Os testículos dos carteiros franceses, os micróbios do dinheiro e outras bizarrias

Há os prémios Nobel. E há os Ig Nobel, que distinguem as descobertas científicas mais bizarras do ano. Um deles foi para um estudo sobre os testículos dos carteiros franceses. Mas há outros igualmente estranhos.

Todos os anos por esta altura, um mês antes de serem conhecidos os Prémios Nobel, a sua versão divertida, os Ig Nobel, fazem furor. E este ano, com o anúncio dos premiados esta quinta-feira, não foi exceção.

Entre os vencedores, cujos estudos têm que cumprir rigor científico, estão os autores de um trabalho que pretendeu verificar se existe alguma diferença de temperatura entre os dois testículos.

Para avaliar a importante questão - é mesmo, porque a temperatura dos testículos está diretamente relacionada com a fertilidade -, os investigadores franceses Roger Mieusset e Bourras Bengouglia escolheram uma população masculina muito específica: os seus compatriotas carteiros. Os dois autores compararam depois os dados com os que tiveram igualmente de recolher junto de um grupo de motoristas - também franceses.

O estudo, que foi publicado no Journal of Human Reproduction, concluiu que há diferença, sim senhor: o testículo esquerdo tem geralmente uma temperatura mais alta em relação ao direito, mas apenas quando os carteiros estão vestidos - e os motoristas também.

Feita a prova dos nove, resta agora saber que implicações pode este estudo justamente premiado com um Ig Nobel dar à ciência da fertilidade masculina.

Estes prémios, que são promovidos pela revista de ciência e humor Annals of Improbable Research, em colaboração com a Associação Harvard-Radcliffe de Ficção Científica e a Sociedade Harvard-Radcliffe dos Estudantes de Física, dos Estados Unidos, distinguiram também outros estudos igualmente estranhos, e quase sempre divertidos.

Entre eles está o de um grupo de investigadores holandeses e turcos que passou a pente fino as notas de banco de inúmeros países para perceber qual era o dinheiro mais repugnante, ou seja, com mais micróbios. Segundo os seus resultados, são as notas romenas as que mais devem ser evitadas, tal a quantidade de agentes patogénicos que têm agarrados, incluindo três bactérias resistentes a antibióticos.

Porquê? Os investigadores explicam: as notas de banco da Roménia são fabricadas com um tipo especial de polímero que tem uma maior capacidade de reter os micro-organismos.

Entre os trabalhos este ano dignos dos Ig Nobel, que foram entregues por premiados com o Nobel numa cerimónia divertida e séria ao mesmo tempo, figuram ainda uma patente de uma máquina de mudar fraldas, um estudo que mostra que um método de treino de cães, chamado clicker training, também é eficaz no treino de médicos-cirurgiões, ou ainda um estudo de um cientista italiano que mostra que o consumo de pizza evita várias doenças crónicas - pelo menos, em Itália.

Os vencedores receberam no conjunto de todos os prémios um total de 10 biliões de dólares do Zimbabué - feitas as contas, é quase nada.

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