A maldosa insinuação

Na sessão pública de apresentação de contas da Sonae, o Dr. Paulo Azevedo decidiu regressar ao tema da OPA da Sonae sobre a PT para dizer, no essencial, "que estavam todos feitos". Não sei a quem é que o Dr. Paulo Azevedo se queria referir mas , no que me respeita, esta declaração constituiu uma grave e maldosa insinuação que desejo indignadamente repudiar. O governo da altura assumiu uma posição de estrita imparcialidade nem contra nem a favor da OPA. Essa posição foi por várias vezes transmitida ao Dr. Paulo Azevedo, em particular nas reuniões em que a administração da Sonae tentou persuadir o governo a apoiar a OPA. Foi-lhe comunicado que não havia nenhum motivo de interesse público que pudesse justificar tal atitude. Essa posição de neutralidade estendeu-se à Caixa Geral de Depósitos, a cuja administração foi comunicada total liberdade - a sua posição deveria resultar do que fosse considerado o seu melhor interesse. O Conselho de Administração da mencionada instituição votou e decidiu com total autonomia. Alguns dias antes da assembleia geral da PT, o Dr. Paulo Azevedo fez-me um derradeiro telefonema solicitando-me que o governo revisse a sua posição no sentido de dar orientações expressas à Caixa para apoiar a referida OPA. Respondi-lhe que o governo não o faria e que se manteria fiel à sua conduta inicial de estrita neutralidade. Dei conta desse telefonema ao Sr. Ministro da tutela. É portanto indesculpável que alguém que tentou em várias ocasiões convencer o governo a ser apoiante da sua iniciativa empresarial se permita fazer insinuações que o próprio sabe serem falsas. E, mais grave ainda, fazê-las num quadro de suspeitas judiciais absurdas e infamantes. O governo nunca esteve feito com ninguém. Nem com o Dr. Paulo Azevedo.

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