Vem aí um asteroide? Sim, só falta saber quando

Peritos apelam a maior investimento no conhecimento dos asteroides. Porque a Terra corre perigo. Só conhecemos 1% do total

O risco de um asteroide atingir a Terra existe? Sim. É provável que ocorra amanhã? Não. Mas será uma questão de tempo até que um asteroide de dimensões preocupantes atinja o planeta. É o que defende Russell Schweickart, o ex-astronauta da Apollo 9, e outros peritos que promovem o Dia do Asteroide, que hoje se assinala, com uma emissão especial de 24 horas do Discovery Channel. O que fazer para prevenir? Ir à procura deles no espaço, dado que o conhecimento atual limita-se a um por cento do total de asteroides que se estima existirem.

"Todos os dias há cerca de cem toneladas de asteroides que atingem a Terra, mas estão na forma de pequenos grãos de areia ou seixos. Talvez dois ou três tenham o tamanho de uma bola de futebol. Os que preocupam são os maiores, que são muito menos frequentes. Mas é apenas uma questão de tempo até a Terra ser atingida por um que tenha a capacidade de causar sérios danos", explicou o norte-americano, hoje empresário e divulgador científico, numa conferência telefónica, em que o DN participou. "Acontece muito raramente, mas definitivamente irá acontecer e precisamos de fazer um trabalho real, agora, para estarmos preparados para o momento", acrescentou.

O astrofísico Hakeem Oluseyi concorda e leva a questão para outro nível: "Qual é a probabilidade de que teremos meios para travar o desastre? Diria que pode haver 100% de probabilidade. Se fizermos por isso. A chave é começar cedo para saber mais e poder fazer algo nesse momento."

Para tal, o alemão Greg Richter, autor de vários filmes sobre a temática, aponta que "tem de haver uma conversa global". Não é "tema que uma ou algumas nações deveriam ter. É o mundo inteiro, e as pessoas em geral, os governos, as empresas, devem fazer parte."

Debbie Lewis, do canal Discovery, entra na discussão e aponta que o objetivo desta divulgação e campanha científica não é "criar medo e pânico na população". Trata-se de levar o mundo "a pensar, a ser educado para o problema, de forma a encontrar uma solução".

O que se pode fazer em concreto? - questionou o DN. "Principalmente encontrar os asteroides que estão por aí", responde logo Russell Schweickart. "Temos de descobrir, usando telescópios para saber quais são as suas órbitas, o que nos permite prever se um asteroide atingirá ou não a Terra no futuro." O homem que em 1969 foi para o espaço na Apollo 9 diz que temos de "saber mais sobre os muitos asteroides que são potencialmente perigosos. Neste momento conhecemos apenas cerca de 1% dos asteroides que estão por aí".

Hakeem Oluseyi realça que existem "três fases diferentes". Temos "telescópios óticos no chão, radiotelescópios e também telescópios de infravermelhos no espaço" para os detetar. Num segundo momento precisamos de "desenvolvimento de tecnologia para desviar ou destruir. Temos de criar um amplo leque de técnicas". O terceiro é que "devemos caracterizar o asteroide". Precisamos "saber de que são feitos, sabendo já que são diferentes, o que significa que vão reagir de forma variada às diferentes técnicas".

Estes quatro especialistas coincidem na necessidade de haver um maior investimento governamental e empresarial para o conhecimento dos asteroides. "A questão não é se vai cair, é quando vai cair um asteroide perigoso. Em 2008 tomei conhecimento da gravidade desse perigo. Não queremos ser profetas da desgraça, nem assustadores. Mas há um ambiente de asteroides ativos e, como tal, isso leva-nos novamente à questão da preparação. É a nossa vida futura em causa", explica Debbie Lewis.

Os custos financeiros são sempre os principais obstáculos. Russe diz que neste caso nem por isso. "Não custa muito. A quantidade de dinheiro é muito, muito pequena no âmbito do que se gasta atualmente. Bastaria menos de 1% do orçamento da NASA [19,5 mil milhões de dólares], por exemplo, durante um período de dez anos, para estarmos preparados. Não estamos a falar de muito dinheiro, neste contexto. O que realmente temos de fazer é assumir a responsabilidade pelo futuro. Podemos, literalmente, garantir a sobrevivência humana no futuro, sendo responsável hoje. Não é caro."

Na conversa com os jornalistas de vários países europeus, numa antecipação do que vai ser o Dia do Asteroide no Discovery Channel, o ex-astronauta precisou melhor o período temporal que é necessário para defletir um potencialmente perigoso asteroide. "Precisamos de cerca de 10 a 15 anos antes de um eventual impacto. Creio ser o tempo para conhecer e desviar um asteroide com sucesso. Depende um pouco do asteroide. É claro que se se encontrar um asteroide e se traçar a sua órbita, podemos prever até cem anos antes do tempo."

Como sabemos pouco sobre os asteroides é mais difícil falar sobre o número dos existentes em grandes dimensões que possam deixar a Terra em risco. Atualmente a NASA tem a missão AIDA (Asteroid Impact and Deflection Assessment) em desenvolvimento com a Agência Espacial Europeia. Está previsto ser lançado em 2020, mas tem conhecido alguns entraves, o que motiva este apelo científico.

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