Presos cultivam hortas para dar de comer a famílias carenciadas

32 reclusos das cadeias de Alcoentre, Leiria, Pinheiro da Cruz e Setúbal estão integrados no projeto "Hortas Solidárias". O protocolo com o Banco Alimentar contra a Fome é assinado amanhã

É uma parceria em que todos ficam a ganhar. As prisões dão o terreno e a mão-de-obra dos presos (voluntária, porque não há trabalhos forçados de reclusos em Portugal) e o Banco Alimentar contra a Fome dá as sementes e os adubos. As famílias carenciadas, que não têm como comprar produtos frescos, ficam beneficiadas na alimentação.

Para trabalhar nas "Hortas Solidárias" voluntariaram-se 32 reclusos de quatro estabelecimentos prisionais (EP): 11 no EP de Alcoentre, 9 no EP de Leiria (cadeia para jovens), 5 na cadeia de Pinheiro da Cruz e 7 na cadeia de Setúbal, segundo adiantou a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) ao DN. Os espaços agrícolas destes estabelecimentos prisionais já estão a ser trabalhados por estes presos.

O protocolo entre a DGRSP e a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome (FPBA) será assinado amanhã de manhã, com a presença do diretor geral das prisões, Celso Manata, e a presidente da FPBA, Isabel Jonet.

Os reclusos recebem uma remuneração simbólica, cerca de 1 euro por hora, mas têm neste projeto uma "oportunidade de reinserção e de trabalhar a autoestima", como salientou fonte do Ministério da Justiça.

Os Bancos Alimentares contra a Fome recebem produtos com prazos de validade longos, nas suas campanhas junto dos clientes de supermercados, mas não tinham até ao momento, possibilidade de dar produtos hortícolas frescos a famílias carenciadas. Já tinham empresas que lhes forneciam sementes e adubos mas faltava-lhes a mão-de-obra. Com o protocolo estabelecido com a DGRSP, esse problema fica resolvido.

Os bancos alimentares locais, que estão na área geográfica destas cadeias, encarregam-se de distribuir os legumes e frutas frescos a quem precisa.

"Conforme se encontra previsto no protocolo está previsto o alargamento do projeto Hortas Solidárias a outros estabelecimentos prisionais, não sendo por agora possível indicar quais", referiu ainda a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

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