DGS recebeu 582 queixas de violência contra médicos e enfermeiros

Relatório mostra que notificações estão a aumentar. Em 51 casos houve queixa à polícia. Maioria dos agressores são doentes

As queixas de profissionais de saúde vítimas de violência nos locais de trabalho estão a subir. Segundo o relatório da Direção-Geral da Saúde, em 2015 houve 582 notificações, mais 9,6% do que no ano anterior. Em 51 casos houve queixa feita à polícia. Foram sobretudo enfermeiros e médicos os principais alvos das agressões: a maioria das situações são discriminação/ameaça, injurias e pressão moral. Os agressores são principalmente doentes, mas também há situações em que foram outros profissionais de saúde.

O número de notificações online que tem chegado à Direção-Geral da Saúde (DGS) tem aumentado desde 2007, mas o grande salto foi de 2013 para 2014, quando o número de queixas mais que duplicou. A tendência, mostra o novo relatório Violência Contra Profissionais de Saúde, manteve-se em 2015 (ver infografia). "A informação recolhida pela sua dimensão não nos permite, no entanto, extrapolar para a realidade nacional. Por outro lado, é impossível distinguir se há mais notificações deste tipo de incidentes porque os profissionais estão mais despertos para a notificação ou se há mais casos de violência", salienta a DGS no documento.

Da análise é possível concluir que a maioria da violência acontece nos serviços públicos, mais nos hospitais, logo seguidos dos centros de saúde. Em 551 notificações houve identificação do local onde aconteceu a agressão. Em primeiro lugar estão as consultas externas, seguidas das urgências, serviços de medicina de adultos, internamento de psiquiatria, serviços de atendimento , e administrativos.

De acordo com os dados de 2015, os agressores são sobretudo doentes (307), familiares de doentes (129), profissionais de saúde da unidade de saúde (109) e acompanhantes do doente (19). Quanto ao sexo do agressor, não há grandes diferentes entre homens e mulheres. E à exceção de todos os outros servi-los onde são os doentes os principais agressores, mas consultas dos hospitais "predominam os profissionais de saúde da unidade de saúde como agressores", diz o relatório.

Quanto às vítimas da agressão, a grande maioria (309) são enfermeiros, seguido dos médicos (145). E como é que fizeram a gestão da situação? Solicitaram tratamento, estiveram temporariamente ausentes do serviço, receberam apoio, fizeram declaração de acidente de trabalho e deram origem a uma investigação. De salientar que "423 notificações referem que a violência é habitual na unidade de saúde" e "346 referem que o episódio de violência poderia ter sido prevenido". A mesma notificação pode referir os dois casos, razão pela qual a soma é superior ao total de notificações.

Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) acredita que o número de notificações registadas na DGS não reflete o que se passa na realidade e não estranha que sejam os enfermeiros os principais alvos de violência. "Os tempos de espera são longos, há falta de material como temos denunciado, os enfermeiros são poucos nos serviços. São os primeiros a receber as pessoas. Em 2015 é bom não esquecer que as condições económicas das pessoas eram diferentes, a perspetiva de futuro era menor, os cortes na saúde foram substanciais. As pessoas já iam tensas e que lá estavam também", refere.

Ao sindicato também chegam queixas de agressões como a de um enfermeiro que foi agredido num centro de saúde por um utente que queria receber metadona. "Colocou baixa porque o que acontece depois é o receio. Há um misto de revolta e de alguma culpabilização da vítima", diz Guadalupe Simões, que fala também na violência exercida entre profissionais. "Para nós retirar direitos para obrigar a não ter horário flexível por causa de filhos menores é uma agressão. Em algumas unidades de saúde familiar há pressão para os enfermeiros fazerem 40 horas quando o horário é de 35. Gera tensão entre os colegas e isso também se reflete no atendimento."

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