Dois dias depois de terem dado início a uma ofensiva surpresa a partir da região de Idlib, no noroeste da Síria, os rebeldes jihadistas do Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e os aliados voltaram a entrar em Aleppo. É a primeira vez que os insurgentes que lutam desde 2011 contra o regime de Bashar al-Assad entram na segunda maior cidade do país desde que foram forçados a sair pelo exército sírio, em 2016, naquele que foi um ponto de viragem na guerra civil..“As nossas forças continuam a repelir a grande ofensiva lançada por grupos terroristas armados”, assegurou o Exército sírio num comunicado, alegando que “conseguiram recuperar o controlo de certas posições”. Este é o maior ataque desde o desescalar do conflito em março de 2020, após um acordo que envolveu Rússia (que em 2015 interveio em apoio do presidente sírio) e a Turquia (que apoia alguns grupos rebeldes no noroeste da Síria)..O Kremlin já reagiu à ofensiva, quando há informação de que os caças russos e os do regime bombardearam na quinta-feira várias posições rebeldes junto à fronteira turca. “Em relação à situação em redor de Aleppo, é um ataque à soberania síria e somos a favor de que as autoridades sírias ponham ordem na área e restaurem a ordem constitucional o mais rapidamente possível”, disse o porta-voz Dmitry Peskov. Questionado sobre informações de que Assad estava em Moscovo para negociar com o presidente russo, Vladimir Putin, Peskov disse que não tinha “nada a dizer”..A ofensiva dos rebeldes sírios - “dissuasão da agressão” - foi lançada no dia em que entrou em vigor o frágil acordo de cessar-fogo no Líbano. Após mais de um ano de trocas de tiros quase diárias na fronteira com Israel e dois meses da ofensiva terrestre israelita, o Hezbollah está enfraquecido. O grupo xiita libanês é apoiado pelo Irão, que tem estado ao lado das forças de Assad desde 2015, sendo que Israel tem também atacado vários alvos iranianos na Síria. o Hezbollah seria “a principal força” no controlo de Aleppo..Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, a organização não-governamental sediada em Londres, os rebeldes controlam “65 aldeias, vilas e posições na região de Idlib e Aleppo” após três dias de combates, além de terem entrado “com um grande número de combatentes” em “cinco bairros” na cidade de Aleppo. Os rebeldes não encontraram “resistência significativa” e houve “uma retirada das forças do regime”. Segundo as Nações Unidas, os combates já causaram a morte a pelo menos 27 civis, incluindo oito crianças. Já o Observatório fala em 277 civis e combatentes de ambos os lados mortos..A liderança do HTS, grupo que estará à frente desta ofensiva, era historicamente composta por islamitas sírios e estrangeiros, com ligações ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda. Contudo, houve uma mudança pragmática nos seus objetivos estratégicos..susana.f.salvador@dn.pt