Bava e Granadeiro são suspeitos de receber luvas de Ricardo Salgado

Ex-gestores da PT são os novos arguidos no processo de José Sócrates

O Ministério Público suspeita que além de José Sócrates também Zeinal Bava e Henrique Granadeiro terão recebido luvas do Grupo Espírito Santo para acautelar os interesses deste na antiga Portugal Telecom (PT). Só Bava é suspeito de ter recebido 18 milhões de euros, que o antigo presidente da comissão executiva da PT diz terem sido um empréstimo, entretanto devolvido. Ontem, os dois antigos gestores da empresa foram constituídos arguidos pelos crimes de corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais na Operação Marquês, que já conta com 22 arguidos.

Nos últimos meses, a investigação do processo tem concentrado as suas atenções nos maiores negócios da PT desde 2006, primeiro com a OPA lançada pela Sonae à operadora, depois com a venda de uma participação da empresa brasileira Vivo à espanhola Telefonica e posterior compra de uma posição no capital de outra empresa de telecomunicações brasileira, a Oi.

Desde o ano passado que os investigadores suspeitam que do chamado saco azul do GES, a ES Enterprises, saíram milhões de euros para pagamentos de luvas. Tal suspeita começou com o facto de 12 milhões de euros transferidos de Hélder Bataglia para Carlos Santos Silva, amigo de José Sócrates e arguido no processo, terem tido origem na tal ES Enterprises. Bataglia, também arguido, terá contado aos investigadores que foi o próprio Ricardo Salgado, ex-presidente do BES e arguido na Operação Marquês, quem lhe pediu para realizar as transferências.

Com a rota da investigação dirigida para a PT, o procurador Rosário Teixeira e o inspetor tributário Paulo Silva realizaram, em julho do ano passado, buscas às casas de Bava e de Granadeiro. Na casa do primeiro foi apreendido um recibo de quitação de 18 milhões de euros à ES Entreprises, precisamente o valor que, segundo Zeinal, lhe foi emprestado.

Através do seu advogado, o antigo presidente executivo da PT pediu a devolução do "valioso documento", dizendo ser a única prova de que devolveu o dinheiro. Quanto a Granadeiro, desconhece-se qual o valor em causa para lhe ter sido imputado um crime de corrupção passiva.

Entre os arguidos no processo Operação Marquês estão ainda a ex-mulher de Sócrates Sofia Fava, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira, Rui Mão de Ferro. O Ministério Público espera fechar a investigação da Operação Marquês em meados de março. Isto mesmo foi garantido pela procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.

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