França tem "dúvidas razoáveis" sobre a causa da queda do avião de Prigozhin

O porta-voz do governo francês disse que ainda não se sabe "as circunstâncias" da queda do avião, no qual terá morrido o líder dos mercenários do grupo Wagner.
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"Ainda não sabemos as circunstâncias deste acidente. Podemos ter algumas dúvidas razoáveis", disse, esta quinta-feira, o porta-voz do governo, Olivier Veran, à estação de televisão France 2.

Questionado sobre a afirmação do presidente dos EUA, Joe Biden, de que "não há muita coisa que aconteça na Rússia que não tenha a participação de Putin", Veran concordou que "como regra geral, essa é uma verdade que pode ser estabelecida".

Prigozhin foi "o homem que fez o trabalho sujo de Putin. O que ele fez é inseparável das políticas de Putin, que lhe deu a responsabilidade de cometer abusos como chefe do Wagner", disse Veran.

"Prigozhin deixou para trás cemitérios e uma desordem terrível numa boa parte do globo", como em África ou na Ucrânia, através da atuação dos seus mercenários em guerras e conflitos, considerou o porta-voz do governo francês.

O presidente norte-americano, recorde-se, não se mostrou surpreendido com a queda do avião de Prigozhin. "Não sei o que aconteceu, mas não me surpreende", disse o próprio presidente norte-americano, Joe Biden.

Yevgeni Prigozhin estaria na lista de passageiros de um avião do grupo Wagner que caiu na quarta-feira, durante um voo entre Moscovo e São Petersburgo, e que levou à morte de todas as 10 pessoas a bordo, segundo as autoridades russas.

A suposta morte do chefe do Wagner, Yevgeny Prigozhin, segue um padrão de fatalidades "não esclarecidas" na Rússia, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha nesta quinta-feira, acrescentando que não foi por coincidência que o foco se voltou para o Kremlin em busca de respostas.

"Não é por acaso que o mundo olha imediatamente para o Kremlin quando um antigo confidente de Putin, desonrado, de repente cai literalmente do céu dois meses depois de ter tentado um motim", disse Annalena Baerbock, referindo-se ao presidente russo, Vladimir Putin.

"Conhecemos este padrão na Rússia de Putin: mortes, suicídios duvidosos, quedas de janelas, tudo isso permanece por esclarecer - isso sublinha um sistema de poder ditatorial que se baseia na violência", disse a governante, numa conferência de imprensa com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Quirguistão.

Comissão Europeia rejeitou hoje especular sobre a alegada morte do líder do grupo russo Wagner, Yevgeny Prigozhin, após a queda do avião em que eventualmente seguia, adiantando que "quase nada do que sai da Rússia é credível".

"Quase nada do que sai da Rússia hoje em dia é credível, por isso sim, vimos as notícias sobre o acidente de avião que, alegadamente, matou o líder do grupo Wagner juntamente com membros da sua comitiva e membros da tripulação, mas tal como tantas outras coisas na Rússia isto é muito difícil para nós de verificar e, por isso, não nos compete comentar", declarou o porta-voz principal para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Peter Stano.

Questionado na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas, sobre a posição da União Europeia (UE) relativamente a este incidente, o porta-voz rejeitou "especular sobre possíveis consequências", mas lembrou a "clara influência negativa" do Grupo Wagner, "nomeadamente nos países africanos".

"O Grupo Wagner esteve presente e está presente em vários países do mundo em vários pontos problemáticos. A UE colocou Prigozhin e o Grupo Wagner na lista de sanções pelas violações que cometeram em muitos lugares, começando, claro, pela Ucrânia, Síria, Líbia, países africanos", recordou Peter Stano.

O responsável disse ainda esperar "que este impacto negativo das atividades do Grupo Wagner em todo o mundo cesse", embora ressalvando que "isto não está relacionado" com as recentes notícias.

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