Polícias que mataram homem negro não vão a julgamento

Alton Sterling

Alton Sterling estava imobilizado quando foi baleado e a sua morte, que foi filmada, gerou grandes protestos.

O Departamento de Justiça norte-americano decidiu não acusar de nenhum crime os dois agentes da polícia que mataram um homem negro em julho do ano passado, segundo o Washington Post. Alton Sterling, de 37 anos, estava a vender CD's no parque de estacionamento de uma loja quando foi imobilizado e baleado pelos agentes em Baton Rouge, Luisiana.

Esta é a primeira vez desde que Jeff Sessions tomou posse como procurador-geral que o departamento de justiça norte-americano recusa levar a julgamento agentes da polícia que estão a ser investigados por ações inapropriadas. Os agentes Blane Salamoni e Howie Lake II foram suspensos com direito a salário após o tiroteio.

A decisão ainda não tinha sido anunciada à família quando foi divulgada pelos meios de comunicação, esta terça-feira. A CNN avança que nem os advogados de Sterling, nem o governador do Luisiana, nem o autarca de Baton Rouge foram informados desta decisão.

Segundo a BBC, várias pessoas reuniram-se, na noite passada, à porta da loja de conveniência onde Sterling morreu

A morte de Alton Sterling, a 5 de julho, aumentou a tensão racial nos Estados Unidos, que já enfrentava uma vaga de protestos devido à morte de outras pessoas negras às mãos das forças das autoridades.

As manifestações ganharam outra dimensão porque o vídeo que mostrava Sterling a ser morto foi divulgado na internet e tornou-se viral.

A cena foi filmada por uma testemunha e revelou que Sterling estava deitado no chão e que um dos agentes tinha o joelho sobre o seu peito quando foram disparados três tiros.

Nos protestos do movimento Black Lives Matter - que pede o fim da violência policial contra os negros - que se seguiram em Baton Rouge foram presas cerca de 200 pessoas, de acordo com a BBC.

No dia a seguir à morte de Sterling, um homem negro de 32 anos foi morto pela polícia em Falcon, estado de Minnesota. A morte de Philando Castile foi emitida em direto para o Facebook pela namorada, que estava no carro um Castile quando os dois foram parados numa operação Stop.

A tensão racial só aumentou e, na mesma semana, cinco polícias foram mortos em Dallas. O ataque foi realizado por um homem negro que queria matar pessoas brancas. Menos de uma semana depois, três agentes da polícia foram mortos em Baton Rouge.

Esta semana, a violência policial nos Estados Unidos voltou a ser notícia após um jovem negro de 15 anos ter sido morto por agentes no estado do Texas. Jordan Edwards estava num carro com o irmão e amigos quando foi baleado, no sábado.

Segundo a BBC, Edwards estava no banco do passageiro da frente do carro quando foi alvejado pelo agente Roy Oliver. Na altura, o polícia disse que disparou porque o carro estava a avançar "agressivamente" na sua direção mas, após ver um vídeo do momento admite que se expressou mal.

O vídeo mostra que o carro onde Jordan seguia estava a ir na direção oposta à do polícia. O agente Roy foi despedido por violar as normas do departamento e a morte de Edwards foi declarada um homicídio.

Segundo um projeto especial do jornal The Guardian, 1092 pessoas foram mortas pela polícia nos Estados Unidos em 2016.

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