Espanha pondera ficar com a mesma hora de Portugal

O governo espanhol apoia a ideia de Juncker de terminar com a mudança de horário sazonal. A proposta pode passar por ficar com um fuso horário igual ao de Lisboa e Londres

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol admitiu hoje que a Espanha possa ter "outro fuso horário", de acordo com a sua posição geográfica, após a Comissão Europeia anunciar que vai propor o fim da mudança da hora. Estas alterações poderão igualar o horário de Espanha ao de Portugal.

"Talvez Espanha tenha que estar noutro fuso horário. Francamente não sei. Vamos dar ao Parlamento Europeu a oportunidade de ver se é capaz de encontrar um denominador comum entre países que estão em situações geográficas tão diferentes", disse Josep Borrell aos jornalistas, à margem de uma reunião de chefes da diplomacia europeia em Viena.

A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, anunciou o presidente do executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, através da rede social Twitter.

Borrell salientou tratar-se de uma proposta que tem de ser debatida no Parlamento Europeu onde "todos os países terão de explicar o seu ponto de vista e em que medida isso favorece ou não o processo de conciliação da vida familiar, adaptação de horários às horas do dia e consumos de energia".

"Certamente que os lapões não têm a mesma opinião que os portugueses", disse ainda, admitindo que não é "um especialista" no assunto.

A alteração no horário em Espanha significaria atrasar o relógio em duas horas em relação ao horário de verão. Assim, Espanha ficaria com um fuso horário igual ao de Londres ou Lisboa.

Isabel Celaá, porta-voz e ministra da Educação, já afirmou que o Governo espanhol está de acordo com a proposta de Juncker, vendo várias vantagens. A ministra adiantou ainda que a mudança do fuso horário da Espanha "está na agenda do Governo".

A consulta pública 'online' sobre a mudança de hora, lançada pela Comissão Europeia em julho e concluída em 16 de agosto, teve uma participação recorde na União Europeia, com mais de 4,6 milhões de contributos.

Em declarações à estação televisiva alemã ZDF, Juncker declarou que "quando se consulta os cidadãos sobre algo, convém de seguida fazer aquilo que eles desejam".

As disposições atuais relativas à hora de verão na UE exigem que os relógios sejam alterados duas vezes por ano, para ter em conta a evolução dos padrões de luz do dia e tirar partido da luz do dia disponível num dado período.

O executivo comunitário irá divulgar hoje ao final da manhã os resultados da consulta aos 28 Estados-membros da UE.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.