O deputando independente Gil Canha (ex-PND) disse que "os ideais do 25 de Abril infelizmente teimam em não chegar à Madeira" que continua a ser governada por uma "oligarquia" mais "macia, mais polida e mais aveludada", acrescentando que o jardinismo [regime de Alberto João Jardim que governou 37 anos a Madeira] e "os velhos hábitos e vícios continuam de pedra e cal".."Miguel Albuquerque não quer mudar nem alterar nada porque está comprometido com os grandes grupos económicos", referiu, sustentando que "a serpente mudou a pele, mas continua a ser a mesma serpente cuidando zelosamente do seu ninho e dos seus ovos" enquanto o povo, para sobreviver, "come macarrão e chouriço"..O deputado do BE Roberto Almada lembrou que "cumprir abril não é apenas permitir a sua comemoração," mas "governar para o povo, resolver os problemas da população sacrificada pelas políticas que empobreceram milhares de madeirenses e porto-santenses e devolver os rendimentos roubados e garantir o mínimo indispensável para uma vida digna", algo que "este governo regional revela-se incapaz de fazer"..Roberto Almada enviou um "abraço solidário" aos "conterrâneos emigrados" na Venezuela, manifestando também a sua "indignação" pela "falta de medicamentos na Madeira" porque "não é só na Venezuela que eles faltam"..A deputada do PCP/Madeira Sílvia Vasconcelos colocou a tónica do seu discurso nos problemas do "agravamento da pobreza" e da precariedade laboral no arquipélago, sobretudo depois do programa de ajustamento económico e financeiro da região celebrado em 2012..Segundo a parlamentar comunista insular, "a realidade da pobreza tem dado azo somente a políticas assistencialistas, quais aspirinas" e não houve "empenho político para alterar a situação", nem para a sua erradicação..A deputada do PS Sofia Canha evocou Mário Soares "uma das mais importantes e emblemáticas figuras públicas da construção da democracia", lembrando que "este é o primeiro ano em que não participa nas comemorações desta data de viragem política da história de Portugal"..A parlamentar socialista apontou que o 25 de Abril "fez-se de memórias e de sonhos" e sublinhou que a autonomia política da Madeira e dos Açores "deve-se ao momento libertador" da revolução..Quanto à deputada Patrícia Spínola (JPP) considerou que "será Abril quando formos apenas e só portugueses", defendendo que "o princípio da continuidade territorial deve ser respeitado a todos os níveis", deixando de existir o conceito dos residentes das "ilhas adjacentes"..A parlamentar sustentou ser "necessário cultivar e implementar o diálogo democrático, a tolerância", vincando que "hoje mais do que uma Revolução dos Cravos, aguarda-se por uma revolução de mentalidades", pois "a muitos, custa aceitar a emergência de novas forças políticas" e existe "uma política lesiva das autarquias locais" devido à sua cor política..O líder do grupo Parlamentar do CDS/PP, Rui Barreto, sublinhou, por seu lado, que "cidadania", "responsabilidade" e "verdade" são "três palavras chave" do 25 de abril de 1974.."É fundamental, em primeiro lugar, que os cidadãos exerçam a cidadania da forma que o 25 de abril permitiu", disse, observando que "prometer aquilo que não se pode ou não se tenciona não é o caminho certo"..A deputada da bancada da maioria no parlamento madeirense, a social-democrata Vânia Jesus defendeu serem necessárias "várias revoluções" e criticou aqueles partidos que "exaltam os valores de Abril" mas acabam por "branquear o desrespeito e a violação dos direitos básicos" de povos como o da Venezuela.."Não teremos que ter uma nova revolução como o 25 de Abril de 1974, mas direi que a falta de valores, de comprometimento por um Portugal mais moderno, mais livre e mais desenvolvido, leva a que sejam precisas várias revoluções" declarou..No seu entender é preciso "uma nova revolução na ação política" e apontou vários aspetos em que esta se tem vindo a efetuar na Madeira para "a defesa do aprofundamento gradual e progressivo da autonomia" regional.."Vamos continuar a revolução para que a solidariedade do Estado se efetive verdadeiramente às áreas sociais, económicas, financeiras, sem quaisquer situações discriminatórias negativas com a Região Autónoma da Madeira face ao restante território nacional", vincou..José Manuel Coelho, depois de ter provocado a interrupção dos trabalhos, abandonou a sessão.