PS acusa PSD/CDS de "intolerável" exploração da tragédia para fins políticos

Ana Catarina Mendes

Acusações foram feitas depois de o PSD ter feito um ultimato ao Governo para que divulgasse no prazo de 24 horas lista das vítimas

O PS acusou hoje PSD e CDS de estarem a fazer um "intolerável" aproveitamento político-partidário "da tamanha tragédia" ocorrida no incêndio de Pedrógão Grande, considerando mesmo que os sociais-democratas atingiram "o grau zero" do sentido de Estado.

Estas acusações foram feitas em conferência de imprensa pela secretária-geral adjunta dos socialistas, Ana Catarina Mendes, depois de o PSD ter feito um ultimato ao Governo para que divulgasse no prazo de 24 horas, que terminou hoje, a lista de vítimas do incêndio que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

Perante os jornalistas, Ana Catarina Mendes considerou "que caiu a máscara ao PSD", sendo "inaceitável o aproveitamento político-partidário que está a fazer com tamanha tragédia humana que se viveu - e se vive ainda - em Pedrógão Grande".

"O PS não pode por isso deixar de condenar veementemente a forma como a direita, em particular o PSD, tem tentado explorar politicamente esta tragédia. É intolerável e significa que o PSDatingiu o grau zero do seu sentido de Estado", afirmou a "número dois" da direção dos socialistas.

Ana Catarina Mendes referiu-se depois às mais recentes posições assumidas pelos sociais-democratas no parlamento, considerando que "o surrealismo da atuação do PSD foi mesmo ao ponto - imagine-se - de fazer um ultimato ao Governo para que violasse o segredo de justiça".

"É inaceitável e verdadeiramente lamentável a insinuação que está por trás de toda esta tentativa de barragem mediática do PSD e do CDS, segundo a qual o Governo estará a esconder o verdadeiro número de vítimas da tragédia de Pedrógão Grande", disse, deixando neste ponto um desafio aos dois partidos da oposição.

De acordo com a secretária-geral adjunta do PS, "se o PSD e o CDS-PP têm alguma prova dessa situação, terão que a apresentar pública e rapidamente".

"Caso contrário, não é inadmissível dar azo à especulação e à insegurança, que, afinal, é o único objetivo de toda esta lamentável encenação política. Não vale tudo, não pode valer tudo em política", frisou Ana Catarina Mendes.

Para a secretária-geral adjunta do PS, a atuação do PSD e do CDS-PP em relação à lista dos mortos do incêndio de Pedrógão Grande "assenta ainda na indignidade de se achar que a tragédia humana vivida pelas famílias atingidas seria maior ou menor se houvesse mais ou menos mortos".

"O PS entende que toda a vida humana é um valor absoluto. O PSDe CDS-PP estão sem rumo e tomados pelo mais absoluto populismo. Na sua desesperada tentativa de conquistar votos, ou fazer aproveitamento político, não hesitam em procurar semear a desconfiança dos cidadãos nas instituições do Estado de Direito democrático, levando tudo o que aparecer à frente, como se tem visto nos últimos dias e últimas semanas: A Proteção Civil, as Forças Armadas e agora a Justiça", sustentou Ana Catarina Mendes.

Numa alusão à controvérsia em torno da divulgação ou não da lista de vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, a secretária-geral adjunta do PS defendeu que "a justiça está a fazer o seu trabalho" e que na Assembleia da República, por unanimidade, foi aprovada uma comissão técnica independente "para averiguar tudo o que se passou".

"Este é o tempo para deixar trabalhar as entidades competentes", acrescentou.

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