O primeiro-ministro Luís Montenegro prometeu na noite desta terça-feira, no final de um Conselho de Ministros extraordinário que contou com a participação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que o Governo irá criar condições para “oferecer apoio mais imediato e urgente” para quem ficou sem casa ou meios de subsistência devido aos incêndios que nos últimos dias fizeram sete mortes e destruíram quase 20 mil hectares..Segundo Luís Montenegro, que anunciou a passagem de Situação de Alerta para Situação de Calamidade em todos os concelhos afetados pelos incêndios (o que acelera a atribuição de apoios e de outras medidas que o Estado entenda tomar) , o Instituto Nacional de Estatística e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais irão elencar os prejuízos, “para a resposta ser o mais rápida possível”, no âmbito da equipa multidisciplinar de resposta coordenada pelo ministro-Adjunto, Castro Almeida, que esteve no Distrito de Aveiro nesta terça-feira e estará nesta quarta-feira no de Viseu e, “se for possível”, nos de Vila Real e do Porto. E acrescentou que, se houver enquadramento para o fazer, o Governo acionará o Fundo de Solidariedade Europeu..No entanto, o primeiro-ministro também deu grande ênfase à “ação repressiva”, insistindo na ideia de que “há coincidências a mais”, tornando provável que haja “atitudes criminosas na base de muitas ignições”. Após deixar a “mensagem muito clara” de que os membros do Governo não irão “deixar um minuto do nosso esforço por preencher na ação de dissuasão e prevenção de comportamento criminosos”, pois “não podemos perdoar a quem não tem perdão”, Montenegro anunciou a formação de uma equipa “especializada em aprofundar a investigação criminal à volta dos incêndios florestais”, envolvendo a Procuradoria-Geral da República e as forças de investigação criminal. Não se esqueceu de mencionar o Sistema Judicial, admitindo que muitos portugueses gostariam de ver uma “condenação mais eficaz daqueles que foram detidos e julgados”, mas preferiu centrar-se na atualidade, nomeadamente “interesses que sobrevoam estas ocorrências”..Numa intervenção que começou com um agradecimento ao Presidente da República e a manifestação de pesar pela morte de bombeiros, que “estavam ao serviço de todos nós”, o primeiro-ministro - que cancelou a sua agenda até sexta-feira, acabando também por adiar para 19 e 20 de outubro o Congresso do PSD, que deveria realizar-se em Braga neste fim de semana - garantiu que todos estão “conscientes de que as horas difíceis ainda não acabaram”..Foi nesse tom que Marcelo se dirigiu aos portugueses, no final do Conselho de Ministros, realizado na Residência Oficial do primeiro-ministro, dizendo-lhes que “não podemos ter a tentação da facilidade” perante uma situação que se mantém muito perigosa, apesar da “eventual evolução favorável” que se espera nos próximos dias..O Presidente da República fez questão de dizer que concordou com as deliberações do Governo, naquilo que disse ser, “mais do que uma mera solidariedade institucional, uma solidariedade estratégica”, que junta a população, os operacionais, os autarcas e os órgãos de soberania.