente em dificuldades acrescidas para os trabalhadores.."A maioria absoluta [nas próximas eleições legislativas] com que sonha o PS, ou os arranjinhos com o PSD que também já preparam, visam livrar-se do PCP e do PEV, da sua influência e das suas propostas a favor dos trabalhadores e do povo", disse Jerónimo de Sousa em Grândola.."Atiraram com o país para eleições e disso não se duvide, porque ambicionam ver garantida, sem sobressaltos, a política de direita para assegurar os interesses daqueles que à custa dos trabalhadores e do povo têm acumulado riqueza e fortuna e assim continuam", frisou, dando como exemplo os ganhos bolsistas de 3,5 mil milhões de euros alcançados no ano passado pelos principais grupos económicos portugueses..Jerónimo de Sousa lembrou também que o atual Governo do PS só foi possível porque a "CDU viu aquilo que outros não viram", quando o PS felicitava o PSD e o CDS pela vitória eleitoral e "confessava a sua vontade de os deixar permanecer no governo"..Salientou ainda que muitas medidas aprovadas em benefício dos trabalhadores nos últimos seis anos e de que o PS, alegadamente, se tem apropriado, só foram possíveis devido à insistência do PCP e algumas tiveram grande resistência dos socialistas..A campanha eleitoral para as legislativas antecipadas de 30 de janeiro vai realizar-se entre 16 e 28 de janeiro, de acordo com o calendário definido pela Comissão Nacional de Eleições (CNE)..O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, dissolveu o parlamento e convocou eleições antecipadas na sequência da rejeição na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022)