Hey, Mrs Robinson. Mulheres mais velhas com homens mais novos

50 anos depois de The Graduate, o filme em que Mrs Robinson seduz um Dustin Hoffman com idade para ser seu filho, Macron, favorito na corrida presidencial francesa, apresenta a mulher 24 anos mais velha assumindo não se tratar de "um casal normal". Não? Porquê? E porque é que Temer e Trump nunca sentiram necessidade de dizer o mesmo? Mulheres em relações com homens mais novos e homens em relações com mulheres mais velhas respondem. E falam de preconceito, estereótipo, desejo e amor.

"A sério, estamos no século XXI, isso ainda é assunto?" Foi assim, conta Joana Sant"Ana, de 43 anos, que o homem com quem vive, de 36, reagiu quando lhe disse que ia dar uma entrevista por causa da diferença de idades dos dois. "Claro que é um assunto", responde Joana. "Até eu já dei por mim a olhar para um casal em que ela é muito mais velha do que ele e a pensar, por um nanossegundo, "isto não faz sentido nenhum". Logo a seguir digo a mim própria "que estupidez". Mas a ideia está lá."

Está. E fez "cair tudo ao chão" a esta secretária de programação na Cinemateca Portuguesa quando, aos 29 anos, num bar do Bairro Alto, teve uma longa conversa com um rapaz a quem achou "imensa piada": "Estava a passar uma canção dos Radiohead em jazz e eu, que odeio jazz e adoro Radiohead, comecei a dizer que era blasfémia. Ele estava com amigos numa mesa ao lado, discordou e começámos a falar. A dada altura percebi que tinha feito anos há pouco tempo e perguntei quantos. Quando disse 22, não queria acreditar." Aos 29, ela tinha emprego, casa própria, um filho de 6 e um divórcio no currículo; ele (que não quis falar ao DN) estava na faculdade e vivia com os pais. Dinâmicas muito diferentes que complicaram o início da relação. "Era a diferença entre a pessoa que trabalha todos os dias, que se deita cedo porque de manhã a cabeça tem de estar fresca, que tem contas para pagar, e a que quer sair à noite. E chegava o verão um só queria férias e o outro tinha de estudar para os exames..." Ri-se. E se ao fim de pouco tempo conheceram os amigos dos dois lados - "Os dele à minha frente gozavam: "Sacaste a trintona, agora como é que vais fazer para a manter"; aos meus não disse logo a idade dele" -, só apresentou o filho ao namorado dois anos depois, e só conheceu os pais dele ao fim de três. Foi essa, aliás, a maior prova: "Reagiram muito mal, sobretudo a mãe. Que, curiosamente, é sete anos mais velha do que o pai. Eu não era o que tinham sonhado para ele." Depois de 15 anos e um filho, de 8, em comum, tudo isso são lembranças quase cómicas. E, recentemente, um cancro da mama permitiu a Joana aferir a solidez da relação. "Não houve um tratamento ao qual ele não fosse, de mão dada, comigo, e percebi que havia ali muitas mulheres tristes, que diziam que os maridos não queriam saber. Disseram-me: "Joana, tu estima-me esse homem.""

Doce pássaro da juventude

O amor. Não escolhe idades, diz o ditado. É um dizer bonito. Mas talvez, para ser condizente com aquilo que a maioria das pessoas - o povo, vá, essa entidade que é suposto possuir a "sabedoria popular" - pensa ou sente, devesse antes declinar-se assim: "O amor não escolhe idades, desde que não estejamos a falar de mulheres mais velhas com homens mais novos, porque aí, bom, amor?"

Veja-se Brigitte Trogneux e Emmanuel Macron, ele o candidato presidencial francês que lidera a corrida, 39 anos, ela a sua mulher - com 63. Conheceram-se quando ela era, aos 40, casada e com três filhos, professora de Literatura Francesa no liceu e ele, com 15, seu aluno; contam que se aproximaram quando escreveram juntos uma peça de teatro, que mesmo quando ele foi para a universidade nunca perderam contacto. Casaram-se em 2007. Uma história bonita, não? E com mais de uma década. Mas agora que Macron, ex-ministro de Valls, está na corrida para o Eliseu e Brigitte entrou no radar mediático, os 24 anos de diferença desencadearam uma onda de maledicência que culminou no boato de que ele seria homossexual, com "uma vida dupla" e o casamento como "fachada".

Porquê? O motivo parece não ser outro senão a "anormalidade" --"un couple pas tout à fait normal" -- que o próprio Macron refere, como quem diz estranheza: porque haveria um homem como ele interessar-se, sentimental e sexualmente, por uma "barbie menopáusica" (apodo dado, por um humorista radiofónico, a Brigitte que, loura e esguia, gosta de usar minissaia)? E se ela não é rica, não é "famosa", se nada há que "justifique", do ponto de vista mercenário, atrair um homem mais novo e bonito, tem de haver outro móbil para a relação. Tudo menos aceitar que pode ser só isso mesmo: uma relação.

Por mais que o casal o repita, como numa entrevista a meio de março à revista alemã Der Spiegel. "O facto de estar com uma mulher 24 anos mais velha parece chocar muita gente, apesar de estarmos em 2017. Habituaram-se ou continuam a ficar magoados de cada vez que se confrontam com isso?", perguntam-lhes. Sabe, responde Macron, "se eu estivesse com uma mulher 20 anos mais nova ninguém o consideraria estranho, em nenhum sentido. Na verdade seria o oposto - achariam ótimo. Mas nunca vivi a minha vida tendo em conta o que os outros pensam dela".

De facto, basta reparar nas idades do atual presidente do Brasil, Michel Temer, 75 anos, e da esposa, Marcela Tedeshi, de 32 (que teria 19 no início da relação, quando ele tinha 62), ou de Donald Trump, 70, e Melania Knauss, 46. E no facto de a nenhum deles ocorrer classificar essas relações como "fora da norma). De onde virá então, num mundo que aceita com tal naturalidade estes casais, a ideia de que uma mulher mais velha não pode seriamente "conquistar" um homem mais novo, ou pelo menos por mais que umas noites à experiência e como iniciação, à maneira do The Graduate/A Primeira Noite?

Neste filme de 1967, Anne Bancroft, no papel da Mrs. Robinson eternizada na canção de Simon and Garfunkel, fixa o estereótipo da predadora de "meia-idade" que "seduz" um Dustin Hoffman acabado de sair da universidade, o qual - para reconduzir as coisas à sua "ordem natural" - acabará por se apaixonar pela filha da amante. Como a atriz em declínio que em Sweet Bird of Youth (filme baseado na peça homónima de Tennessee Williams), interpretada por Geraldine Page, se entretém com um deslumbrante Paul Newman, Mrs. Robinson é desenhada como uma mulher que, em desesperada autoilusão, quer recapturar na relação com um homem mais novo a juventude e o amor perdidos. Uma total impossibilidade, evidentemente, porque os homens mais novos não se apaixonam por mulheres mais velhas. Ou apaixonam?

"Ela é mais velha, já viste?"

Luís, 35 anos, sorri. "Há a ideia de que um tipo com uma mulher mais velha é para aprender umas coisas, dura uns tempos. Quanto ao contraste com a reação quando o homem é mais velho... Vivemos numa sociedade hipermachista e hipersexista, em que se acha que uma mulher procura num homem proteção, segurança, enquanto ele quer é uma boazona para dar umas quecas."

Um arquétipo solidificado em séculos de dominação masculina, na qual, do direito romano em que o homem tinha direito de vida e morte sobre fêmea e crias ao direito português que consagrou o estatuto do marido como chefe de família (só abolido no pós-25 de Abril), a mulher passava da possessão/autoridade do pai para a do esposo, pressupondo, como frisa a catedrática de Direito Teresa Beleza, "uma natural ascendência em função também da diferença de idades". Arquétipo que permitia considerar-se aceitável o casamento de meninas mal menstruavam - no Censo de 1864 havia 153 casadas e até viúvas entre 11 e 15 anos -, norma que a Igreja Católica acolheu até ao início do século XX e que se mantém na "tradição" de vários países e etnias (caso da cigana). Segundo o Fundo para a População da ONU, que o classifica como violação de direitos humanos, o casamento de crianças do sexo feminino continua a afetar, nos países em desenvolvimento, uma em cada três menores de 18 e, entre as menores de 15, uma em nove. E Beleza recorda, quanto a Portugal - em que a idade mínima de casamento está fixada nos 16 (com autorização de quem detém a tutela parental) -, o "interessante debate na Comissão Constitucional, antecessora do Tribunal Constitucional, quanto à inconstitucionalidade da diferença entre géneros na idade mínima para casar - que no Código Civil de 1966 era de 16 para eles e 14 para elas - designadamente o voto do professor Jorge Miranda, fazendo notar que o casamento demasiado cedo impedia por exemplo as raparigas de estudar."

Este estereótipo do homem como dominante, detentor do poder, simbólico e económico, na relação heterossexual, pressupõe que a mulher, em troca de sustento e proteção, lhe satisfaça as necessidades sexuais e reprodutivas - para o que tem de estar "dentro do prazo". Pressupostos que Luís, funcionário público, desafia nos três anos da sua relação com Maria, de 50, garantindo que nunca equacionou a diferença de idades quando percebeu que se estava a envolver sentimentalmente. "Era uma pessoa com quem já tinha uma relação de amizade e cumplicidade intelectual. Começámos a conversar com mais intimidade e encontrei nela aquilo que sempre tinha procurado numa companheira. E quando pela primeira vez falámos na diferença de idades, dei-me conta de que não tinha sequer pensado nisso. Ela preocupa-se mais e quando fica mais triste com a possibilidade de a poder deixar - por causa daquela ideia de que não pode durar - digo-lhe com a maior meiguice possível que estou aqui como se estivesse com uma pessoa da minha idade e que quando estou numa relação de namoro estou, como se diz em linguagem jurídica [Luís tem o curso de Direito], com tendência perpétua. Podes desapaixonar-te, claro, ou apaixonares-te por outras pessoas. Mas também posso abrir a porta e ser atropelado por um camião. Não tenho de estar preocupado com isso." Mesmo se, aqui e ali, é confrontado com a forma como os outros os vêm: "Fomos visitar uns parentes meus no Norte e estava lá uma miúda de 12 anos que gosta muito de mim. Depois de sairmos, disse à avó que tinha gostado da minha namorada, e a avó respondeu: "Mas ela é mais velha, já viste?" Não notei, disse a miúda. Achei muito interessante a visão dela."

Maria, docente do ensino superior e investigadora, suspira. "Para mim teve peso a diferença de idade. Por várias razões. Desde o facto de já não poder dar-lhe filhos até ao desconforto com o meu corpo, que não é o de uma miúda de 35. Olhava para mim com o olhar dele, ou com o olhar que lhe atribuía, mais crítico. Fala-se do rejuvenescimento por se andar com alguém mais novo, mas fazia-me sentir mais a idade que tinha."

Ah, sim: a agressão e condicionamento que os estereótipos implicam não vem só de fora; vem também de dentro. A atriz, dramaturga e encenadora Mónica Calle, da mesma idade de Teresa e como ela em processo de menopausa, reflete: "Isto tem muito a ver com pensar as mulheres como objetos de desejo e não sujeitos desejantes, plena e solidariamente. E com o achar-se que a partir de uma certa idade uma mulher continuar a afirmar que é sexual não faz sentido." "Certa idade", não por acaso, situada no fim do período fértil - recorde-se que em 2014 um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo rezava: "Aos 50 anos e com dois filhos, a vida sexual de uma mulher deixa de ter tanta importância." Ao contrário, garante Calle: "Continuo a sentir desejo. Continuo à procura. E até fisicamente sinto o meu corpo e o meu desejo mais intenso e mais pleno do que alguma vez na vida."

Mónica, que tem "três filhos de três homens diferentes" e sempre teve relações com homens "muito mais novos" - "O meu primeiro marido tinha nove anos a menos e o último tinha menos 12 anos" -, esclarece não estar "à procura nem do casamento nem de uma ideia romântica do amor". Se calhar, diz, "uma das coisas que se transforma um bocadinho com a idade, e que nas relações com homens mais novos fica muito mais clara, é que a expectativa romântica desaparece um bocado". Talvez seja por isso, por essa liberdade, essa falta de "peso" e "investimento", aventa, "que os homens mais novos se interessam tanto por mulheres da minha idade."

"A idade só assusta os fracos"

E o contrário, sucede porquê? Ana, 45 anos, dá uma gargalhada ao iniciar a conversa sobre o que apelida de "as minhas aventuras com a canalha" (na aceção de grupo de crianças). "Movimento-me no meio musical e isso implica ir a concertos, festivais, meios que as pessoas mais velhas não frequentam muito. Acresce que acho que os homens envelhecem mais rapidamente do que as mulheres, de cabeça e não só. Os homens mais velhos são muito mais fechados. Há neles muita misoginia e ainda a ideia da divisão de papéis entre homens e mulheres. Os meus amigos de 20 e tal anos são completamente diferentes. Sinto-me em casa com eles. Se houver uma imagem, é a de estarmos todos na mesma sala, enquanto os mais velhos estão noutra divisão. E daí que tenha andado ultimamente com rapazes mais novos. Porque não só os encontro mais nos sítios como temos mais em comum." Ri-se de novo: "Ainda vamos chegar à conclusão de que nós, as mulheres, queremos é os novos, metemos os velhos no velhão."

É a ideia da cougar - calão originário do Canadá (o puma é animal das Américas) para designar mulheres mais velhas que preferem homens mais novos. Imagem predatória, não por acaso sem correspondência no género masculino: o "normal", afinal, é o homem perseguir a presa feminina. Ana ri-se. "As mulheres estão mais exigentes em tudo, incluindo elas próprias. Cuidam-se. Muitas não parecem ter a idade que têm, já os homens... Sinto que o mundo é das mulheres, neste momento. Estamos a ficar investidas de um poder que não tínhamos. Podemos ser galdérias, putas, boazinhas. Podemos ser tudo." Todas essas possibilidades podem, no entanto, redundar em impossíveis. "O que sinto em relação aos rapazes mais novos é que se amedrontam mais do que nós. E passar do sexo e do desejo para uma relação mais instituída, formal, é um passo e tanto. Acho por exemplo que têm vergonha de apresentar as mulheres mais velhas aos pais." Foi nesse plano, e menos no do choque social - "Nunca senti que as pessoas olhassem, mas sempre fui discreta nesses envolvimentos" -, que Ana, numa relação com um homem 15 anos mais novo, se confrontou com o cliché. "Quando chegou à altura em que, ao fim de dois meses, era suposto a coisa ficar séria, ele ficou com medo e foi-se embora. E isso fez-me mal porque acreditei mesmo naquilo, gostei muito dele. Mas não tenho ressentimentos nenhuns, aliás continuamos a dar-nos. E ele admite que foi um cobarde. Na verdade isto da idade só assusta os fracos. É uma espécie de triagem."

Pode não ser, porém, só uma questão de cobardia. Pode ter a ver com expectativas, com planos de vida, com os ritmos - com o tempo, afinal. "Há a questão dos filhos. Quando começo a andar com rapazes novos eles perguntam logo sobre se quero filhos. Mesmo miúdos de 26, 27 anos. Têm um modelo tradicional na cabeça. Ora eu posso querer uma família [Ana tem um filho] mas a primeira coisa em que penso quando ando com alguém não é em ter filhos, caramba. E é muito ridículo porque hoje em dia já ninguém faz planos."

Ou talvez seja essa uma das diferenças entre ser mais novo e mais velho - os planos. Luísa, 40 anos, professora universitária de Psicologia, tinha 33 quando teve a primeira relação com um homem mais novo - com dez anos menos. Era um irmão de um amigo que, conta, "de repente cresceu e estava ali cheio de saúde". Além da atração física - "Olho à minha volta e não vejo muitos homens da minha idade que tenham envelhecido bem, os mais novos esforçam-se mais, desde pequenas coisas, como depilarem-se, até alimentarem-se melhor, fazerem ginástica" - vê outro motivo para que, desde então, seja esse o seu padrão. "As relações são sempre uma forma de nos encostarmos a alguém, de viver aquela vida sem pagar renda. Sinto inveja da liberdade, da disponibilidade. E como na minha idade as pessoas têm vidas complicadas, se me relacionar com alguém nas mesmas circunstâncias acabamos por não nos ver. Alguém com mais disponibilidade e horários menos exigentes adequa-se melhor." Alguém, prossegue, que não se importe de não ser a primeira prioridade. "Não tenho lugar na minha vida para quem queira isso. Mas as pessoas não aguentam muito tempo não o serem e eu própria reconheço que também não gosto de não ser." A relação com o rapaz dez anos mais novo, por exemplo, acabou ao fim de ano e meio porque ele ia fazer Erasmus. "Disse-lhe para ir à vida dele." Ri-se. "Eles crescem e perdem a piada." Chegou a apaixonar-se? "É sempre difícil responder a essa pergunta com sim ou não. Gostava suficientemente dele para me manter na relação. E ele dizia que se sentia bem comigo. Mas nunca achei que pudesse ser uma coisa séria. Não tanto pelas idades mas pelas personalidades. E percebi também que se podia estar a objetificá-lo como toy boy [rapaz-brinquedo] era para ele a mulher troféu: ante os amigos andava a comer a gaja mais velha, com casa e carro."

E crê que um dos motivos do que reconhece como "um tabu incrível, não no sentido de algo de que não se fala, mas de interdito social" está nessa possibilidade de objetificação do homem: "É muito difícil aceitar-se que a mulher valorize, nas relações, muito ou sobretudo o aspeto físico." E que a imagem tão comum da "mulher troféu" - a beldade muito mais nova que faz parte da exibição de poder de homens "bem-sucedidos" - possa ter correspondente nas mulheres bem-sucedidas. "Mas isso também é", adverte Luísa, "uma limitação na forma como se olha para os homens: se estão com uma mulher mais velha só pode ser pelo poder e pelo dinheiro".

"É um estigma que vai durar gerações"

"Claro que há pessoas que acham que me estou a aproveitar delas e algumas chegaram a dizer-mo diretamente. Que estava interessado na fama dela, no dinheiro dela. Acha-se que um homem mais novo está com uma mulher mais velha por interesse e não por amor. É um estigma que tem a ver com o facto de a sociedade ser ainda muito conservadora. Vai levar gerações a passar." Nuno Reis, 42 anos, é há cinco namorado de Ana Salazar, de 75. E se decidiram, como ela diz, "não camuflar a relação", a sua regra tem sido a reserva: "Sempre que os jornalistas me fazem perguntas sobre a Ana tento remeter para o trabalho. Mas nunca é demais falar sobre a pessoa que ela é, cheia de invulgaridades. E tem graça dar esta entrevista agora, porque foi em março de 2012 que a relação se iniciou." Diz o dia exato e conta que estava a trabalhar há meses com a criadora de moda, como motorista e segurança, quando foram jantar. "De repente ficámos muito próximos."

Como Luís, Nuno diz nunca ter pensado muito na questão da idade. "Mal nos conhecemos tivemos uma relação muito cúmplice. Partilhamos uma série de características e interesses. E às vezes, como sou muito mais calmo, parece que sou o mais velho." Ana concorda: "O Nuno muitas vezes diz que a minha maneira de pensar e de resolver as coisas é mais jovem do que a dele. E de uma forma geral sempre me dei com pessoas mais novas. Nunca consegui dar-me com gente da minha idade, não encontro pontos em comum."

Já Nuno, que no discurso refletido e na voz serena contrasta com o tom sempre titilante de Ana, é ao contrário: "Sempre me dei melhor com pessoas mais velhas. No comportamento e intelectualmente nunca me identifiquei com as da minha idade." E testemunha sobre o espírito jovem da namorada: "Não tem medo de experiências novas, gosta muito de conhecer sítios novos, gastronomias diferentes.. É impossível ficar o dia todo em casa, precisa de fazer coisas, de sair. Vamos muito ao cinema, gostamos muito de passear e viajar... Fazemos exercício juntos de vez em quando. E gosto muito de cozinhar, cozinho para ela."

Na sua família, assevera, não houve problemas: "Compreenderam bastante bem e as pessoas com quem me dou sempre aceitaram." Ainda assim, reconhece que os dois debateram o assunto, "também por causa da imagem da Ana, por ser conhecida. Mas ela é uma mulher muito forte. E carrega nela a carga histórica de alguém que em vários momentos ao longo do tempo ajudou a mudar mentalidades, a forma como as mulheres se vestiam e se comportavam." Sorri: "Costumamos rir ao lembrar que quando ela abriu a primeira loja nem sequer era nascido."

Ana reflete: "Sempre fui uma pessoa controversa, é mais uma coisa controversa. Sim, as pessoas olham e comentam, apesar de não ousarem dizer diretamente. Aceitam muito melhor um homem mais velho com uma mulher mais nova. Acham que o homem tem dinheiro e arranjou ali uma coisa - como se ela fosse um objeto, não um ser humano. Se for ao contrário acham sempre que é um gigolô. Nunca encaram como uma relação de iguais." Ainda assim, não pôs a hipótese da clandestinidade: "É uma coisa pública e falo de tudo, sou um livro aberto."

A certa altura, porém, decidiram ir cada um para o seu lado - terá tido a ver com as tais influências exteriores que o namorado referiu: "Mas ao fim de três meses ele veio ter comigo e voltámos a encontrar-nos." Foi, comenta Nuno, "uma espécie de prova. Percebemos que gostamos muito um do outro".

"Nunca tive uma relação sexual tão rica"

"Costumo dizer-lhe: "O problema maior que vais ter é que vou morrer antes de ti e vai ser chato." E ele diz que vamos ser velhinhos e vamos estar a discutir que CD vamos pôr." Antonieta, 64 anos, tradutora, atriz amadora, tem há quatro uma relação com Pedro, de 48. Viúva há um ano, achava que nunca mais se ia interessar por ninguém quando uma amiga comum os apresentou. "Houve logo uma química. Ao princípio foi uma aventura, pensava "isto há de ser bom enquanto durar". Mas ao fim de uns sete, oito meses percebemos que não era só um affaire. Tenho três filhos e três netos e falei com eles. À neta mais velha, com 18 na altura, perguntei o que achava de me ter apaixonado por um homem pouco mais velho do que o pai dela. A miúda retorquiu: "E então, estás bem?"" Ninguém na família, assegura, fez cara feia. Nem sequer a mãe dele, cuja reação Antonieta mais temia.

Se as pessoas reparam? "Reparam. Às vezes comentam, olham, percebe-se. Há muito preconceito ainda na sociedade. Mas não me pesa, não me preocupo muito com as bocas do mundo, sou descontraída. E com o passar do tempo vão-se habituando. Damo-nos com outros casais que são mais da minha idade e já não lhes faz diferença alguma." Embora, lembra, no início tenha havido pessoas que disseram ao namorado: "Há tantas miúdas atrás de ti, porque andas com essa?" Porque, explica com orgulho, "ele é uma excelente figura, é um homem giro. E ele respondia: "É desta que eu gosto."" Pedro, que preferiu não falar com o DN, diz a Antonieta que gosta muito de estar com ela porque é "já muito crescidinha": "Quase não discutimos, adaptámo-nos muito bem um ao outro. E não vivemos juntos permanentemente. É uma relação muito livre. As relações desgastam-se muito com o frete do quotidiano."

E medo do fim do desejo, há? A voz rouca, sexy, de Antonieta não hesita na resposta. "Acho que nunca tive uma relação sexual tão rica como esta. A nossa química foi muito forte logo no início e depois disso o amadurecimento da relação trouxe-nos uma vida sexual fantástica. E isso não me preocupa sequer, não me assombra a ideia de que ele possa deixar de me desejar."

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