Viveu um mês com o cadáver da mãe. "Foi uma criancice"

A casa onde Pedro Cabrita vivia com a mãe

Em Almargem do Bispo, Sintra, filho diz que não contou a ninguém da morte da mãe porque não tinha posses para cumprir o último desejo dela

Na passada segunda-feira, foi encontrado numa casa em Almargem do Bispo, concelho de Sintra, Lisboa, o cadáver de Maria João, de 73 anos. O filho, Pedro Cabrita, de 44, não contou a ninguém e viveu um mês com o corpo da mãe dentro de casa.

Ao DN, Pedro diz que o que aconteceu foi "uma criancice", e que apenas escondeu o facto de mãe estar morta porque esta "queria ser cremada".

"A minha mãe queria ser cremada e a única maneira era eu esperar para não a sepultarem, porque eu não tenho posses, não tenho nada. A minha mãe não deixou nada escrito, foi comigo que falou. Sem saber o que fazer, fui mantendo as coisas escondidas, durante um tempo", começou por afirmar.

Desempregado, sem qualquer rendimento, rapidamente surgiram rumores de que o teria feito para ficar com a reforma da idosa, o que nega. Durante o "desaparecimento" da mãe, dizia às pessoas que ela estava a dormir, diz um vizinho. Maria João tinha chegado do hospital há pouco tempo e terá morrido vítima de doença. A GNR de Pêro Pinheiro não presta, nesta altura, quaisquer declarações sobre o caso.

"Quem faria algo deste género por 400 e tal euros? Aliás, depois de paga a renda, são 200 e tal. Eu não quis o rendimento de inserção porque queria trabalhar para ter o meu dinheiro, estava farto de estar sempre a viver à custa da minha mãe", disse Pedro. "Não é fácil viver à custa de alguém", acrescentou.

Segundo um vizinho, o corpo de Maria João só foi descoberto quando o filho desmaiou à porta de casa na segunda-feira. A proprietária do apartamento quis ajudar e perguntou-lhe pela mãe. Pedro alega que deixou a senhoria entrar em casa porque, se não deixasse, "aí sim, estaria a esconder alguma coisa". Foi então que o corpo foi descoberto, para choque da proprietária, que o encontrou.

A vizinhança garante que Pedro Cabrita sofre de problema psiquiátricos e o próprio confirma: "Tentei o suicídio por duas vezes". Mas negou os rumores que diziam estar medicado e ser ou ter sido toxicodependente. Aponta ainda alguma responsabilidade aos vizinhos que, ao não saberem nada de Maria João, não perguntavam, o que contraria alguns relatos. Garante também que lavava sempre a casa para evitar odores, o que também contradiz relatos de mau cheiro vindo da habitação.

Em relação ao comportamento perante as autoridades e o que lhe poderá acontecer, Pedro não mostra muita preocupação. "Aquilo que for mais fácil. Digam-me. Se tiver de ser, sou maluco. Prendam-me, façam o que quiserem", afirmou. "Eu disse às autoridades: 'perguntem-me que eu respondo, é mais simples'".

"Não tenho nada a esconder agora. Já escondi um corpo", acrescentou.

A "única coisa" de que quer tratar é do corpo da mãe, que ver ser cremado, visto que era essa a "sua vontade".

Com uma irmã, que ainda não o visitou, dois filhos, e o resto da família na Venezuela, Pedro diz que as coisas aconteceram "ao contrário, porque foi preciso sair à rua para as pessoas desconfiarem". "Ele é desempregado, está em casa, é normal. Era isto que pensavam as pessoas", disse também.

"Não tive pai. Não tive educação como adulto e não a procurei. Sempre fui mais criança e as crianças escondem as coisas. Foi o que eu fiz", conclui.

Diz não ter receio do que lhe possa acontecer. "Só estou preocupado com o que possam fazer ao corpo da minha mãe".

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