Família de David Bowie leiloa coleção de arte por falta de espaço

Em novembro, 400 peças da coleção privada do músico, desaparecido em janeiro, vão à praça. Hoje, mostra-se em Nova Iorque.

David Bowie assumia: era viciado em arte. "Tem sido sempre um alimento estável. Uso-a". Sabia-se que tinha uma vasta coleção, mas só depois da sua morte, a 11 de janeiro, se percebeu a sua dimensão total. Uma parte - 400 peças - será leiloada, em Londres, em Novembro, na Sotheby"s.

A família afirma ao The Guardian que vende por não ter espaço suficiente para a guardar. O músico gostava de mostrar as suas obras e fomentava os empréstimos. A partir de hoje, uma parte pode ser vista pelo público em Nova Iorque, a cidade onde vivia, na exposição Bowie/Collector, organizada pela leiloeira.

Arte contemporânea e design são as grandes categorias. Os especialistas da Sotheby"s Bryn Sayles e e Simon Hucker, curadores da exposição, salientam que as obras escolhidas acentuam o ecletismo do músico. E mostram a sua ligação a Inglaterra. Muitos artistas britânicos estão na coleção.

Alguns dos nomes remetem para colaborações antigas de Bowie, como Damien Hirst, de outros conhece-se a reação de Bowie quando viu as suas obras pela primeira vez. "Meu Deus, sim. Quero que a minha música soe como aquele quadro se vê", disse, a propósito das pinturas densas, quase esculturas, do britânico de origem alemã Frank Auerbach. Em 2001, por ocasião de uma retrospetiva do trabalho deste artista na Real Academia das Artes, em Londres, emprestou de forma anónima uma peça fundamental - o retrato de Gerda, prima do pintor.

"Arte foi tudo o que sempre quis", afirmou Bowie numa entrevista ao The New York Times, com data de 1998. Desconhece-se, porém, em que altura o músico começou a colecionar obras de arte de forma sistemática. Calcula-se que terá sido nos anos 90. Nessa época, pertencia ao conselho da revista Modern Painters e ajudou a editora 21, especializada na publicação de livros de arte. "Escreveu extensamente sobre artistas. Foi crítico e patrono", diz Bryn Sayles ao LA Weekly, a propósito da passagem da exposição por Los Angeles.

11,5 milhões de euros é o resultado que a leiloeira Sotheby"s estima alcançar com a venda da coleção de David Bowie

Sabe-se também que depois de interpretar Andy Warhol no biopic Basquiat, do realizador Julian Schnabel (1996), David Bowie, antigo estudante de arte e design industrial, começa a colecionar as obras do pintor afro-americano. Uma delas, Airpower, deverá atingir um dos valores mais altos deste leilão: 3,5 milhões de libras, isto é, 3,4 milhões de euros.

Recebia conselhos de compradores de arte, mas as peças que foi adquirindo são fruto do seu gosto pessoal, frisa Hucker. "O que é realmente interessante nesta coleção é que temos uma perspetiva realmente pessoal dele".

Peças de mobiliário

Além da pintura, Bowie foi um ávido colecionador de mobiliário. Uma das peças que sobressai é o sistema de som Brionvega, de 1965, da autoria de Pier Giacomo e Achille Castiglioni - um exemplar dos anos 60 que ainda era usado, e bem usado. "Adaptou-o para poder usar o iPhone também", explica Sayles. A base de licitação começa em 925 euros. É uma das várias peças ligadas ao som que se podem ver na exposição.

Em matéria de design, Bowie é um fã dos anos 80. Cores e brilhos. "Ele era impassível à popularidade ou o que era considerado bom gosto", diz Hucker. Possuía uma bem nutrida coleção de peças do grupo de Memphis. Uma estante Casablanca de Ettore Sottsass está na exposição e vai a leilão. A Sotheby"s estima que será arrecadada por um valor entre os 4600 e quase 7 mil euros. As 100 peças de mobiliário que vão a leilão deverão chegar aos 115 mil euros.

O elevado número de peças que vão à praça obrigam a Sotheby"s a três vendas (ao vivo e online), a 10 e 11 de novembro - duas de arte contemporânea e uma de design. O leilão acontece na sede da leiloeira, na Bond Street, em Londres, e é precedido pelo lançamento do catálogo, também ele disponível para compra (127 euros).

A coleção reunida por Bowie não se esgota aqui. "Apesar de a família manter algumas peças de particular significado pessoal, chegou o momento de dar aos outros a oportunidade de apreciar - e adquirir - a arte e objetos que ele tanto amava". O que justifica que, além de Nova Iorque, onde a seleção de peças fica até dia 29, ainda viaje até Hong Kong para mais uma mostra, entre 12 e 15 de outubro, antes de ser exibida ao público por inteiro em Londres, a partir de 1 de novembro e até ao dia do leilão.

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