Sindicatos preocupados com cortes. UGT quer ouvir Costa

Venda ao Lone Star pode implicar mais despedimentos do que o previsto. Carlos Silva critica primeiro-ministro por não explicar nem dar "palavra de conforto" aos trabalhadores

Os trabalhadores do Novo Banco estão preocupados e o primeiro--ministro tem de falar sobre a sua situação. Quem o defende é Carlos Silva, secretário-geral da UGT e bancário na instituição cuja venda ao Lone Star foi assinada sexta-feira. "António Costa não disse uma única palavra em relação aos trabalhadores, e devia tê-lo feito porque é essa a responsabilidade do governo. Estamos na penumbra, precisamos de saber mais." Os funcionários temem que os norte-americanos imponham mais cortes além dos previstos no plano de reestruturação do banco. A segunda fase do plano de redução, que deverá estar concluído até 30 de junho, implica o corte da rede de balcões para 475 agências, face às atuais 536, e a saída de mais 358 trabalhadores.

Fontes parlamentares, porém, confirmaram ao DN a informação avançada a meio da semana pela Rádio Renascença, segundo a qual a venda do Novo Banco ao Lone Star poderá implicar o encerramento de mais 55 dependências e o despedimento de mais 400 trabalhadores, além dos previstos no plano inicial. A informação foi transmitida aos deputados pelo governo na passada terça-feira, dia em que António Costa anunciou publicamente que o negócio com o Lone Star estava a dias de ficar concluído.

Os últimos números oficiais do Novo Banco mostram que, entre setembro de 2015 e setembro do ano passado, a atividade doméstica perdeu 940 trabalhadores, e mais 376 nas atividades internacionais. No final de setembro do ano passado, o Novo Banco contava com 5714 trabalhadores em Portugal e 418 no estrangeiro, tendo na altura uma rede de 556 balcões no país, que entretanto já diminuiu para 536, segundo os dados disponíveis no site oficial. Alargando a todo o setor, só no ano passado saíram 2 mil trabalhadores dos bancos portugueses.

"Identificámos um conjunto de pressupostos que dão a entender que houve preocupação por parte do governo para manter o banco no rumo da viabilidade económica", afirmou Carlos Silva, ao DN/Dinheiro Vivo, lamentando a "ausência de uma palavra de conforto" vinda de António Costa. Para o sindicalista, ele próprio funcionário do Novo Banco, "as preocupações mantêm-se", porque "já saíram 1300 trabalhadores no ano passado depois daquela negociação esquisita com Bruxelas, e quando não se fala é porque está tudo bem ou então não está nada bem".

Sobre os termos do negócio com o fundo norte-americano, Carlos Silva afirma que "a estabilidade é importante" mas tem dúvidas sobre "se esta venda foi a melhor solução". Considera porém que "a participação do Fundo de Resolução parece uma jogada inteligente", destaca, numa referência aos 25% de capital do banco que se mantêm nas mãos do Estado.

A venda do Novo Banco ainda precisa da aprovação formal de Bruxelas. Apesar de uma oposição inicial à participação do Fundo de Resolução no capital do banco, Bruxelas não deverá apresentar entraves ao negócio. Logo após o anúncio do acordo, a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, "congratulou-se" com a assinatura do acordo. Bruxelas adiantou ainda que "os serviços da Comissão irão agora contactar Portugal e o comprador sobre os detalhes do plano final de reestruturação do Novo Banco. Este plano deverá ser apresentado à Comissão para que a venda seja formalmente aprovada ao abrigo das regras comunitárias em matéria de auxílios estatais".

Para que o negócio seja concluído com sucesso é ainda necessário que os titulares de obrigações sénior do banco troquem esses títulos por obrigações subordinadas, associadas a maior risco. Em caso de falência da instituição, estes investidores são os últimos a ser reembolsados. Esta operação deve permitir "gerar pelo menos 500 milhões de euros de fundos próprios", segundo explica o Banco de Portugal. Ou seja, deve servir para reforçar o capital do Novo Banco.

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