Série do Panda Biggs considerada imprópria para crianças mais novas

Shin Chan vai passar só depois das 22.30, por ter um "tipo de humor" que "pode ser de difícil descodificação para o público infantil"

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) considerou a série Shin Chan, que passa em Portugal no canal Panda Biggs, um conteúdo pouco adequado a crianças mais novas e determinou que estes desenhos animados japoneses só devem passar na televisão depois das 22.30.

A deliberação da ERC surge depois de mais de uma centena de queixas, algumas referindo preocupações com abusos sexuais ou pedofilia. Na origem de muitas das participações, uma parte significativa com origem num blogue, outras reencaminhadas pelo Instituto de Apoio à Criança ou pela Secretaria Geral do Ministério da Saúde, esteve uma cena de um episódio que passou em novembro.

A cena é descrita desta forma na participação da Ordem dos Enfermeiros: "duas personagens vestidas como enfermeiras, no âmbito de uma unidade de saúde, realizam um exame ao ânus da personagem principal - uma criança de 5 anos, de nome Shin Chan - exame que passa por penetração com os dedos e sugestão de penetração com objetos, acompanhado de comentários sobre a alegada perfeição do ânus e imagens e sons de sofrimento da mesma criança". Para a Associação Projeto Criar, a cena mostra um rapaz menor de idade a ser "sexualmente abusado por três enfermeiras adultas" e tem "caráter pornográfico".

O canal Panda Biggs, por outro lado, argumenta que os queixosos não viram o episódio completo e, portanto, descontextualizam a cena, que se passa numa história em que o pai da personagem principal, Shin Chan, é operado às hemorroidas. Sublinha ainda que "esta é uma série extremamente popular e de enorme audiência, que pretende entreter e divertir o público, um público infanto-juvenil" e que "está em exibição no canal há bastante tempo, sem que tenha havido qualquer registo de reclamações".

A série japonesa de anime foi lançada em 1992, adaptando uma popular banda desenhada, e conta com mais de 800 episódios, traduzidos em mais de 30 línguas. Shin, o protagonista, é muitas vezes chamado de o Bart Simpson japonês por ser muito traquina.

A animação japonesa, reconhece a ERC, tem "como característica mais marcante o seu tom humorístico". O regulador assinala que a classificação etária varia de país para país, sendo que na Holanda, por exemplo, está indicada para crianças com mais de seis anos, enquanto nos Estados Unidos apenas para maiores de 14, um facto que "alerta imediatamente o operador para a grande possibilidade de esta série conter cenas que não são adequadas para o público infantil, sendo uma série de anime destinada sobretudo a adolescentes".

No entanto, na deliberação, a ERC deixa claro que a "cena que motivou as participações não pode ser considerada como pornográfica, uma vez que não representa atos sexuais, nem tem como propósito excitar o telespectador". Mas admite que "o tipo de humor que caracteriza a série Shin Chan pode ser de difícil descodificação para o público infantil" e portanto remete a série para horários depois das 22.30, em que é "menos provável que as crianças mais novas" assistam à série.

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