Institutos da direita ganham novo fôlego para debater ideias

Diogo Feio, da comissão política naiconal do CDS, assumiu a presidência do Instituto Adelino Amaro da Costa esta semana. Quer envolver mais as universidades

O Instituto Francisco Sá Carneiro e o Instituto Adelino Amaro da Costa, ligados ao PSD e ao CDS, querem aprofundar os estudos sobre os grandes temas da atualidade política

A direita, ou centro-direita, quer encontrar novos espaços de intervenção, análise política e formação ideológica dos seus quadros. Do lado do PSD, o Instituto Francisco Sá Carneiro (IFSC) e, pelo CDS, o Instituto Adelino Amaro da Costa , Democracia e Liberdade (IDL) estão a ter novo fôlego na dinamização de debates de ideias e abertura a pensadores de quadrantes políticos diferentes.

Diogo Feio, da comissão política nacional do CDS e coordenador do gabinete de estudos do partido, assumiu esta semana a presidência do IDL e tem na agenda um programa intenso de discussões, conferências e almoços-debate. Recebe o DN no seu novo gabinete na sede do Instituto, com as paredes forradas com fotos históricas de Adelino Amaro da Costa (falecido no mesmo acidente de avião onde morreu Sá Carneiro, em 1980): "O IDL pode e vai ajudar os partidos a compreenderem os novos fenómenos políticos e a modernizarem-se para que não criem can-saço aos eleitores. E isso faz-se, penso eu, com uma marcação doutrinal clara, assumindo as coisas sem medo". O próximo debate será sobre as eleições francesas e terá como orador o embaixador Seixas da Costa, um socialista. "Quando um candidato ganha umas eleições assumindo que é favorável à globalização e à Europa e a um conjunto de coisas que muita gente anda a pôr em causa, isto demonstra que a formação de ideias sólidas nessas áreas são relevantes e que institutos como o IDL possam aí ter um papel e ajudar que os partidos possam aproveitá-las", sublinha.

Este dirigente viu nas eleições francesas outro fenómeno a merecer reflexão profunda e atual e que tem que ver com os movimentos de independentes. "Quando temos um candidato presidencial que aparece depois de uma fugaz participação num governo de onde sai em conflito, se apresenta numa lógica de centro - nem esquerda, nem direita - com postura independente e a seguir forma partido para ir às eleições, isto deve-nos também fazer pensar sobre o sistema político português e sobre o papel dos independentes. Veja-se o Porto. Nada disto pode passar ao lado do IDL porque é mais difícil que sejam discutidos do mesmo modo num partido político". Sublinha que o CDS "não tem qualquer complexo com estes movimentos" a que chama de "puros independentes", e "muito saudáveis" para a democracia. "Partidos que não percebam isso vão ter tendência para definhar no plano dos votos."

Objetivo a curto/médio prazo é atrair ao IDL cada vez mais "pensadores" que "não têm de ser de direita, muito menos do CDS". O critério, sublinha, "é apenas que conheçam bem o tema em debate e estimulem a discussão". Diogo Feio gostava também de ter mais pessoas do mundo académico, incluindo estudantes, no IDL. "Não nos peçam para fazer programas de governo, mas contem connosco para ajudar na formação doutrinal de atores políticos", salienta.

Ultrapassar os partidos

No Instituto Sá Carneiro a nova dinamização já começou há quase um ano, com a eleição do pragmático Pedro Reis, ex-presidente da AICEP, em julho de 2016. Um dos seus vice-presidentes e porta-voz, o não menos ativo deputado do PSD Duarte Marques, assinala que "o IFSC quer trazer ao debate pessoas que não participam ativamente na vida política mas que constituem a nossa sociedade civil e que podem encontrar no instituto uma plataforma que politicamente não os compromete e lhes dá espaço, oportunidade e um desafio intenso para contribuírem com as suas opiniões para formar uma agenda mais abrangente, qualificada e de grande profundidade". Neste Instituto "acredita-se que é possível construir ideias e desenvolver políticas de forma menos partidária mas mais transversal. É por isso que já participaram nestas discussões pessoas que são ou foram dirigentes de outros partidos ou movimentos sociais".

Até agora estes debates têm sido "discretos", sem comunicação social, mas a partir do segundo semestre deste ano vão ter início as Conferências Sá Carneiro. Serão "mais alargadas, abertas ao público em geral e ocorrerão em vários pontos do país, algumas vezes em locais mesmo inesperados e inéditos", promete.

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