Regulador lança alerta contra o uso de sangue jovem como tratamento médico

As infusões de plasmas de dadores jovens estão a ser apresentadas como solução para problemas de saúde mas as autoridades norte-americanas advertem que há riscos grandes e não há benefício clínico comprovado.

A Food and Drug Administration (o regulador para a segurança alimentar e de medicamentos dos EUA) alertou esta terça-feira contra o uso de infusões de plasma de dadores de sangue jovens para afastar os efeitos do envelhecimento normal, bem como para outras condições mais graves como a demência. O plasma, a parte líquida do sangue, contém proteínas que ajudam a coagular o sangue, adverte a FDA.

As infusões estão a ser promovidas para tratar uma variedade de casos, incluindo envelhecimento e perda de memória, bem como condições graves como demência, esclerose múltipla, doença cardíaca e transtorno de stress pós-traumático.

"Não há benefício clínico comprovado da infusão de plasma de dadores jovens para curar, mitigar, tratar ou prevenir essas condições, e há riscos associados ao uso de qualquer produto de plasma", escreveu o comissário da FDA, Scott Gottlieb, em comunicado. "Os usos relatados desses produtos não devem ser considerados seguros ou eficazes", acrescentou o médico, observando que a FDA desencoraja "fortemente" os consumidores de usar essa terapia "fora dos ensaios clínicos, sob o conselho de revisão institucional apropriado e supervisão regulamentar".

Gottlieb disse que "um número crescente de clínicas" está a oferecer plasma de dadores jovens e terapias semelhantes, embora não tenha mencionado nenhuma em particular.

Gottlieb escreveu ainda: "Simplificando, estamos preocupados que alguns pacientes estejam a ser atormentados por agentes sem escrúpulos que promovem tratamentos de plasma de dadores jovens como curas e remédios". A preocupação não apenas com o facto de o plasma em si poder ser prejudicial, mas mais até que os "propósitos não comprovados possam também desencorajar pacientes que sofrem de doenças graves ou incuráveis de receber tratamentos seguros e eficazes que possam estar disponíveis para eles".

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