Em Azeitão, poderá efetuar uma visita à fábrica Leiveira e acompanhar todo o processo de fabrico artesanal do azulejo desde o barro à pintura. Em Setúbal, está disponível uma visita à antiga fábrica Perienes - Museu do Trabalho Michel Giacometti -, no espaço da indústria conserveira. Em Lisboa, haverá a possibilidade de ver o corpo das máquinas e algumas áreas reservadas da estação elevatória Barbadinhos a Vapor do Museu da Água. São apenas três das quase 180 atividades que integram o programa da 3.ª edição da iniciativa À Descoberta do Turismo Industrial, que vai decorrer em todo o país, entre este sábado e dia 30..Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, no Museu da Água, em Lisboa. Gonçalo Villaverde / Global Imagens.O evento, promovido pelo Grupo Dinamizador da Rede Portuguesa do Turismo Industrial, vai realizar-se de norte a sul de Portugal continental e também nos Açores e inclui visitas a fábricas em laboração, a museus e a espaços que contam a evolução da indústria portuguesa..“Pretende ser uma iniciativa muito orientada para o público português, de descoberta e divulgação de todo um conjunto de atividades e experiências que acontecem em recursos de turismo industrial”, explicou a coordenadora do Grupo Dinamizador da Rede Portuguesa do Turismo Industrial, Teresa Ferreira, à agência Lusa..É no Norte que há mais atividades. Em Arouca, por exemplo, está prevista uma visita guiada ao Fabrico do Pão de Ló de Arouca para descobrir como surgiu a receita do Pão de Ló nos anos 1840 e como se mantêm as formas de produção mais artesanais para preservar a essência da casa mais antiga da região. Em Barcelos, poderá visitar o Museu do Chocolate Avianense e personalizar a embalagem de uma tablete de chocolate ou manusear o barro numa roda de oleiro na Cerâmica Norterra. Já em Freixo de Espada à Cinta, poderá assistir à demonstração da extração artesanal da seda, desde o desfiar do casulo até à transformação no seu produto final no Museu da Seda..Museu Fábrica Avianense, em Barcelos. Miguel Pereira/Global Imagens.Fábrica da Vista Alegre, em Ílhavo. Artur Machado/Global Imagens.Descendo até Cantanhede, a iniciativa permite uma visita a uma cave de espumantes, à zona de remuage e de dégorgement, ao parque das barricas de carvalho, dos autovidantes e depósitos inox, e ainda à zona de descarga das uvas e de pesagem do grau alcoólico, passando pelas linhas de engarrafamento e pelo armazém de produtos acabados. Já em Ílhavo, nada como ir ao Museu da Vista Alegre para uma demonstração ao vivo de pintura a pincel ou para participar numa oficina de olaria..No Alentejo, pode-se visitar o Parque Mineiro de Aljustrel ou descobrir lagares. No Algarve, além de experiências mineiras, haverá, por exemplo, provas de vinhos, visitas a fábricas, das conservas à cortiça, e às salinas e degustação de azeite e medronho..No Alentejo, há vários lagares de azeite ara descobrir. Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens.Caves de espumante em Cantanhede. Pedro Granadeiro/Global Imagens.“São atividades que as comunidades reconhecem e uma maneira de descobrir determinadas regiões de outra forma”, frisou Teresa Ferreira, para quem este tipo de atividades ligadas à indústria “tem tudo a ver com a identidade dos territórios”..Além do mais, continuou, “a interação do turismo com outros setores de atividade também é muito importante como contributo do setor para o bem-estar das comunidades e para a atividade económica em geral do país”..De acordo com esta responsável, que é também diretora do Departamento de Dinamização dos Recursos Turísticos do Turismo de Portugal, a 1.ª edição desta iniciativa, em 2022, teve cerca de 2.500 participantes no conjunto de 100 atividades, número que, em 2023, aumentou para 4.000 participantes, com mais atividades. “Gostávamos muito que a agenda deste ano pudesse subir em número de participantes”, admitiu..Muitas destas atividades decorrem em dias específicos e são pagas, pelo que se recomenda a consulta do programa e a marcação prévia. “O desafio é consolidar, crescer e promover este segmento” turístico, concluiu Teresa Ferreira.