A importância do espaço na geopolítica e no contexto da estratégia de segurança nacional esteve esta segunda-feira em destaque no CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto), em Matosinhos, onde Paulo Portas marcou presença. .O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros participou na sessão “A importância do Espaço no Contexto da Geopolítica e da Geostratégia nacional” da CEiiA, empresa que se destaca na produção de tecnologia "para as duas grandes fronteiras da humanidade: o mar e o espaço"..Aliás, com a criação da empresa GEOSAT, pelo CEiiA com a empresa espacial OMNIDEA, em 2021, "Portugal entrou num grupo muito restrito de países com uma componente de satélites de muito alta resolução", explicou o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, em comunicado..E é neste contexto que o ex-governante realçou a importância do investimento na indústria espacial em Portugal. “Eu conheço o CEiiA há muitos anos, tem apostado sucessivamente só em setores de altíssimo valor acrescentado o que naturalmente acarreta investimentos muito elevados", começou por dizer Paulo Portas. "Tem uma capacidade de desenvolvimento muito grande e aquilo que tem feito na indústria aeronáutica posiciona Portugal como uma das fly nations no mundo, (país com ativos no Espaço), com acesso direto ao mercado e meios para assegurar a sua soberania a partir do Espaço, o que é verdadeiramente surpreendente para um país tão pequeno que revolucionou a indústria espacial nos últimos anos, tendo passado de uma indústria pequena para uma indústria com grande capacidade”, sublinhou. .A componente de satélites de muito-alta resolução "dá um novo relevo geoestratégico à Constelação Atlântica no contexto da soberania nacional, e responde ao desígnio de explorar sinergias entre os domínios da Tecnologia, Economia e Defesa, em linha com os objetivos da Estratégia Espacial da União Europeia para a Segurança e a Defesa", destacou o CEiiA . .Para o centro de engenharia de Matosinhos, "Portugal tem agora maior capacidade de intervenção nos fatores Geoespaciais e nas estratégias militares e políticas", estando o CEiiA, a GEOSAT e a Força Aérea Portuguesa a trabalhar na implementação da Constelação Atlântica..Trata-se de uma constelação de satélites, uma parceria com Espanha e outros países que "reforça a soberania nacional no Espaço e no Oceano e abre a porta às empresas portuguesas para os novos mercados de sustentabilidade, como o da economia do carbono". .Para o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, o General Cartaxo Alves, “este projeto de parceria entre o CEiiA, a Força Aérea e a Geosat vai potenciar as capacidades da Constelação Atlântica para a área da Segurança e da Defesa, para além das capacidades que já tinha.."Em complementaridade com outros parceiros internacionais, como Espanha e eventualmente o Reino Unido, estes satélites poderão potenciar uma observação da Terra nas suas várias vertentes para que se garanta uma maior monitorização quer seja da agricultura, da economia, do clima e das noções de fronteira e de vigilância marítima e de capacidade de deteção.”.De acordo com a CEiiA, a Constelação Atlântica beneficia "do envolvimento da Força Aérea Portuguesa para integrar o conjunto de iniciativas para estender e proteger as fronteiras de Portugal, neste caso no Espaço, a par do Projeto de Extensão da Plataforma Continental Portuguesa, que tem vindo a trabalhar junto das Nações Unidas para alargar o fundo do Mar sob jurisdição nacional". .Neste sentido, a Constelação Atlântica "ganhou com a GEOSAT uma nova componente de muito-alta resolução que abre a porta à gestão de emergências e segurança", que são "essenciais para o reforço da soberania nacional no espaço e no oceano"..Para Francisco Vilhena da Cunha, CEO da GEOSAT, “a componente de muito-alta resolução viabiliza a gestão de emergências e segurança a partir da Constelação Atlântica, e é um ativo crítico para expandir e assegurar a soberania nacional sobre as fronteiras do território português, da mesma forma que o Projeto de Extensão da Plataforma Continental Portuguesa tem vindo a trabalhar junto das Nações Unidas para alargar o fundo do Mar sob jurisdição nacional”..Explica ainda a CEiiA que esta iniciativa, "das mais relevantes na história da indústria espacial portuguesa", vai "permitir a integração futura na Constelação Atlântica de outros satélites em desenvolvimento nas empresas portuguesas, relacionados com comunicações marítimas ou radar". .Está em curso a fase piloto da Constelação Atlântica, "a partir das capacidades da GEOSAT e do lançamento de satélites demonstradores como é o caso do Aeros, desenvolvido pelo CEiiA em colaboração com a Thales, que será lançado com a SpaceX ainda neste trimestre"..estando atualmente a trabalhar com o GEOSAT e a Força Aérea Portuguesa na implementação da Constelação Atlântica, que foi anunciada na semana passada em Bruxelas. Uma parceria com Espanha e outros países que reforça "a soberania nacional no Espaço e no Oceano e abre a porta às empresas portuguesas para os novos mercados de sustentabilidade, como o da economia do carbono".