Quercus pede que seja "cancelado e reavaliado" corte de árvores em Sintra-Cascais

A associação ambientalista defendeu que seja cancelado e reavaliado o corte de árvores no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC)

"A Quercus acha que o corte deve ser cancelado e deve ser reavaliado, porque duvidamos muito que o corte incida unicamente sobre árvores doentes e em risco, porque temos informação de que não é assim e isso vai fomentar a proliferação de acácias invasoras", afirmou à agência Lusa o presidente da Quercus, João Branco.

A organização ambientalista questionou o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) sobre a marcação de árvores ao longo de cerca de cinco quilómetros da Estrada Nacional 9-1, entre a Malveira da Serra e a Lagoa Azul.

O dirigente ambientalista aguarda esclarecimentos do instituto que tutela o PNSC, mas recusa alegados motivos de segurança para o corte, incluindo pelo exagero da marcação do arvoredo "numa faixa de 50 metros a partir da estrada".

"Numa área natural e paisagística desta importância, que é uma área protegida, não se justifica este tipo de cortes de madeira para obtenção de rendimentos, uma vez que o principal uso não deve ser de uma floresta de produção, mas de conservação", defendeu o engenheiro florestal.

A Quercus recebeu também denúncias de outros cortes na serra de Sintra, com "a utilização de máquinas pesadas para retirar a madeira", afetando o arvoredo da área protegida.

"O ICNF tem de repensar as políticas florestais nas áreas que gere, porque, com as alterações climáticas, há muitas áreas que ainda estão a ser exploradas para produzir madeira, numa lógica puramente mercantilista, e a política tem de mudar, pela manutenção da paisagem e para que a floresta seja um sumidouro de carbono", avisou.

Enquanto aguarda pelas respostas do ICNF, o dirigente da Quercus reiterou que "o corte deve ser suspenso e reavaliado", por facilitar "o aumento de acácias, que são o principal problema da serra de Sintra e da maior parte dos parques portugueses".

A Lusa também contactou hoje o ICNF, mas ainda não conseguiu obter esclarecimentos sobre as espécies marcadas para abate. Uma fonte do instituto adiantou, porém, que a intervenção ainda não avançou.

No entanto, segundo uma nota do PNSC, a que a Lusa teve acesso, os serviços têm instruções para explicar que a intervenção visa "melhorar a segurança de pessoas e bens e garantir o bom desenvolvimento das espécies autóctones".

As marcas incidem sobre "exemplares arbóreos em fim de vida", sinais "de instabilidade" e "em mau estado fitossanitário" ou "em concorrência direta com exemplares de espécies autóctones", entre os quais sobreiros, carvalhos, medronheiros freixos e amieiros.

Entre as espécies a abater estão algumas pioneiras e exóticas, como "pinheiros-bravos, ciprestes e acácias", refere a nota dos serviços.

"As árvores não se encontram em fim de vida, nem em mau estado fitossanitário, nem em concorrência direta com as espécies autóctones, que escasseiam nas áreas a intervir", contrapôs uma fonte dos serviços do ICNF, que pediu para não ser identificada.

A mesma fonte explicou que a zona foi objeto de limpeza, para remoção de material arbustivo, e que o corte indiscriminado provocará "uma rápida erosão dos solos" e aumento de espécies invasoras.

"É um grande crime ambiental. Fomos alertados e verificámos no local que há milhares de pinheiros, pequenos e grandes, e de cedros marcados para abate", afirmou hoje Manuela Cunha, dirigente de "Os Verdes".

O partido ecologista vai requerer a audição do presidente do ICNF no parlamento, para esclarecer o abate de árvores naquela "área protegida da responsabilidade do Estado" na comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local.

"Mesmo a gestão de solos e do perigo da proximidade das árvores da estrada ou o controlo de invasão de outras espécies infestantes, como as acácias e os matos, fazem-se por pequenos talhões e não através de áreas gigantes destas", notou a dirigente 'bloquista', lamentando a visão economicista por trás da decisão.

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