O balanço da destruição causada pela depressão Kristin agravou-se este sábado, 31 de janeiro de 2026, com a confirmação de mais duas mortes na região Centro, elevando para oito o número total de vítimas mortais desde que este sistema de baixa pressão começou a fustigar o território nacional.Ambas as vítimas mortais ocorreram por quedas, no distrito de Leiria, uma das zonas mais fustigadas pela intempérie. De acordo com as autoridades de Proteção Civil, as vítimas são dois homens que tentavam realizar reparações de emergência em coberturas danificadas. Na Batalha, um homem de 73 anos que reparava o telhado da casa da cunhada caiu de uma altura de cerca de quatro metros. Horas depois, em Alcobaça, um homem de 66 anos perdeu a vida num incidente semelhante, na sua habitação. Estes óbitos somam-se aos seis anteriormente confirmados (incluindo as vítimas de Carvide, Marinha Grande, Vila Franca de Xira e Silves), perfazendo o trágico total de oito mortos associados diretamente à Kristin.O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que visitou algumas das áreas mais afetadas, lamentou as novas perdas de vida e apelou às populações para que não corram "riscos excessivos", sublinhando que a prioridade absoluta deve ser a segurança pessoal em detrimento da recuperação de bens materiais.ituação crítica no CentroApesar de o tempo deste sábado ter aliviado, espera-se um agravamento para domingo, dia 1. O Centro de Portugal permanece sob aviso e em estado de alerta. Ainda no sábado, em Coimbra, o rio Mondego galgou as margens, inundando novamente o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e ameaçando várias habitações e comércios na zona da Baixa, pelo que a situação é descrita como "muito instável" pela Comissão Distrital de Proteção Civil, que mantém o Plano Municipal de Emergência ativo em vários concelhos, como na Pampilhosa da Serra.O primeiro-ministro, Luís Montenegro, convocou um Conselho de Ministros Extraordinário para este domingo para definir os apoios urgentes às populações e empresas. O Governo já decretou situação de calamidade para 60 municípios, que deveria terminar este dia 1, mas poderá ser prolongado.Leia a seguir o "filme" noticioso do dia:.Três dias após a passagem devastadora da depressão Kristin pelo território nacional, a Repsol anunciou este sábado (31) que a situação da sua rede de abastecimento está em vias de normalização progressiva, mas sete estações de serviço permanecem totalmente encerradas e várias outras operam ainda com limitações técnicas.Um dos principais alertas deixados pela Repsol prende-se com a infraestrutura tecnológica. Devido a "constrangimentos pontuais ao nível das comunicações", a empresa recomenda aos clientes que, em certas localizações, privilegiem o pagamento em numerário, uma vez que os terminais de pagamento automático podem apresentar falhas de ligação.Nesta data os seguintes postos de abastecimento continuam sem previsão de reabertura imediata:Vermoil: Rua dos Combatentes.Ansião: Estrada Municipal (Rua do Pinhal 348).Pataias: N242, ao quilómetro 24.Albergaria (Marinha Grande): N242, ao quilómetro 8.5.Cardosos B (Arrabal): Rua de Tomar.Marceirinha (Campos): EN356.Fátima: Rua Central. .A iminência de “uma derrocada de grandes dimensões” levou hoje ao encerramento da autoestrada A24 nos dois sentidos, entre os nós de Valdigem e Lamego, no distrito de Viseu, anunciou a Câmara de Lamego.“Esta é a única decisão possível, face à evidência do risco sério e iminente de novos deslizamentos, com possibilidade de projeção de terra e pedra para as vias de circulação e a eventual rutura da plataforma da A24”, justificou a autarquia, num comunicado publicado cerca das 20h00 na rede social Facebook.Durante o dia de hoje, esta via já tinha sido cortada no sentido Norte-Sul, por precaução.No entanto, “após uma vistoria técnica aos taludes da A24 e na iminência de uma derrocada de grandes dimensões”, as autoridades decidiram avançar com o seu encerramento total.Segundo a Câmara de Lamego, “perante este cenário, manter a via aberta seria irresponsável e colocaria em risco todos os utilizadores da estrada”.No domingo de manhã “será realizada nova vistoria técnica ao local por especialistas de geotecnia, para reavaliação das condições de segurança”, avançou.A autarquia disse ainda que a concessionária Norscut “está já a preparar a mobilização de meios para uma intervenção urgente na A24”.“Logo que existam condições, a circulação será restabelecida”, garantiu, acrescentando que “serão sinalizados trajetos alternativos, os quais serão ajustados em função da evolução da situação e dos condicionamentos supervenientes que se vierem a verificar”, acresentou.A Câmara de Lamego sublinhou que “a situação é muito grave” e garantiu que “está a ser acompanhada permanentemente”, colocando sempre a segurança das pessoas em primeiro lugar.Lusa.O Presidente da República lamentou hoje (31) mais uma vítima associada ao mau tempo e apelou às populações para “não se porem em situações de riscos excessivos”, admitindo que “é difícil” quando está em causa a “própria casa”.“Apelo às pessoas para que, como aconteceu até hoje, (…) não se porem em situações de riscos excessivos. Eu sei que é difícil porque a própria casa é o próprio telhado, [as pessoas] querem ter condições para poder ficar lá e querem intervir rapidamente. Mas que pensem bem, se têm condições, e na dúvida, contactem alguém ligado ao sistema de proteção civil”, apelou Marcelo Rebelo de Sousa, em Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, à margem de uma visita aos estragos causados pelo mau tempo.O chefe de Estado reagia à morte de um homem de 73 anos, que estava a arranjar um telhado e caiu. Entretanto, ficou a saber-se que um segundo homem, de 66 anos, morreu também nas mesmas circunstâncias.“Revela uma coragem e uma determinação, é o querer ajudar a si mesmo, a resolver o problema, e às vezes ajudar os outros, mas que é arriscado”, salientou o chefe de Estado.Marcelo Rebelo de Sousa percorreu várias estradas do concelho de Ferreira do Zêzere, acompanhado do presidente da autarquia, Bruno Gomes, e pôde ver o rasto de destruição deixado pela depressão Kristin e ouvir as angústias da população.Sobre a rede de abastecimento de eletricidade, referiu que “é impressionante de ver” como “é muito difícil de refazer rapidamente”.O chefe de Estado deixou, por isso, mais dois apelos: “É um apelo também ao poder central em termos de intervenção e apoio, mas é um apelo às populações que têm que fazer um esforço terrível”.Segundo evidenciou o Presidente da República, “há milhares e milhares de pessoas em muitas aldeias e lugares isolados e isso significa que há um desgaste contínuo”.“Um dia, depois outro dia, depois outro dia e, ao fim de alguns dias seguidos sem água ou eletricidade, as pessoas em situação de solidão, esse stress começa a ser complicado”, alertou.E continuou: “É um esforço enfim, de paciência, de bom senso, de esforço de resistência, nós portugueses somos muito resistentes e aqui é uma resistência difícil, sobretudo porque ainda não é seguro que tenham acabado as chuvas e que não haja ainda mais qualquer coisa”, explicou.Lusa.Um segundo homem morreu este sábado ao cair de um telhado que estava a arranjar, por este ter ficado danificado pela tempestade Kristin. O incidente ocorreu no concelho de Alcobaça (Leiria), no Bárrio.De acordo com fonte do Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana, o alerta para o acidente chegou às autoridades pelas 17h30.O comandante dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça, Leandro Domingos, disse à Lusa que a vítima mortal, de 66 anos, teve uma queda de quatro metros quando arranjava o telhado.“Quando chegámos ao local, estava em paragem cardiorrespiratória e foi declarado o óbito pela VMER [viatura médica de emergência e reanimação] das Caldas da Rainha”, explicou.Ao local acorreram meios da corporação de Alcobaça, Instituto Nacional de Emergência Médica e GNR.Também neste dia, um homem de 73 anos morreu ao cair do telhado que reparava no concelho da Batalha, distrito de Leiria.Entretanto, o Comando Territorial de Leiria da GNR apelou para “máxima cautela na reparação de telhados”, pedindo à população para que, “após os danos provocados pelo mau tempo, não arrisque a sua vida”, pois “a reparação de telhados envolve elevado risco de queda”.“Percebemos a necessidade de proceder a reparações rápidas, principalmente, tendo em conta as previsões para os próximos dias”, refere a GNR, pedindo, contudo, que estas intervenções sejam feitas com “todas as condições de segurança, recorrendo, se possível, a profissionais qualificados e a equipamento adequado”.RSF/Lusa.O Presidente da República apelou hoje (31) a que se trabalhe para ser possível a realização das eleições presidenciais, considerando que seria uma “opção muito sensível e melindrosa” criar um sistema excecional nas áreas afetadas pelo mau tempo.“Estar a mexer na lei para abrir exceções ou regimes excecionais neste momento de um processo eleitoral seria sempre competência da Assembleia da República, a lei eleitoral é um processo longo e implicaria criar (…) um regime excecional para certas áreas. É uma opção muito sensível e melindrosa”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Ferreira do Zêzere, quando questionado sobre se há condições para a realização da segunda volta das eleições presidenciais, marcada para dia 8.Segundo lembrou o chefe de Estado, “o Presidente da República, que tem a competência apenas de fixar a data das eleições, não tem a competência para intervir permitindo regimes eleitorais com períodos de tempo ou com adiamentos parcelares”.“Portanto, eu diria, vamos trabalhar para que, no curso da próxima semana, se minimizem os fatores que possam afastar os eleitores das urnas”, disse, lembrando que os portugueses mostraram “grande maturidade” aquando das últimas eleições presidenciais, que decorreram em plena pandemia de covid-19.Marcelo Rebelo de Sousa explicou que “preferiria que se resolvesse pelo lado positivo, que é o de encontrar meios para ocorrer (…) e não estar a encontrar um debate, que é um debate que é muito sensível e complicado”.“Eu não o colocaria em cima da mesa neste momento, mas é um problema dos deputados da Assembleia da República”, disse.O chefe de Estado, que visitou várias localidades no distrito de Santarém afetadas pelo mau tempo, elogiou ainda a iniciativa do primeiro-ministro de convocar um Conselho de Ministros para segunda-feira, considerando que este é o momento certo para o fazer.“O senhor primeiro-ministro está muito preocupado (…), ele tem a noção de que isto é muito mais tenso e muito mais grave do que poderia parecer à primeira vista, e sendo assim, que o Governo deve intervir e intervir com urgência”, disse.“Esse Conselho de Ministros é um exemplo disso mesmo, o senhor primeiro-ministro cancelou os compromissos externos, avança para o Conselho de Ministros porque sente que logo no começo da semana se deve, por um lado, olhar para o que aconteceu e prevenir o que ainda pode acontecer”, salientou.Marcelo Rebelo de Sousa apelou ainda ao diálogo entre Governo, Parlamento e autarcas porque esta “é uma causa de todos” e considerou “um bom sinal que haja um diálogo com todas as forças políticas sobre isso”.Para o Presidente da República, esta é também uma época de necessidade de consensos, à semelhança de outras: “Do consenso que houve em alguns aspetos importantes relativamente aos incêndios. Em relação aos incêndios, na legislação que foi feita e na revisão de aspetos do sistema de prevenção e de resposta, houve iniciativas na Assembleia da República do Governo e dos deputados, que convergiram em ambos aspetos”, lembrou.“É um problema nacional, é um problema que, neste momento, é uma responsabilidade minha, do Governo, do Parlamento, dos autarcas e dos portugueses como um todo. Daqui a 30 dias, é do meu sucessor, 30 e poucos dias, mas do mesmo Governo, do mesmo Parlamento, dos autarcas e tal, e de mim também como cidadão, claro, e dos cidadãos todos. Temos de ter a noção de que estamos metidos no mesmo barco, mesmo aqueles que estão muito longe, muito longe, muito longe daquilo que aconteceu”, salientou.Lusa.O município de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, anunciou hoje que, a partir de domingo, vai dar tijolos e telhas para ajudar a população a repor as condições de segurança nas suas casas.Em comunicado, a autarquia informou que, na sequência dos danos em várias habitações provocados pela passagem da depressão Kristin, “decidiu avançar com uma medida de resposta imediata, através da cedência gratuita de tijolos e telhas da sua posse à população afetada”.Os materiais poderão ser levantados a partir de domingo, no Estádio Municipal Antigo, das 09:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:00.A Câmara de Pampilhosa da Serra explicou que, para conseguirem estes apoios, os munícipes terão de “apresentar prova de titularidade do imóvel, fotografias comprovativas dos danos registados e identificação pessoal”.“Deverá ser solicitada apenas a quantidade estritamente necessária de materiais, sendo da responsabilidade dos requerentes o transporte dos mesmos, através de meios próprios”, esclareceu.Posteriormente, técnicos do município “irão proceder à vistoria das habitações, de forma a confirmar se a quantidade de materiais utilizada corresponde ao solicitado, prevenindo pedidos indevidos ou excedentários”, acrescentou.Com esta medida, a autarquia pretende “responder de forma célere às necessidades mais urgentes da população, nomeadamente ao nível de segurança e habitabilidade”.Lusa.Cerca de 120 bombeiros que apoiam a Proteção Civil devido ao mau tempo estão desde quarta-feira instalados no centro de acolhimento do Santuário de Fátima destinado a acolher peregrinos a pé, foi hoje anunciado.“Ao nível logístico, desde quarta-feira que o Santuário colocou o Centro de Acolhimento São Bento Labre, em Fátima, à disposição dos bombeiros provenientes de diferentes zonas do país, que se encontram a apoiar a Proteção Civil da região”, revelou a instituição.O Santuário adiantou que enviou à Cáritas Diocesana de Leiria-Fátina um conjunto de bens alimentares que permitem apoiar, no imediato, as famílias afetadas pela tempestade Kristin.“Entre os bens alimentares encontram-se várias embalagens de leite ─ incluindo leite para bebé ─, óleo, arroz, esparguete, açúcar, grão, feijão, salsichas, atum, cereais e bolachas”, explicou nas redes sociais.Ainda segundo a instituição, “em resposta a uma necessidade concreta identificada pela Cáritas de Leiria, foram também enviados 130 cobertores”.Lusa.Pelo menos 500 produtores ficaram “muito afetados” com a passagem da depressão Kristin no vale do Lis, entre estruturas danificadas e culturas alagadas, afirmou hoje o secretário-geral da Associação de Regantes e Beneficiários.“Temos pelo menos 500 produtores muito afetados com toda esta questão, com as estruturas afetadas e agora com as culturas que tinham no campo submersas, porque o rio Lis rebentou já em vários locais e inundou os campos adjacentes e tudo está é inundado”, disse à agência Lusa o secretário-geral da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis, Henrique Damásio.Segundo o responsável, no Vale do Lis há algumas estufas, um “viveiro muito grande”, explorações com cavalos, armazéns e muitas culturas, sobretudo milho e hortícolas, mas também arroz, pastagens e fruteiras.Os prejuízos, disse, serão de “muitos milhões” de euros, num vale onde, dos 2.145 hectares, 1.800 estão submersos.“Para fazer uma intervenção no rio Lis que estava prevista antes de esta história acontecer [para regularização do leito e das margens], eram 3,5 milhões de euros. Isso era numa condição de que não tivesse havido destruição. Agora, com a destruição, nem sequer consigo imaginar qual o valor”, disse.Sobre a necessidade de apoios, Henrique Damásio criticou as declarações do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que apontou para os seguros como principal financiamento da recuperação.“Um dos problemas que Portugal tem com a política é, às vezes, termos como políticos as pessoas que não têm conhecimento do Portugal real, porque no Portugal real os seguros vão-se esquivar à maioria das coisas que aqui estão. Em termos de culturas é muito difícil fazer seguros”, vincou.De acordo com o secretário-geral da associação, será necessária “uma injeção de capital, contabilizando quem foi que teve estragos”, a partir de uma contabilização clara dos danos registados junto dos produtores.Se não houver apoio robusto, Henrique Damásio antevê que muitos dos produtores não irão conseguir reerguer-se “para continuarem a sua vida”.O responsável recordou que o vale do Lis tinha visto a sua área cultivada crescer de forma contínua desde 2012 até agora.Lusa.A Câmara de Leiria anunciou hoje que os bens alimentares e artigos de higiene entregues ultrapassam as necessidades, pedindo à população para cessar a entrega.“Pedimos à população que não entregue mais bens alimentares, nem artigos de higiene, uma vez que as necessidades nestas áreas se encontram largamente supridas”, informou o município.Por outro lado, a recolha do lixo acumulado nos últimos dias já começou, estando a ser alargada, de forma progressiva, a todo o concelho, que tem 20 freguesias.“As equipas estão no terreno e a trabalhar para reduzir os constrangimentos e repor, o mais rapidamente possível, a normalidade na recolha de resíduos urbanos”, garantiu a autarquia.Lusa.O desespero de comerciantes de Alcácer do Sal, alguns em lágrimas, perante os seus negócios destruídos pelas cheias, foi hoje testemunhado pela ministra do Ambiente, enquanto o município prepara o pedido de apoios financeiros ao Governo.Durante uma visita às zonas afetadas pelas inundações desta semana na cidade de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, ouviu as lamentações e reconfortou os comerciantes que viram os seus negócios destruídos.Ao lado da presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, Maria da Graça Carvalho percorreu a Avenida dos Aviadores e o largo do Mercado Municipal, onde observou o rasto deixado pelas cheias, provocadas pela subida do Rio Sado, que saiu do leito e galgou as margens, devido à chuva intensa e às descargas das barragens.Apesar de a situação já ter melhorado com o escoar da água, os danos para os proprietários são muitos e com valores avultados, que ainda estão a ser avaliados e contabilizados.Uma comerciante de origem chinesa, ao relatar à ministra o estado da sua loja, aberta há 19 anos, desabou em lágrimas, sendo consolada pela governante, que prometeu que não vai ficar sozinha e vai ter ajuda no retomar do negócio."Eu não sabia nadar, o meu marido tinha medo de morrer lá dentro. Ele disse deixa tudo, não dá para fazer nada, vamos embora", contou a comerciante, que viu a sua loja ficar inundada num instante, tendo a força da água derrubado prateleiras e estantes de ferro.O lar de idosos da AURPICAS situado na avenida e evacuado logo na quarta-feira, cujos utentes foram levados para outra estrutura da mesma instalação na zona alta da cidade ou para casa de familiares, estava hoje a ser limpo pelas funcionárias, que se mostraram tristes com a situação.Mais à frente na rua, cheia de lama, a agência Lusa observou o interior de um supermercado, com produtos a flutuarem ainda na água, sentindo-se um cheiro menos agradável no ar, talvez proveniente dos alimentos estragados ou da água dos esgotos, que subiu com as cheias.Maria da Graça Carvalho visitou ainda uma loja de venda de produtos agropecuários. Para aí entrar, teve que se colocar em cima de paletes, tendo o proprietário afirmado que o prejuízo “é enorme, de milhares de euros”, pois esta semana tinha recebido um carregamento no valor de 40 mil euros.No largo do mercado, um comerciante de eletrodomésticos relatou que está "minimamente habituado" a inundações no local, recordando que a zona afetada era uma área de hortas no passado e que já passou pelas cheias “duas ou três vezes”.Questionada pela Lusa, a autarca Clarisse Campos estimou que os estragos causados pelas intempéries no concelho vão ser financeiramente "muito avultados".No entanto, sublinhou, ainda não é possível apresentar um balanço definitivo, uma vez que as equipas municipais estão a trabalhar em conjunto com os proprietários afetados para contabilizar todos os prejuízos.Para fazer face aos danos, que também atingiram os setores agrícola e florestal, serão mobilizados instrumentos de apoio a nível nacional e regional.A ajuda, conforme referido pela ministra do Ambiente, envolverá não só a sua própria área governativa, mas também o Ministério da Economia e o Turismo de Portugal, com vista a apoiar as atividades económicas locais, em particular a hotelaria e a restauração."Nós vamos socorrer-nos de todos os meios para podermos ajudar quem acabou por sofrer com esta situação", afiançou a autarca.Lusa.O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que há outro Portugal e o outro Portugal foi atingido, indicando Vila de Rei como o exemplo desse outro país.“Queria chamar a atenção para isto. Ontem [sexta-feira] comecei por Leiria e aí é uma calamidade numa cidade, numa grande cidade. Nunca tínhamos assistido nada daquela intensidade. Hoje na Figueira da Foz, menos grave, mas ainda uma cidade. Mas há outro Portugal e outro Portugal foi atingido. Vila de Rei é um exemplo desse Portugal”, sublinhou.Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, visitou uma empresa local completamente destruída pela passagem da depressão Kristin.“Acabámos de ver uma empresa, onde os prejuízos calculados são de meio milhão ou mais [euros]. Uma empresa com 30 anos. Quem a fez está desfeito como a empresa. É uma vida. Isto acontece em muitos casos. Aqui aconteceu e não foram os únicos prejuízos de grande monta” salientou.Para o chefe de Estado, isto explica como foi muito grave e muito extenso no território este fenómeno natural.“Vai demorar tempo. É preciso explicar desde o inicio que vai ser assim para não se criarem expetativas que é uma coisa fácil que se resolve num instante. Não contanto com o facto de que ainda é um processo que está em curso. Pode haver mais chuva, inundações, pode haver mais municípios a juntar aos 59 que estão em estado de calamidade”, vincou.Marcelo disse ainda que com outros fenómenos como os incêndios, aprendeu-se muita coisa e melhorou-se em muita coisa, mas não foi possível, pelos vistos, melhorar muitas outras.“Nós temos fibra ótica no subsolo. E, no entanto, temos ainda ligações elétricas que se vê ao longo do país e que são primitivas. Um vendaval põe em crise essas ligações. Somos um país que tem coisas do mais avançado que há na Europa e no mundo e depois temos ainda problemas, até pelas desigualdades entre territórios que são muito antigas”.O Presidente da República salientou que quando surgem estes fenómenos que nunca tinham acontecido fica a nú aquilo que é mais antigo e obsoleto.“Isso aguentou-se porque é um milagre nosso, português, ir aguentando situações até ao limite, mas é melhor estarmos preparados para o futuro. Isto pode voltar a acontecer”, disse.Lusa.A administração eleitoral mudou o local de voto antecipado em mobilidade de domingo em seis municípios, por causa dos efeitos da depressão Kristin em Vieira do Minho, Alvaiázere, Leiria, Torres Vedras, Alcácere do Sal e Silves.Numa nota publicada na sexta-feira no Portal do Eleitor, a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) informa que a alteração foi decidida “por motivos de força maior”, a pedido das seis câmaras municipais.A votação antecipada em mobilidade para o segundo sufrágio das eleições presidenciais decorre no domingo, 01 de fevereiro.No município de Vieira do Minho, no distrito de Braga, o novo local de voto será a sede da Junta de Freguesia de Vieira do Minho (Antiga Casa do Povo), segundo a informação divulgada no Portal do Eleitor.Em Alvaiázere, no distrito de Leiria, a votação decorrerá desta vez no quartel dos bombeiros voluntários.No município de Leiria, igualmente afetado pela depressão, o local de votação muda para a Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo.Em Torres Vedras, no distrito de Lisboa, será no Edifício da Câmara Municipal.Em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, a votação decorrerá na sede da junta de freguesia de Alcácer do Sal (Santiago).Em Silves, no distrito de Faro, o voto antecipado decorrerá no edifício das piscinas municipais.Lusa.O Governo vai reunir-se no domingo em Conselho de Ministros Extraordinário para analisar a situação de calamidade, as medidas de prevenção para os próximos dias e a recuperação das zonas afetadas pela depressão Kristin.A reunião vai realizar-se na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, em Lisboa, a partir das 10:00, segundo uma nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro.Segundo a nota, o Conselho de Ministros irá abordar “a situação de calamidade, o acompanhamento e adoção de medidas de prevenção e assistência perante os eventos climatéricos extremos (incluindo os dos próximos dias) e a recuperação e reconstrução das zonas afetadas”.Lusa.O funeral de uma das vítimas mortais no concelho de Leiria da passagem da depressão Kristin, um homem de 58 anos, realiza-se na segunda-feira, em Ansião, de onde era natural, segundo o anúncio da agência funerária.De acordo com a agência Postvitae, o funeral da vítima realiza-se às 14:30, na Igreja Matriz de Ansião, no distrito de Leiria, onde serão realizadas as cerimónias fúnebres.O homem, que morava em Leiria, morreu na quarta-feira, quando a depressão atingiu o concelho.Nesse dia, presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, revelou que a vítima trabalhava num parque fotovoltaico.De acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, a morte ocorreu em Fonte Oleiro, na União de Freguesias de Santa Eufémia e Boa Vista, onde a vítima foi encontrada em paragem cardiorrespiratória numa obra.Lusa.A circulação ferroviária registava hoje, pelas 15:00, constrangimentos em algumas linhas da rede nacional, devido às condições meteorológicas adversas dos últimos dias, devido a falhas na rede elétrica e à queda de árvores, informou a Infraestruturas de Portugal (IP).Em comunicado, a IP dá conta de que às 15:00 se encontrava suspensa a circulação na Linha do Norte entre Soure e Coimbra B, na Linha do Douro entre a Régua e o Pocinho, no Ramal de Alfarelos entre Alfarelos e a Figueira da Foz e na Linha do Oeste entre Mafra e Amieira.Em causa estão danos na catenária e obstruções na infraestrutura ferroviária, devido “às condições meteorológicas adversas dos últimos”, que estão a afetar a exploração normal do serviço em vários troços da rede, segundo a IP.A empresa refere ainda que as equipas técnicas estão a trabalhar no terreno para repor as condições de segurança e a normalidade da circulação “com a maior brevidade possível”.“A IP agradece a compreensão pelos incómodos causados. Esta informação será atualizada sempre que se justifique”, conclui a nota.Lusa.Um homem de 73 anos morreu hoje ao cair de telhado que reparava no concelho da Batalha, distrito de Leiria, disseram à agência Lusa fontes da Guarda Nacional Republicana (GNR), Câmara e da Proteção Civil.O presidente da Câmara da Batalha, André Sousa, explicou que “o homem faleceu na queda de um telhado” quando “estava a repor telhas”.“A casa tinha ficado sem telhas”, declarou André Sousa.Lusa.O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que o futuro chefe de Estado vai ter um papel muito importante a desempenhar na sequência da catástrofe que atingiu o país na passagem da depressão Kristrin.“O futuro Presidente terá um papel muito importante a desempenhar daqui a 30 dias. Unificador, claro. Isto é profundo, tem consequências e implica mexidas em redes elétricas, sistemas de comunicação e por aí adiante”.Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, onde se deslocou para ver no terreno as consequências e os prejuízos causados pela depressão Kristin. “As autarquias e as populações esperam um papel fundamental do Estado. É muito importante o contributo dos fundos europeus. E isto, não se vai resolver num dia, numa semana, num mês, dois meses, três meses. Vai exigir mais do que isso”, disse.O chefe de Estado lembrou que é importante ensaiar o maior acordo possível porque se trata de um problema de todos.“Esta é uma mensagem de que eu fiquei ciente ao vir para o terreno”, frisou.“Eu não tinha a noção que fosse tão grave o que tinha acontecido e de consequências e efeitos que vão exigir uma ação solidária coletiva e que dura mais do que aquilo que poderia parecer e que algumas vezes se trata com alguma leveza”, sustentou.Marcelo lembrou que o país já tem muita da noção daquilo que aconteceu, “mas não tanto quanto isso”.“Se fosse somar os prejuízos que vi, os que já me contaram, só estes… agora somem todos os outros. Estamos a falar de um desafio que não é comparável aos grandes incêndios que tivemos e que tiveram consequências dramáticas na vida das pessoas, mas não como este caráter tão profundo em termos de estruturas habitações, infraestruturas”, realçou.O Presidente da República lembrou ainda que aquilo que que aconteceu agora pode acontecer outra vez.“Ninguém está preparado para acontecer o que nunca tinha acontecido”, disse.Lusa.A situação dos níveis de água no rio Mondego, em Montemor-o-Velho, mantém-se “estável e controlada”, sendo que a subida da água na vale agrícola “está a ser efetuada de forma planeada e preventiva”, anunciou hoje a Câmara Municipal.Em nota publicada na rede social Facebook, o município referiu que os níveis de passagem de água na Ponte-Açude de Coimbra situavam-se, ao final da manhã de hoje, nos 1.500 metros cúbicos por segundo (m3/s), valores idênticos às médias registadas ao longo de sexta-feira.“A subida da água no Vale do Mondego, em particular nos campos, está a ser efetuada de forma planeada e preventiva, no âmbito da gestão dos caudais, com vista à salvaguarda de pessoas e bens”, observou.No entanto, a preocupação da autarquia e das populações incide sobre o que poderá suceder na noite de domingo e nos dois dias seguintes, face às previsões de chuva forte, já que os campos agrícolas das duas margens do Mondego estão saturados de água, em níveis mais elevados do que o habitual.Na margem esquerda, nos concelhos de Montemor-o-Velho e Soure, o problema incide, também, na falta de capacidade dos cursos de água afluentes do Mondego – Vala de Arzila e rios Ega e Arunca – em descarregarem para aquele rio, voltando para trás, inundando os campos em redor e cortando estradas, como é o caso da nacional (EN) 341, entre a Granja do Ulmeiro (estação de Alfarelos na linha do Norte) e Formoselha.Já na margem direita, a subida das águas está relacionada com a ação dos descarregadores do leito central do Mondego – que permitem retirar até 800 mil litros de água (800 m3/s) para os campos agrícolas, levando ao alagamento daqueles terrenos, já de si saturados, e à submersão de caminhos agrícolas e vias de comunicação.A mais recente via cortada ao trânsito no concelho de Montemor-o-Velho devido a alagamentos é a variante do Centro Náutico, que leva a Formoselha, após a ponte sobre o Mondego.Outras vias com circulação proibida devido à subida das águas são a estrada municipal 601 entre a Ereira e Santa Eulália (na Figueira da Foz, junto ao nó da autoestrada 14), a Estrada do Campo entre Formoselha e Santo Varão, o pontão de Lavariz (na Carapinheira, junto à antiga EN 111), a estrada entre Verride e Marujal e uma via de acesso aos terrenos agrícolas em Meãs do Campo, entre outras.Lusa.No centro da cidade de Leiria, gravemente afetada pelo mau tempo, hoje todas as mãos e idiomas contam nos trabalhos de limpeza, como se os ventos que tudo levaram soprassem agora solidariedade.“Todas as mãos contam, sim, seja lá a cor, o credo, a raça, seja o que for, todas as mãos contam”, diz Helena Palma, de 61 anos, que a agência Lusa encontrou no Jardim Luís de Camões, onde várias pessoas limpavam os detritos que a depressão Kristin espalhou.Helena Palma, comercial de puericultura, saiu de Lisboa com o namorado e um casal de amigos para ajudar a reerguer a cidade.“Acho que é necessário, porque se fosse comigo também gostava que me fizessem igual”, declara, para lembrar que ninguém controla o estado do tempo, “mas se todos puderem ajudar… já que Portugal parece não ter infraestruturas suficientes para colmatar este tipo de situações”.E ao ver o rasto de destruição, a voluntária pediu aos políticos para se “preocuparem menos com o querer aparecer e o querer parecer bem e tentarem prevenir, sobretudo criar infraestruturas que previnam estas situações”, de falta de água, eletricidade ou telecomunicações.Munidos de pás e vassouras, pelo espaço do jardim, voluntários como o brasileiro Guilherme Mota, recém-chegado a Leiria, amontoavam galhos de árvores, plásticos ou vidros.“A cidade acolheu-me. E eu achei que nada mais justo do que fazer parte disso e contribuir, de alguma forma, para que a cidade volte ao normal, porque afinal de contas isso impacta no bem-estar da cidade inteira, não só no meu”, destaca.Para o imigrante, de 34 anos, a solidariedade não devia escolher nacionalidade.“Viemos do mesmo lugar, vamos para o mesmo lugar, somos por dentro todos iguais, não importa a língua que fale, a cultura em que cresceu, todos nós temos um propósito na vida, que é viver, amar, acolher, é fazer do lugar onde vivemos o melhor lugar do mundo”, sustenta.Para o brasileiro, “não faz sentido olhar as diferenças”, pois “é muito pequeno diante de tudo o que aconteceu”.Guilherme Mota desfia ainda os prejuízos que também teve na casa onde mora, nos Pousos, às portas da capital de distrito. Danos no telhado, na sala de casa, nos painéis solares e em árvores de fruto, descreve, relevando a situação.Lucas Máximo, de 18 anos, também procedia a trabalhos de limpeza.“Eu, felizmente, já tenho condições em minha casa, água, luz e gás, mas há pessoas que não têm e achei bem vir cá ajudar quem precisa”, adianta à Lusa.No mesmo local, o restaurante Esplanada Jardim não foi poupado à depressão, mas os seus trabalhadores rapidamente puseram mãos à obra para restabelecer o funcionamento, como Ahmed Raza, paquistanês de 29 anos.“O que é importante é a comunidade. É tudo sobre ajudar. Estou a viver cá, a trabalhar cá”, afirma Ahmed Raza, realçando, por exemplo, nas primeiras horas pós impacto a entreajuda de quem tinha água e comida para quem não tinha esses bens fundamentais.Pela cidade, o trânsito e algumas pessoas em esplanadas de cafés transmitem uma aparente normalidade, contrastando com dezenas de pessoas que, munidas de garrafões de cinco litros, iam buscar água à Fonte das Três Bicas e outras tantas de luvas, pás ou vassouras a limpar.Próximo do Parque Professor José Hermano Saraiva, um grupo de jovens recolhia os despojos da depressão, como Francisca Alves, de 22 anos, residente em Leiria.“Em minha casa não tenho nada para melhorar, então decidi vir melhorar o que dava para melhorar na cidade”, diz a estudante, assumindo que em Leiria “toda a ajuda é pouca”.Lusa.A ministra do Ambiente alertou hoje, durante uma visita às zonas afetadas de Alcácer do Sal, Setúbal, para um agravamento das condições meteorológicas na próxima semana, manifestando preocupação com as regiões Norte e Centro do país."Estamos principalmente preocupados com o Norte e o Centro, e também o Tejo, mais do que aqui [Alcácer do Sal], aqui também vai chover e também vai ter problemas, mas lá vai chover muito", declarou a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, acrescentando que além da pluviosidade intensa, existe outro fenómeno, que é a agitação marítima.Perante a previsão de chuva extrema, o Ministério do Ambiente e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) têm estado a realizar descargas preventivas nas barragens há mais de 15 dias, sendo o principal objetivo a diminuição do "volume [das barragens] para acomodar a grande pluviosidade que vem na próxima semana"."Estamos a fazer isto já há várias semanas, em coordenação com a Espanha e com as hidroelétricas, a quem agradecemos por terem acedido aos nossos pedidos para colaborar nestas descargas preventivas e, portanto, temos uma preocupação enorme em relação [à segurança e capacidade das] barragens", explicou Maria da Graça Carvalho.A governante mostrou uma grande preocupação com as regiões do Mondego, Douro, Águeda e Tejo.Maria da Graça Carvalho apelou ainda aos cidadãos residentes em zonas vulneráveis para que retirem bens, animais e viaturas de zonas "suscetíveis a cheias", seguindo as orientações da Proteção Civil.No litoral, a ministra garantiu que os danos em margens, pontes e açudes serão identificados pela APA para posterior reposição através de contratos de programa.O esforço de recuperação está a ser coordenado de forma transversal.Segundo a governante, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, está a reunir-se com os autarcas dos municípios afetados pela depressão Kristin para delinear apoios aos danos económicos e às perdas de rendimentos no comércio.Já o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, está a avaliar os prejuízos no setor.Questionada sobre o pedido da autarquia de Alcácer do Sal para a declaração do Estado de calamidade, pedido também já formalizado pela Marinha Grande, a ministra remeteu a decisão para o Conselho de Ministros, afirmando que "as margens estão a ser difundidas a todo o Governo".Além do município alentejano, a Câmara da Marinha Grande também pediu que fosse decretado Estado de calamidade no concelho.Lusa.O candidato presidencial André Ventura afirmou hoje “que se lixem as eleições”, enquanto fazia uma ação de campanha numa exploração agrícola afetada pela depressão Kristin, em Leiria.“Acho que é importante que um político que está numas eleições com esta visibilidade a nível nacional, neste momento em que estamos a enfrentar condições provavelmente nunca vistas e que provavelmente vamos enfrentar novamente esta noite e amanhã [domingo], agora é que é mesmo a expressão: Que se lixem as eleições”, afirmou.O também presidente do Chega falava aos jornalistas no final de uma visita de cerca de meia hora a uma exploração agrícola, na zona da Ortigosa, fortemente afetada pela depressão, cujo proprietário, Fábio Franco, já tinha recebido André Ventura, dois dias antes, quando o candidato visitou pela primeira vez o centro de Leiria.Questionado sobre se esta ação beneficiava a sua campanha, André Ventura repetiu a ideia: “Que se lixem as eleições – todas elas”.Ventura insistiu naquilo que tem repetido ao longo dos últimos dias de ser necessário “mostrar ao país o que está a acontecer”, depois de na sexta-feira ter-se mostrado a pôr bens recolhidos para as vítimas numa carrinha e de na quinta-feira ter estado pelo centro de Leiria, numa visita que durou cerca de uma hora, sempre com comunicação social presente ao contrário do seu adversário, António José Seguro.Descrevendo aquilo que viu no concelho de Leiria como um “cenário apocalíptico”, André Ventura justificou as iniciativas dinamizadas pela sua candidatura pelo facto de a campanha estar “marcada”.“Nós temos de nos focar em ajudar. Ajudar é mostrar às pessoas o que está a acontecer e não andarmos a fazer outra coisa qualquer”, vincou.O candidato presidencial e presidente do Chega disse que as pessoas “não querem saber de ideias políticas”, considerando que os políticos têm de ir até ao terreno, “conhecer o que está a acontecer”.André Ventura considerou que o Presidente da República deve ir para o terreno “falar com as pessoas, ver o que está a acontecer”, depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter estado no terreno na sexta-feira.O candidato apelou à mobilização de todos para ajudar os concelhos afetados, afirmando que irá procurar que militantes e apoiantes ajudem a dar lonas às pessoas afetadas.Sobre se a campanha se vai manter nos atuais moldes – dedicada à resposta ao mau tempo -, o candidato disse que isso “é evidente”, mas disse que “é impossível” não ficar focado no impacto da depressão Kristin.“Vou procurar ainda esta tarde fazer alguns contactos para conseguirmos alguns bens”, disse.Lusa.O candidato presidencial André Ventura recusou hoje responder às críticas do presidente da Câmara de Leiria por ter iniciativas de campanha nesta região afetada pelo mau tempo e considerou tratar-se de “picardias políticas”.“Não vou entrar em picardias políticas hoje, temos de nos focar no que falhou e na ajuda a estas pessoas. Tive a preocupação de ir ao centro de Leiria imediatamente ouvi no centro de Leiria de várias pessoas que à volta estava muito pior e eu senti que tinha o dever como candidato de estar aqui”, afirmou.O candidato a Presidente da República visitou hoje uma estufa destruída pelo mau tempo, na zona de Ortigosa, no concelho e distrito de Leiria. Na quinta-feira esteve no centro da cidade de Leiria, mais de 36 horas depois da passagem da depressão Kristin, e no dia seguinte participou numa recolha de alimentos.“Compreendo que alguns critiquem, que não gostem. Eu vou continuar a mobilizar as pessoas para recolher bens essenciais, alimentos, água e no que puder e tenho talvez a certeza que não são os bens que recolhemos que vão resolver os problemas, mas damos um sinal ao país, num momento em que temos uma visibilidade acrescida por estarmos numas eleições, de que agora não é isso que interessa, não é a picardia que interessa, seja o presidente da Câmara de qualquer partido que seja, agora é ajudar”, salientou.“Quem está preocupado hoje com picardia política está do lado errado da história”, acrescentou.Esta manhã, o presidente da Câmara de Leiria considerou que nos últimos dias se tem assistido a “um carrossel de pessoas a vir a Leiria como se um jardim zoológico se tratasse”."Acho ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de água e que se filma para trazer numa carrinhazinha pequenina a ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria", criticou Gonçalo Lopes, sem confirmar se se referia a Ventura, e considerou que “aproveitar o que está a acontecer para fazer campanha” é “uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas”.Falando aos jornalistas junto à estufa destruída e com o empresário ao seu lado, André Ventura voltou a pedir celeridade e simplificação nos apoios destinados às famílias e empresas afetadas.“Passou claro a dor em que estas pessoas estão, precisam de apoio rápido, não é de apoios burocráticos que demoram seis meses só a ser preenchidos, precisam de consultores só para tratar deles. Estas pessoas precisam de saber que vão pedir o apoio, que estes apoios vão chegar para isto, e que rapidamente o conseguimos fazer”, sustentou.E apelou para que sejam mobilizados “todos os recursos, sejam eles políticos, administrativos, financeiros, para ajudar de forma rápida, para que estas pessoas não percam a oportunidade de se levantarem novamente”.Questionado sobre se os apoios devem ser atribuídos a fundo perdido, o candidato e líder do Chega considerou que “alguns obviamente que sim”, sem especificar.Sobre se concorda com a sugestão do atual chefe de Estado para a constituição de comissão técnica independente, depois de ter defendido uma auditoria, André Ventura apenas abanou a cabeça de um lado para o outro. Mais tarde, perante nova insistência dos jornalistas, voltou a desviar o assunto.André Ventura questionou ainda por que “o Estado não pode dar telhas às pessoas” que têm os telhados afetados, indo buscá-las “a Lisboa e trazendo para Leiria”, e disse também que esta tarde iria tentar recolher lonas “aquelas que até se usa para os 'outdoors'”.“Parece um país de terceiro mundo onde nós não conseguimos mobilizar recursos de distribuição de coisas tão simples como telhas, de outras zonas do país para aqui. Isso pode ser feito pelas Forças Armadas”, defendeu.O candidato considerou que houve algum atraso no envolvimento da Forças Armadas e criticou também a ministra da Administração Interna, afirmando que Maria Lúcia Amaral "parece que não vê que esta a acontecer, não sabe o que está a acontecer"."Diz que temos agora tempo para uma aprendizagem coletiva. Estas pessoas não precisam de aprendizagens, estas pessoas precisam de apoio rápido, de ação. É isso que temos de fazer agora, ajudar, agir, fazer”, defendeu.Lusa.O candidato presidencial António José Seguro defendeu hoje que, conhecidas as consequências da tempestade Kristin, o país não parece ter aprendido "com outras situações que ocorreram no passado recente", vincando que a solidariedade não substitui "a responsabilidade do Estado"."Parece que não aprendemos com outras situações que ocorreram no passado recente. A questão dos incêndios. A questão do apagão, a questão da emergência no socorro médico, o que se passou no Elevador da Glória", disse hoje António José Seguro num almoço com apoiantes na Casa do Povo de Vila Cova da Lixa, em Felgueiras, distrito do Porto.Para o candidato presidencial apoiado pelo PS, não se pode "permitir que o Estado seja um Estado com pés de barro", porque "as pessoas precisam de confiar nas suas instituições", sabendo que "o Estado existe para as proteger e para preservar a sua vida e para preservar os seus bens"."Eu fico muito feliz com a solidariedade que existe de norte a sul do país com os nossos concidadãos do centro. Mas a solidariedade dos portugueses não pode substituir a responsabilidade do Estado. A solidariedade dos portugueses acrescenta e soma àquilo que deve ser a ação do Estado português", vincou.Num discurso feito num pavilhão onde entrou novamente sem música e bandeiras no ar, tal como tinha acontecido na sexta-feira à noite em Viseu, Seguro enalteceu ainda a recolha, pela organização do almoço, de cerca de cinco toneladas de bens alimentares e água para entrega "aos portugueses que neste momento estão a viver uma situação de grande aflição"."É este sentido de solidariedade e de amor ao próximo que eu quero aqui enaltecer como uma marca e uma característica da alma de ser português", assinalou.Reconhecendo que "catástrofes desta natureza são fenómenos extremos" causados pelas "alterações climáticas", disse que no passado "podiam ocorrer uma vez em cada século" mas agora é necessário estar preparado para "ocorrerem de uma forma mais frequente"."O país tem que encontrar respostas para prevenir e para minorar as dificuldades das consequências que vamos ter, para atender mais rapidamente as pessoas, seja na comunicação, seja no fornecimento das cadeias alimentares, seja no fornecimento de bens essenciais, como a energia elétrica ou como a água", defendeu.Lusa.O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que as Forças Armadas vão reforçar meios no terreno devido à eventualidade da ocorrência de cheias no início da próxima semana.“[A intervenção das Forças Armadas] ampliou-se, está a ampliar-se e agora a prioridade passa a ser as inundações. É fundamental essa intervenção logística nas inundações”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, na Figueira da Foz, durante a visita a diversos locais afetados pela depressão Kristin.Lembrando que sempre foi defensor da intervenção das Forças Armadas enquanto agente de Proteção Civil, “até pela sua capacidade de mobilização”, o chefe de Estado precisou que após a deslocação para o terreno de meios militares, na sequência da depressão Kristin, em Ferreira do Zêzere e Tomar (Santarém) e Marinha Grande (Leiria), essa capacidade vai ter mais meios para prevenir consequências de inundações. Marcelo lembrou ainda que nos incêndios de Pedrogão Grande, em 2017, os militares intervieram “e tiveram um papel importante de apoio logístico”.“Mas, de facto, [esse apoio] arrancou alguns dias depois do momento inicial dos fogos. Estamos a tentar encurtar essa distância e antecipar a intervenção militar quando necessário”, argumentou Marcelo Rebelo de Sousa.Já o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, frisou que o Governo está “a empenhar todos os meios da Proteção Civil, já no planeamento, na próxima semana, das cheias e inundações”, revelando “um forte empenhamento das Forças Armadas” nessas operações, em articulação com a Proteção Civil, já a partir de hoje, com botes, dispositivos de desobstrução e outros meios para a eventual retirada de pessoas.Questionado pela agência Lusa sobre o que significa “um forte empenhamento” das Forças Armadas em termos numéricos, Rui Rocha não respondeu. Adiantou, depois, que o Governo já sinalizou, junto das Forças Armadas, “as necessidades e os posicionamentos” necessários durante os próximos dias, estando “tudo a ser tratado em coordenação com a Proteção Civil”, designadamente na bacia dos rios Mondego e Tejo, onde, garantiu, irão estar meios dos Fuzileiros da Marinha.Na Figueira da Foz, além do parque de campismo, Marcelo Rebelo de Sousa visitou a Rua do Pinhal, onde se situa o edifício da antiga Universidade Internacional (que estava a ser reconvertido para centro de formação do IEFP), e sofreu danos elevados, a exemplo de algumas casas em redor.A visita inclui também a Zona Industrial da Gala, concretamente a empresa de derivados de resina United Resins, que viu metade do seu armazém e 80% do seu parque fotovoltaico destruídos.Lusa.O candidato presidencial António José Seguro defendeu hoje que tem feito “uma separação completa” entre campanha eleitoral e proximidade às populações e autarcas das zonas afetadas pela tempestade Kristin, estando a equacionar ir acompanhado pela comunicação numa próxima visita.Seguro falava aos jornalistas na Lixa, concelho de Felgueiras, distrito de Porto, momentos antes de um almoço que tem com apoiantes, sendo questionado sobre as críticas do presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, sobre “um carrossel de pessoas” a ir àquele concelho fortemente afetado como “se um jardim zoológico se tratasse".“Eu ouvi as declarações do presidente da Câmara Municipal de Leiria e elas não encaixam no meu comportamento. O comportamento que eu tenho tido é de constante e permanente contacto com os autarcas e reconheçam-me que, no próprio dia, eu estive no terreno, só que fiz uma separação clara entre aquilo que é a campanha eleitoral e aquilo que é o meu dever como português e como candidato da Presidente da República, foi ir falar com pessoas e ver os estragos”, respondeu.O candidato mais votado na primeira volta das presidenciais insistiu nesta ideia de “separação completa” entre a campanha eleitoral e aquilo que diz ser a expressão da “sua solidariedade e a proximidade com as pessoas “e encontrar propostas e soluções em contacto com os autarcas”.“E é aí que seguirei. E, façam-me justiça, já fiz o mesmo quando foi os incêndios no verão. Eu visitei vários concelhos do país sem comunicação social”, disse, numa altura em que, desde a madrugada de quarta-feira, já foi diversas vezes ao terreno, sozinho e sem avisar os jornalistas.Seguro disse que no domingo, numa altura em que se está a passar “por uma fase diferente”, irá visitar mais um local afetado.“Estou a equacionar e ver da possibilidade, porventura, já poder levar comunicação social se houver condições para isso”, adiantou.Questionado sobre se teme que uma campanha menos focada nos apelos ao voto e na mensagem eleitoral o esteja a prejudicar, o candidato presidencial apoiado pelo PS defendeu que é preciso “separar as duas coisas com clareza”.“Uma coisa é a campanha eleitoral, há eleições, a vida é o que é, outra coisa é a urgência, essa é a mais urgente e a prioritária, de acompanhar a situação da aflição das famílias e das empresas em zonas afetadas”, reiterou.Interrogado se estava preocupado com a descida nas sondagens, Seguro disse que não e voltou a sua intervenção para a tempestade que afetou Portugal.“Aquilo que eu temo é que a resposta que as pessoas precisam neste momento, e que vivem situações de aflição, que não têm luz, que não têm água, tenha que ser resolvida rapidamente. Esse é o meu ponto”, respondeu.Evidenciando que se está em período de campanha eleitoral, o ex-líder do PS disse que esta é “uma situação nova para todos” que passa por “equilibrar esta preocupação e, sobretudo, manifestar" a sua solidariedade com as pessoas e, "simultaneamente, fazer uma campanha onde o apelo ao voto é indispensável em favor daquilo que são os valores” que defende.“E eu estou convencido que nós vamos fazendo esse equilíbrio. Eu já cancelei ações de campanha, ainda hoje cancelei duas ações de campanha, é normal que agora, durante o encontro que eu vou ter aqui em Felgueiras, me pronuncie sobre a necessidade de as pessoas se mobilizarem, de irem a votar, porque amanhã [domingo] também já há eleições, não é um equilíbrio fácil, para ser sincero, mas eu sou firme na defesa daquilo que são os meus princípios e os meus valores”, admitiu.Lusa.A autarquia da Marinha Grande informa que a população pode recolher bens essenciais no Pavilhão Nery Capucho, das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.A população pode ainda deixar ou recolher materiais de recuperação no Estaleiro Municipal (Rua do Matadouro), das 09h00 às 18h00.Em Vieira de Leiria, o maior constrangimento “continua a ser a ausência de energia e rede móvel” e na Praia da Vieira ainda não foi garantido o abastecimento de água.A recolha de alimentos, água potável e outros bens essenciais decorre na Junta de Freguesia da Vieira de Leiria, das 09:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30, e no Mercado da Vieira está igualmente disponível material de construção, no mesmo horário.O Município da Marinha Grande disponibilizou também uma conta bancária destinada à angariação de donativos, para apoio às ações em curso, com o IBAN: PT50 0007 0000 0066 7532 1762 3.Os donativos efetuados deverão ser identificados com o respetivo comprovativo de transferência, enviado por e-mail para donativos@cm-mgrande.pt, indicando o nome do doador e o NIF, para efeitos de registo e agradecimento por parte do município..A Câmara Municipal da Marinha Grande revelou que realojou 75 pessoas nas instalações do Sport Império Marinhense, depois de terem sido transferidos do Estádio Municipal.Em comunicado enviado à agência Lusa, esta autarquia do distrito de Leiria informou que está a garantir refeições aos desalojados, bem como aos operacionais que estão a trabalhar nas ações de limpeza e aos voluntários.“A Câmara Municipal colocou hoje em funcionamento a cantina social, na Catina da Embra (junto à escola Básica João Beare), que está a fornecer refeições a famílias carenciadas, das 12h00 às 14h00 e das 18h00 às 20h00”, acrescentou.Num novo ponto de situação sobre a resposta à emergência no concelho da Marinha Grande, a autarquia indicou que continua a desenvolver uma resposta articulada aos impactos verificados, com “um forte apoio por parte de diversas entidades e voluntários”.Desde este sábado encontram-se no terreno quatro equipas especializadas de avaliação de risco do edificado, provenientes da Proteção Civil de Matosinhos, Lisboa e do Regimento de Sapadores de Bombeiros de Lisboa.“Estas equipas possuem formação específica para intervir em situações de derrocadas e outros riscos estruturais, estando a avaliar quais os edifícios que podem manter-se em funcionamento, com especial incidência nas escolas, tendo em conta as condições estruturais, estando a ser analisadas centenas de situações em todo o concelho”, referiu.Em paralelo, o município está a desenvolver ações prioritárias para garantir condições básicas nos lares e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) identificados pela Segurança Social, nomeadamente o abastecimento de água, desobstrução de acessos, fornecimento de roupa de cama e atoalhados lavados e disponibilização de refeições quentes.“Já foram instalados geradores, sendo ainda necessária a obtenção de mais equipamentos deste tipo”, indicou.No âmbito do reforço de meios, encontram-se no concelho da Marinha Grande os Bombeiros Voluntários de Castelo Branco, tendo já prestado apoio anteriormente os corpos de bombeiros de Almeirim e Santarém.Segundo a Câmara da Marinha Grande, os serviços municipais estão também a trabalhar na reposição do abastecimento de água à população, no entanto, têm-se deparado com constrangimentos nas operações que têm tornado "mais moroso este processo”.“A E-Redes está a trabalhar em articulação com o município para a reposição do fornecimento de energia elétrica, com especial enfoque para as zonas onde estão localizados lares e IPSS, não sendo possível prever a data para a normalização da situação”, evidenciou.Já no setor da saúde, o Centro de Saúde mantém, durante o fim de semana, o Serviço de Atendimento Complementar (SAC) nas instalações do antigo Serviço de Atendimento Permanente..A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) propõe ao Governo “medidas cirúrgicas” de apoio às empresas afetadas pelo mau tempo, para que possam continuar as suas atividades, anunciou este sábado a entidade em comunicado."Mobilizar verbas europeias, do Fundo de Coesão e do PRR, linhas de crédito com juros bonificados ou garantias mútuas para alavancar empréstimos bancários", são propostas avançadas pela Confederação Empresarial de Portugal, que pede rapidez na atribuição dos apoios e da sua chegada ao terreno ainda em fevereiro.“A atividade económica não pode parar”, afirma o presidente da CIP, Armindo Monteiro, citado em comunicado, onde se lê que a CIP propõe respostas de emergência e medidas de prevenção e de relançamento da economia nos setores mais afetados.Segundo a CIP, a tempestade Kristin provocou estragos em instalações e nos equipamentos de empresas de norte a sul do país, "correndo estas o risco de ver a sua situação agravada com o mau tempo esperado a partir de domingo".A Confederação Empresarial de Portugal propõe, assim, ao Governo, que adote rapidamente “medidas cirúrgicas” de apoio às empresas afetadas que as ajudem a não parar a atividade e a cumprir os compromissos com clientes e fornecedores."Tal como o Governo adotou medidas excecionais para apoiar de imediato as empresas industriais e agrícolas afetadas pelos incêndios do verão de 2024, a CIP propõe que o executivo de Luís Montenegro assuma agora o mesmo sentido de urgência para fazer chegar rapidamente às empresas instrumentos simples e ágeis que permitam reparar estragos e manter a produção e transporte de bens, a prestação de serviços e o atendimento a clientes", lê-se no comunicado.Em causa estão unidades dos setores industrial, agroindústria, logística, hospitalização privada, centros comerciais e do turismo.Para o presidente da CIP “é fundamental que, até ao final de fevereiro, as empresas afetadas tenham recebido os primeiros apoios e posto em marcha os seus processos de recuperação de atividade fabril e de património”.A CIP tem a funcionar desde quarta-feira um “Gabinete de Crise” que, em articulação com as associações empresariais setoriais, regionais e locais, bem como com várias entidades da administração pública, está a recompilar os danos concretos sofridos pelo tecido económico.“Para além das medidas em si, é muito importante que o Governo legisle a dispensa da autorização prevista para concessão de auxílios financeiros ou a celebração de contrato ou protocolo entre entidades como o IAPMEI ou a AICEP, autarquias locais ou as CCDR [comissões de coordenação e desenvolvimento regional], para a atribuição e gestão de apoios às empresas afetadas”, afirma Armindo Monteiro.“A rapidez da atribuição dos apoios é, neste caso, tão importante como os próprios apoios”.A CIP propõe também que os apoios a atribuir possam dispensar o visto prévio do Tribunal de Contas, sendo concedidos ao abrigo do regime excecional de contratação pública, como forma de os fazer chegar rapidamente ao terreno empresarial.Lusa.Mais de 400 pessoas deram entrada nas urgências do hospital de Leiria com traumas devido a situações relacionadas com acidentes em trabalhos de limpeza e reconstrução, anunciou este sábado, 31, na Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria.“Até ao momento [pelas 13:00], registaram-se 424 entradas de doentes com trauma, um deles em estado crítico, neste momento de situações decorrentes de acidentes na realização dos trabalhos de limpeza e reconstrução”, refere uma informação da ULS enviada à agência Lusa que reporta dados desde o início da depressão Kristin.Lusa.A Autoestrada 24 (A24) está cortada no sentido norte-sul entre o nó de Valdigem e o nó de Lamego devido ao “aluimento de terras e de pedras”, disse hoje à Lusa fonte da GNR de Lamego.Este troço, no concelho de Lamego, está já cortado “há cerca de duas horas” e não há ainda previsão de reabertura, acrescentou a mesma fonte.A A24 liga Viseu a Chaves.Lusa.Cerca de 198 mil clientes da E-Redes continuavam este sábado às 13h00 sem luz em Portugal continental, a maior parte na zona de Leiria, na sequência da depressão Kristin na madrugada de quarta-feira.Comparativamente ao balanço feito pela E-Redes hoje às 06h00 (hora de Portugal continental), há agora mais 13 mil clientes com energia elétrica.Do total de clientes que estavam às 13h00 sem luz, a maior parte é da zona de Leiria, no total de 163 mil (eram 169 mil ao início da manhã).Os restantes clientes sem luz encontravam-se nas zonas de Santarém (10.600 clientes sem luz), Portalegre (9.600), Coimbra (7.000) e Castelo Branco (6.000).Os clientes da E-Redes correspondem a pontos de entrega de energia como habitações, empresas ou lojas com ligação elétrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afetadas.Segundo a E-Redes, face ao pico da falha de energia, que atingiu um milhão de clientes às 06h00 de quarta-feira, já foram restabelecidos 80% dos casos.Lusa.A seguradora Ageas recebeu até à tarde de sexta-feira 1.119 ocorrências de clientes com seguros de cobertura de tempestades em habitações e empresas, disse em resposta à Lusa, acrescentando que não tem para já estimativas dos prejuízos reclamados.Questionada pela Lusa sobre processos de sinistro abertos, fonte oficial disse que até sexta-feira tinham recebido mais de 1.000 ocorrências."Recebemos até às 17:00 [hora de Lisboa] 1.119 ocorrências. São incidentes relativos à cobertura de tempestades de habitações e empresas", disse a Ageas à Lusa.A seguradora disse que tem equipas multidisciplinares no terreno a acompanhar os clientes, com gestores de sinistros patrimoniais, peritos e equipas comerciais.Sobre estimativas dos prejuízos reclamados, a Ageas diz que "neste momento é muito cedo para estimar valores".Quanto a danos em casas, a Ageas diz que caso venha a haver participações dará o seguimento interno habitual.Em Leiria, na sexta-feira, a Ageas teve uma carrinha no Parque de Estacionamento do Estádio Municipal de Leiria para "apoiar os clientes das marcas Ageas Seguros e Ocidental na gestão dos processos de sinistro". Este posto teve grande afluência, tendo sido abertos muitos processos e marcadas peritagens.Esta unidade móvel continua hoje em Leiria (junto ao Pavilhão Carlos Neto, Marrazes) e irá manter-se na região até à próxima sexta-feira, dia 6 de fevereiro, com horário de funcionamento entre as 9:00 às 17:00.A empresa pede que quando a contactam os clientes forneçam os seus dados identificativos, código da conta bancária (IBAN) e comprovativo onde conste o nome do tomador como titular de conta, descrição do sinistro, fotografias dos danos causados e caderneta predial urbana (CPU, que comprova a titularidade do imóvel).A empresa considera que também seria importante os clientes terem já orçamento dos trabalhos a realizar e montantes, incluindo relatório técnico dos danos, ainda que sabendo que "nesta fase é bastante complicado, dado o estado de calamidade", ter já estes documentos.As seguradoras têm de assegurar indemnizações no caso de clientes com seguros que cubram danos de tempestade mesmo nas zonas em que esteja declarada a situação de calamidade, segundo a Lei de Bases da Proteção Civil.O artigo 61.º da lei considera “nulas, não produzindo quaisquer efeitos, as cláusulas apostas em contratos de seguro visando excluir a responsabilidade das seguradoras por efeito de declaração da situação de calamidade".Em geral, cobrem danos provocados por tempestades os seguros multirriscos no caso de casas, condomínios ou empresas e os seguros contra todos os riscos no caso dos veículos. Lusa.O candidato presidencial António José Seguro considerou hoje "lamentável", "inconcebível" e "inimaginável" a possibilidade de a Comissão Europeia não prolongar os prazos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para ajudar à reconstrução das regiões afetadas pela tempestade Kristin."Em primeiro lugar eu quero-lhe dizer que se isso é verdade, essa posição da Comissão Europeia, é lamentável que tomem essa posição. Lamentável. Há um povo europeu a sofrer, com dificuldades. O que se pede é que alarguem o prazo", disse hoje aos jornalistas António José Seguro, recuperando a proposta feita na sexta-feira ao Governo para que peça o alargamento dos prazos do PRR de forma a libertar capacidade na construção civil para reconstruir infraestruturas.Falando na Lixa, Felgueiras (distrito do Porto), o candidato presidencial vincou que "é a visão administrativa e burocrática que impera sobre a necessidade e a urgência de apoiar humanitariamente as pessoas" caso se confirme a notícia avançada na sexta-feira pelo jornal Eco, que cita fonte oficial da Comissão Europeia referindo que "o Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) não pode e não será prorrogado""Eu acho que não vivemos num mundo certo. Alguém está errado desse ponto de vista. Se é verdade, volto a dizer, se é verdade que a Comissão Europeia tem esta posição, é uma coisa inaceitável e inimaginável. Portanto, eu quero acreditar que não seja essa a posição. Ou então, se é, que a Comissão Europeia reveja rapidamente essa posição", instou o candidato presidencial apoiado pelo PS.António José Seguro voltou a insistir que é necessária a "construção civil, a mão de obra para ajudar a recuperar as casas das famílias" e as empresas."Se a Europa não percebe disso... fico por aqui", disse o candidato, não concretizando o raciocínio que tinha iniciado.Lusa.António José Seguro teme que a situação no distrito de Coimbra se complique nos próximos dias devido à previsão de chuva e à necessidade de as barragens fazerem descargas."Há uma nova preocupação a par da necessidade da reconstrução e de se voltar rapidamente a restabelecer a energia eléctrica e a água, (...) que é a possibilidade de haver cheias com a subida das águas dos rios e designadamente com as descargas que terão de ser feitas, em particular na barragem da Aguieira e que isso possa ter implicação no rio Mondego e também nos afluentes. Tenho falado com autarcas; eles estão atentos, a tentar minimizar as consequências", afirmou aos jornalistas à chegada a Vila Cova da Lixa, onde terá um almoço na Casa do Povo."Eu confio muito na nossa proteção civil municipal", acrescentou candidato presidencial apoiado pelo PS, que deixou agradecimentos às forças de segurança, bombeiros e segurança social e expressou um desejo: "Espero que os próximos dias não tragam mais uma tragédia à que já aconteceu na semana passada."Seguro, que cancelou parte da agenda prevista para este sábado, adiantou ainda que tem estado em contacto com vários autarcas nas últimas horas para se inteirar sobre os progressos dos trabalhos..As comunicações estão restabelecidas em quase todo o concelho de Leiria, gravemente afetado pela depressão Kristin, onde vão ser colocados pontos de comunicações por satélite, disse afirmou hoje o vereador Luís Lopes.“Em matéria de comunicações, temos comunicações restabelecidas praticamente em quase todo o concelho, principalmente assegurando as comunicações em emergência, ou seja, o 112, mas também já com possibilidade de as pessoas fazerem chamadas telefónicas praticamente em todo o concelho”, declarou Luís Lopes, com o pelouro da Proteção Civil.Aos jornalistas, no quartel dos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou o seu centro de operações, o autarca adiantou que a Câmara vai “também colocar pontos de comunicações por satélite em praticamente todas [as freguesias] ainda durante o dia de hoje”.Lusa.A Câmara de Leiria vai instalar hoje geradores, porque a E-Redes não tem previsão do restabelecimento de eletricidade, e abastecer água através de cisternas, em determinadas freguesias, disse o vereador da Proteção Civil, Luís Lopes.“Uma vez que a E-Redes não consegue dar-nos uma previsão de quando irá ter o restabelecimento da corrente elétrica, vamos optar por, em cada uma das freguesias que ainda não têm abastecimento, fazer um ponto com abastecimento de gerador através de um PT [posto de transformação]”, afirmou aos jornalistas Luís Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está o centro de operações do município.O objetivo é que as pessoas tenham um local onde “possam deslocar-se para carregar equipamentos, para tomarem um banho e também para terem abastecimento de água”, trabalho que vai ser feito ainda durante o dia de hoje.Quanto ao abastecimento de água, a autarquia tinha “parte do sistema em carga em cerca de 60% a 70% do concelho”, mas “com as inúmeras cheias” nos últimos dias há “várias estações elevatórias que foram muito danificadas”.“Estivemos esta noite a fazer a tentativa de recuperação dessas estações elevatórias, para conseguirmos recarregar o sistema e, portanto, durante o dia de hoje, vamos voltar a ter partes do concelho que vão ser abastecidas de água”, declarou.Segundo o autarca, aquelas freguesias em que até às 14:00 horas não for possível o restabelecimento do abastecimento de água, vão ser disponibilizadas cisternas em locais a divulgar, “para que as pessoas possam, em caso de necessidade, ir buscar água”.Contudo, Luís Lopes ressalvou que “esta água não é potável, pode ser utilizada para questões sanitárias ou para os animais”, notando haver “muitas explorações pecuárias espalhadas pelo concelho”.Lusa.O líder parlamentar do PS apelou hoje ao Governo para que use todos os mecanismos nacionais e europeus ao seu dispor e fala em “absoluta descoordenação” no terreno na resposta às consequências da tempestade Kristin.Em declarações à Lusa, Eurico Brilhante Dias lamentou que a Comissão Nacional de Proteção Civil só vá reunir-se no domingo e questionou se já foi ou não ativado o Plano Nacional de Emergência e Proteção Civil, que permitiria um comando único na dependência do primeiro-ministro, Luís Montenegro.“Esse plano é muito importante, permite mobilizar legalmente todos os meios - equipamentos públicos e privados para apoiar as populações - e espera um comando único, que permite a coordenação interministerial de forma única, com o comando que pode ser diretamente do primeiro-ministro”, apelou.Dizendo que o PS quer “ajudar com solidariedade institucional”, Brilhante Dias afirmou que muitos autarcas, não só socialistas, relatam uma “absoluta descoordenação” no terreno e insiste que a reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil – que irá acontecer no domingo à tarde – deveria ter-se realizado muito antes.“Devia ter sido convocada a partir do aviso do IPMA no dia 27 de janeiro, não foi e continua a não ser convocada para hoje. Essa Comissão Nacional de Proteção Civil tem poderes próprios de coordenação que era útil que fossem ativados”, afirmou.Por outro lado, o líder parlamentar do PS questionou “onde estão os três mil militares” que o ministro da Defesa, Nuno Melo, disse na sexta-feira estarem disponíveis, aguardando apenas que fossem convocados pela Proteção Civil.“A informação que chega do terreno é uma informação de abandono e descoordenação. É importante que o Governo use os instrumentos da Proteção Civil, a direção do primeiro-ministro, a intervenção e a coordenação também da ministra da Administração Interna, para que no terreno se vá notando uma intervenção coordenada”, disse.O deputado socialista criticou ainda a decisão do Governo não ter ainda recorrido ao Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (EUCPM), com a justificação de que os meios nacionais não estão esgotados.“Até este momento, um dos bens mais escassos são os geradores de energia. O mecanismo europeu permite a utilização de geradores. O Governo disse que tinha o suficiente em Portugal, mas continuamos a ouvir populações a dizer que precisam de geradores”, contrapõe o deputado socialista.Questionado sobre a sugestão do Presidente da República de que seja criada uma comissão técnica independente para fazer uma avaliação da passagem da depressão Kristin por Portugal continental, depois do “período crítico de resposta”, Brilhante Dias admitiu que essa avaliação possa ser feita mais tarde.“Neste momento é importante mobilizar os recursos públicos e privados para acudir às pessoas. Nós pedimos ao Governo, neste momento de grande emergência, com a solidariedade institucional que é devida neste momento, que acione os mecanismos que tem”, insistiu.Lusa.Todas as dez freguesias de Oleiros, no distrito de Castelo Branco, estão sem fornecimento de energia elétrica, com exceção de algumas zonas na sede de concelho, informou o presidente da Câmara Municipal.Numa mensagem à população de Oleiros deixada nas redes sociais, Miguel Marques disse estar em permanente contacto com a E-Redes e as operadoras de comunicações móveis, mas realça que a “situação é muito difícil, apesar das equipas estarem no terreno”.“Praticamente todas as freguesias estão sem energia, com exceção de algumas zonas da vila de Oleiros e em alguns arredores da sede do concelho”.O autarca sublinha ainda que as comunicações são praticamente inexistentes em todas as freguesias, sendo a exceção a vila de Oleiros, ainda assim com “alguma instabilidade”.“O resultado da passagem da depressão Kristin pelo concelho é devastador”, refere.Os bombeiros de Oleiros e os funcionários do município estão no terreno e procuram ir a todos os lugares.Segundo Miguel Marques, a Unidade Móvel de Saúde também está no terreno, a passar por todas as freguesias para prestar apoio à população.Lusa.A presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, criticou hoje o Governo por ter deixado a população “completamente à sua sorte”, acusando-o de ter falhado tanto no alerta para a passagem da depressão Kristin, como depois na resposta.“Em termos de resposta falhou mesmo muita coisa e acho que é importante que se tenha a noção de que não se pode deixar as pessoas completamente à sua sorte. O Estado nestas matérias é essencial e não pode falhar, mas infelizmente tem falhado”, destacou.Em declarações à agência Lusa, à entrada para a reunião do Conselho Nacional, que decorre ao longo do dia em Coimbra, Mariana Leitão afirmou que já não é a primeira vez que o Governo falha em situações deste género, demorando a reagir e a coordenar-se.“Ora, o país não é um simulacro e o Governo não é um centro de estágios. Tem de haver, obviamente, planos de contingência, formas de atuar quando estas situações acontecem e isso tem de estar previsto”, acrescentou.No seu entender, é revoltante perceber que a mensagem que passam é de que é preciso tirar lições.“Não podemos, a cada calamidade e a cada catástrofe, estar a tirar ilações. Já houve situações no nosso país que exigiam resposta por parte da Proteção Civil, dos bombeiros, uma ação coordenada das forças de segurança, de militares, etc, e isto tem de estar previsto”, avisou.Segundo a líder da IL, o país tem de estar preparado para lidar com situações que não se controlam, mas em que se controla a forma como se reage.“Quem é que está a comandar as operações? Quem é que está a garantir que há auxílio às pessoas? Sabemos que os presidentes de Câmara têm feito um trabalho extraordinário, mas os presidentes de Câmara também não conseguem fazer tudo, não têm meios para fazer tudo, e é aí que entra o Estado Central, que entra o Governo”, evidenciou.Para além da resposta tardia, Mariana Leitão diz ainda que o Governo respondeu de forma confusa e “muito desarticulada”.“Ontem [sexta-feira] apareceram lá os ministros todos, mas a fazerem o quê, o que é que está a ser preparado, o que é que está a ser planeado, como é que estão a correr as operações no terreno e quando é que vamos ter as coisas resolvidas? Quando é que vai ser restabelecida a eletricidade, a água, as telecomunicações, não há qualquer previsão de nada e isso é grave”, indicou.A presidente da IL apontou ainda o dedo ao facto de a ministra da Administração Interna ter estado “completamente desaparecida”, quando tem uma responsabilidade acrescida de comunicação para com as populações.“Cada vez que há uma situação com esta gravidade, é ela que deve dar a cara e, de facto, do ponto de vista comunicacional falhou redondamente”, alegou.Mariana Leitão aludiu ainda “a mais um episódio caricato”, agora com o ministro da Defesa, Nuno Melo.“Deslocou-se a um local onde estavam militares a operar e em que, pelos vistos, estiveram lá só para a fotografia e a seguir desmobilizaram completamente. Portanto, é preciso perceber também qual é o nível de envolvimento das nossas Forças Armadas, o que é que estão a fazer, se estão de facto a auxiliar”, questionou.Lusa.O presidente da Câmara de Leiria defendeu hoje que a situação de calamidade devia ter sido declarada “mais cedo” e que deve prolongar-se além de domingo, e criticou a “enorme confusão” na resposta às zonas afetadas pela depressão Kristin.“Aquilo que aconteceu a seguir à tempestade foi uma intervenção que gerou uma enorme confusão em muitas cabeças de quem só pensa em Lisboa, esquecendo-se que o país e a região Centro em especial, onde há muita economia, onde vivem muitas pessoas […], se viu destruída de um dia para o outro”, declarou o autarca Gonçalo Lopes (PS), à margem de uma ação de voluntariado para limpar a cidade de Leiria.O autarca leiriense reforçou que há “prejuízos enormes” na região de Leiria, defendendo que os políticos deviam olhar para os problemas imediatos das pessoas e com maior proximidade, inclusive com a pronta mobilização de militares das Forças Armadas para as zonas afetadas.“E aquilo que eu tenho assistido nos últimos dias é um carrossel de pessoas a vir a Leiria como se um jardim zoológico se tratasse”, criticou.Gonçalo Lopes escusou-se a esclarecer de que políticos se refere, revelando que “não tem a ver com política nem partidária, nem de governo”, e garantindo que não se dirige nem ao Presidente da República, nem ao primeiro-ministro, porque ambos, “desde que tiveram noção de que tinham de intervir e que tinham de estar no terreno, vieram e mobilizaram recursos e estão disponíveis para colaborar com Leiria”.“Tenho o máximo respeito por todos os políticos do Governo, que estão solidários com o Leiria. Vou precisar do Governo para reerguer Leiria. Vou precisar de um Governo forte, sensibilizado e próximo das pessoas […]. Acho ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de água e que se filma para trazer numa carrinhazinha pequenina a ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria”, declarou.Questionado se se refere ao candidato presidencial André Ventura, também líder do partido Chega, o presidente da Câmara de Leiria não confirmou, mas avisou: “Aproveitar o que está a acontecer para fazer campanha, não. É uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas.”Sobre a resposta às zonas afetadas, Gonçalo Lopes afirmou que o decreto de situação de calamidade “devia ter vindo mais cedo e, seguramente, irá prolongar-se durante mais tempo”.Na quinta-feira, o Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de domingo para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.Sem ter a certeza se a vigência da situação de calamidade vai ser prolongada, o autarca de Leiria realçou que tem a “perceção clara” de que é necessário no concelho e na região de Leiria, até porque no domingo se preveem chuvas intensas e, novamente, ventos fortes.“É natural que muitas das estruturas que não estão seguras precisam de mais tempo para podermos intervir. Precisamos de um grau de prontidão que se mantém elevado durante os próximos dias. Leiria tem também um rio que tem sido disciplinado dentro das suas margens e que já galgou as margens”, expôs, enquanto há helicópteros a sobrevoarem a cidade para “ver, mais uma vez os telhados desterrados, o rio a transbordar”.O autarca frisou que, “se houve um primeiro momento em que não houve a noção da dimensão do problema”, agora está mais que identificada a calamidade que a região enfrenta.Neste âmbito, Gonçalo Lopes apelou à população de Leiria que se mantenha unida para reerguer o concelho, assegurando que “não há aqui leirienses de primeira nem de segunda” e reforçando que tem de existir espírito de entreajuda na comunidade.“Isto é um ambiente de guerra”, realçou o autarca, referindo que em Portugal “há pouca gente preparada” para responder a catástrofes naturais desta dimensão e considerando que tem de haver “uma mudança de mentalidade profunda naquilo que é a lógica da proteção civil”, até para responder ao contexto de guerra no mundo.Apesar das dificuldades, o autarca de Leiria manifestou confiante com a recuperação do território: “Acredito perfeitamente que se há um sítio onde Portugal está preparado para reagir melhor ao que aconteceu é o meu concelho.”Lusa.O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu hoje a criação de uma comissão técnica independente para fazer uma avaliação da passagem da depressão Kristin por Portugal continental.Durante uma visita ao parque de campismo da Figueira da Foz, no distrito de Coimbra, Marcelo Rebelo de Sousa justificou a necessidade desta comissão por se tratar de “um desafio novo”.Na sua opinião, terminado o “período crítico de resposta”, deve ser constituída esta comissão, envolvendo Governo e Assembleia da República e "recorrendo a independentes”. “Foi o que aconteceu na altura dos incêndios, para todos os partidos participarem, para haver uma avaliação que não é meramente técnica do funcionamento de um sistema, mas é de avaliação e preparação para o futuro”, frisou.Lusa.As descargas controladas na Barragem do Alqueva foram interrompidas na sexta-feira à tarde, porque o nível de armazenamento foi controlado, mas a operação pode vir a ser retomada nos próximos dias, admitiu hoje o presidente da EDIA.Contactado pela agência Lusa, o presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, José Pedro Salema, indicou que “foi decidido interromper as descargas controladas porque deixaram de ser necessárias para controlar o nível de armazenamento” da albufeira.“Estivemos cerca de 48 horas em descarga e conseguimos controlar o nível de armazenamento da barragem”, sublinhou, alertando, contudo, tratar-se de “uma situação muito dinâmica”.A EDIA está a fazer “um acompanhamento constante da situação e, nos próximos dias, poderá vir a ser necessário voltar a fazer descargas a partir de Alqueva”, disse.Segundo José Pedro Salema, neste acompanhamento que está a ser efetuado, têm que ser avaliados três fatores: “O armazenamento de água, os caudais efluentes [que a barragem está a libertar] e afluentes [que estão a chegar à barragem] e o nível” da água em Alqueva.“Consoante o equilíbrio destas três variáveis, então tomamos esta decisão sobre se temos que libertar mais ou menos água”, explicou.A título de exemplo, o presidente da EDIA referiu que, desde a interrupção das descargas, “o nível de armazenamento já subiu hoje uns quantos centímetros”.”Portanto, agora estamos bem, mas temos que monitorizar constantemente e olhar para isto a cada hora”, reforçou.Nos últimos dias, o paredão de Alqueva foi ‘palco’ de mais visitas de turistas e habitantes da região do que o habitual, que quiseram assistir à quarta operação de descargas controladas na história desta barragem alentejana.Na sexta—feira de manhã, constatou a Lusa no local, o vaivém de viaturas que passavam e estacionavam no coroamento do paredão não parava.Os automobilistas saíam uns minutos, espreitavam pelo paredão, olhavam para os dois gigantes jatos de água vindos da massa de bretão do paredão, tiravam umas fotos e, depois, seguiam caminho.A operação de descargas controladas no Alqueva foi iniciada às 16:00 de quarta-feira, através da abertura dos descarregadores de meio fundo, para responder ao facto de a albufeira se encontrar próxima do Nível de Pleno Armazenamento.Em comunicado divulgado na altura, a EDIA explicou que a operação visou responder “à persistência de caudais afluentes elevados no Sistema Alqueva-Pedrógão, que elevaram os níveis da albufeira para valores próximos do Nível de Pleno Armazenamento”.“Prevê-se um caudal de descarga inicial de 600 metros cúbicos por segundo (m3/s) que, somado ao caudal turbinado, perfaz um caudal lançado total de 1.200m3/s”, informou.A água proveniente das descargas de Alqueva vai seguir até à Barragem do Pedrógão, que já está a descarregar desde o passado dia 21 para o Rio Guadiana.“O caudal descarregado na Barragem de Pedrógão será na ordem dos 1500 m3/s”, revelou a EDIA.A última operação de descargas controladas nesta barragem, situada entre Portel, no distrito de Évora, e Moura, no distrito de Beja, foi efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento (antes disso tinha acontecido por mais duas vezes).A cota máxima da albufeira de Alqueva é a 152, que corresponde a uma capacidade total de armazenamento de 4.150 hectómetros cúbicos de água.Lusa.A Federação Portuguesa de Autismo está a mobilizar esforços para apoiar o CACI e o Lar Residencial da APPDA de Leiria, que sofreram danos significativos devido a este acontecimento, e está a solicitar uma recolha de fundos destinada às obras e à reconstrução das áreas afetadas do edifício.As doações podem ser feitas através do IBAN da APPDA Leiria. NIB: 0007 0000 00727695456 23.A situação de calamidade decretada pelo Governo devido aos danos causados pela tempestade Kristin foi hoje publicada em Diário da República, abrangendo os 60 concelhos onde a devastação foi maior.No texto, o Governo sublinha que além da perda irreparável de vidas humanas, o fenómeno extremo causou “danos significativos” em habitações, infraestruturas críticas, equipamentos públicos, empresas, instituições sociais, bem como em património natural e cultural, além de “perturbações prolongadas” no fornecimento de água, eletricidade e comunicações durante um período alargado, que afeta significativamente as condições de vida das populações de vários concelhos da região Centro.A situação de calamidade, abrange o período compreendido entre as 00h00 do dia 28 de janeiro de 2026 e as 23h59 do dia 01 de fevereiro de 2026, para os seguintes concelhos: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Batalha, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cantanhede, Castanheira de Pera, Castelo Branco, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Constância, Covilhã, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Góis, Golegã, Idanha-a-Nova, Leiria, Lourinhã, Lousã, Mação, Marinha Grande, Mealhada, Mira, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Nazaré, Óbidos, Oleiros, Ourém, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penacova, Penamacor, Penela, Peniche, Pombal, Porto de Mós, Proença-a-Nova, Rio Maior, Santarém, Sardoal, Sertã, Soure, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vagos, Vila de Rei, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Poiares e Vila Velha de Ródão.O diploma autoriza os membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia e da administração interna a identificar, por despacho, outros concelhos não abrangidos pela zona de impacto da ciclogénese explosiva, que sofreram efeitos graves da tempestade Kristin, como os decorrentes de cenários de cheia, ouvida a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) territorialmente competente, e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).“A presente resolução não prejudica, nem afasta a responsabilidade das seguradoras, decorrente de eventuais contratos de seguro, nos termos do disposto no artigo 61.º da Lei de Bases da Proteção Civil”, especifica-se na resolução aprovada em Conselho de Ministros.Fica determinado um levantamento urgente dos danos provocados pela tempestade e a manutenção do “elevado grau de prontidão e mobilização” de equipas de emergência médica, de saúde pública e apoio social, pelas entidades competentes das áreas da saúde e da segurança social.Esta declaração prevê a dispensa de serviço ou a justificação das faltas dos trabalhadores, do setor público ou privado, que desempenhem cumulativamente as funções de bombeiro voluntário ou de voluntário na Cruz Vermelha Portuguesa, salvo aqueles que desempenhem funções nas Forças Armadas, nas Forças de Segurança e na ANEPC, bem como em serviço público de prestação de cuidados de saúde em situações de emergência, nomeadamente técnicos de emergência pré-hospitalar e enfermeiros do Instituto Nacional de Emergência Médica.A situação de calamidade aciona as estruturas de coordenação política e institucional territorialmente competentes e implica a ativação automática dos planos de emergência de proteção civil do respetivo nível territorial, no termos do diploma.A medida produz efeitos imediatos.Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros na quinta-feira, o ministro da Presidência, Leitão Amaro referiu que a circunstância atual justifica “a excecionalidade” nos processos de contratação publica, que é agilizada “por razão de urgência”.Lusa.A Câmara de Oleiros, no distrito de Castelo Branco, disponibilizou hoje as instalações da residência de estudantes à população que necessite de banhos ou carregar telemóveis.Segundo uma nota da autarquia, todos os interessados podem recorrer às instalações da residência de estudantes na vila de Oleiros para tomar banho ou para carregar os seus telemóveis, a partir de hoje, entre as 9:00 e as 20:00.Esta decisão surge na sequência da persistência da falha no fornecimento de energia elétrica em todo o concelho de Oleiros.Lusa.A Cruz Vermelha Portuguesa vai instalar, no Pavilhão Municipal de Pombal, uma zona para acolher temporariamente até 100 pessoas desalojadas devido à tempestade, e uma estrutura no Estádio Municipal de Leiria para apoiar os operacionais no terreno.Em comunicado, a organização explica que a estrutura instalada em Pombal, com capacidade para uma centena de pessoas, permitirá dar resposta a situações de desalojamento temporário, garantindo abrigo, apoio humanitário básico e o encaminhamento das pessoas afetadas em articulação com as autoridades locais e a Proteção Civil.No Estádio Municipal Doutor Magalhães Pessoa, em Leiria, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) vai instalar uma estrutura móvel com capacidade para 150 pessoas, que dará apoio aos operacionais que estão a trabalhar no terreno.Aquele espaço servirá de abrigo para descanso programado e rotatividade das equipas dos bombeiros, proteção civil municipal, forças de segurança, equipas logísticas e voluntários.Durante a manhã de hoje, a CVP deverá também receber cerca de 3.000 lonas, disponibilizadas em articulação com a Cruz Vermelha Espanhola, para apoio imediato às estruturas habitacionais afetadas.O material será entregue na Plataforma Logística de Emergência Nacional da CVP, em Souselas (Coimbra), e distribuído em articulação com a Proteção Civil, priorizando as famílias em situação de maior vulnerabilidade.Na resposta à crise provocada pela depressão Kristin, a organização humanitária vai ativar também o Programa de Restabelecimento de Laços Familiares, para apoiar pessoas que ficaram sem contacto com familiares, ajudando a restabelecer comunicações, localizar familiares e facilitar a reunificação familiar, em coordenação com as estruturas oficiais no terreno.Foi igualmente ativado o Fundo Nacional de Emergência, através da plataforma “Portugal Precisa de Si”, disponível na página oficial da CVP, onde serão centralizados os apoios e direcionados para as necessidades mais urgentes identificadas no terreno.Lusa.O Exército tem estado no terreno no apoio às populações, empenhando “meios de engenharia, energia, apoio logístico e acolhimento, assegurando ações de limpeza e desobstrução de itinerários, reposição de condições de mobilidade e apoio a infraestruturas essenciais”.Nos últimos dias foram mobilizados Destacamentos de Engenharia para Ferreira do Zêzere, e Marinha Grande e Vieira de Leiria, com a missão, sobretudo, de limpeza de itinerários e estradas, tendo ainda sido empenhados três módulos de energia com geradores, em Alvaiázere. Em Tomar o Exército prestou apoio aos bombeiros e ao município. . Para este sábado, além da manutenção das operações em curso, prevê-se “a mobilização de sete equipas de intervenção para a região de Tomar e seis equipas de intervenção com motosserra para a região de Ferreira do Zêzere, com viaturas todo-o-terreno Hilux”, “encontrando-se ainda em fase de mobilização cinco geradores, dos quais três geradores de 150 kVA e dois geradores de 250 kVA”.“O Exército prevê manter o dispositivo em prontidão e, em função das necessidades sinalizadas pelas autoridades competentes, continuar a incrementar e mobilizar meios, estando disponíveis três Destacamentos de Engenharia, oito módulos de energia, capacidade de 1.000 alojamentos (pax) distribuída por 10 unidades militares, 17 equipas de limpeza e desobstrução, dois módulos de alojamento (100 pessoas cada), um módulo de alimentação (100 pax) e nove equipas de motosserristas”, indica a nota.“O Exército continuará a prestar apoio às populações enquanto se mantiverem as condições que o justifiquem, em coordenação com as entidades responsáveis pela proteção e socorro, reforçando meios sempre que necessário”, conclui o ramo das forçadas..O furto de cabos e de gasóleo de geradores tem afetado a reposição do abastecimento de água no concelho de Porto de Mós, no distrito de Leiria, disse hoje o vereador Eduardo Amaral, que manifestou revolta.“É mesmo revoltante. Depois de uma catástrofe natural, quando as pessoas já estão fragilizadas e a tentar sobreviver, ainda ter de lidar com esse tipo de atitude é de cortar o coração. Roubar cabos e gasóleo não é só roubo, é tirar luz, água, cuidados médicos e segurança a quem mais precisa”, escreveu Eduardo Amaral nas redes sociais, onde publicou fotografias.À agência Lusa, o autarca explicou que furtaram “cabos de alimentação dos geradores que estavam a servir as centrais de transferência de água” e “têm andado a roubar o gasóleo dos próprios geradores”.A última situação ocorreu esta noite em Casais de Matos, na freguesia de Calvaria, e afetou a população da sede do concelho, Juncal e Pedreiras.“Isto era na central de captação, onde a água depois é bombeada para os outros depósitos. Cortaram a fonte de alimentação”, esclareceu o vereador, referindo que a autarquia teve de recorrer a serviços externos para a instalação de novos cabos, já executada.Eduardo Amaral explicou que o município tem colocado “geradores nas estações de bombagem de água, para poder alimentar toda a rede de distribuição”.“Ainda não conseguimos ter abastecimento total, estamos ainda à procura de mais alguns geradores, para ter a estrutura completa a funcionar”, adiantou.A situação foi reportada à Guarda Nacional Republicana.“Já fizemos a comunicação às autoridades, para ver se também começam a ter um patrulhamento junto destes geradores que temos colocado”, que são cerca de 15 para assegurar o abastecimento de água, acrescentou.Lusa.A presidente da Câmara Municipal de Coimbra revelou à CNN Portugal que pediu ao Governo “para manter na próxima semana” o estado de calamidade na região e explicou que estão a ser feitas descargas controladas na barragem da Aguieira para impedir inundações em zonas urbanas.“A nossa barragem é a da Aguieira. Está completamente cheia e temos estado a fazer descargas controladas. Temos cheias controladas. A preocupação é, com a APA, irmos monitorizando, hora a hora, este caudal. A nossa maior preocupação é a partir de domingo à noite, há a previsão de muita chuva. Estamos a trabalhar com juntas de freguesias e IPSS, a retirar animais do canil, avisei para não se estacionar e circular à beira-rio. Bombeiros e GNR estão a fazer monitorização. Hoje e amanhã não há esse risco e estamos a aproveitar para esvaziar a barragem, para criar capacidade de encaixe. Com a chuva poderá não ser suficiente. Felizmente ou infelizmente, a população destas zonas já está habituada. Já sabemos, em caso de emergência maior, onde colocar as pessoas que estão em lares. Não temos falta de informação”, afirmou Ana Abrunhosa.A autarca contou que em Coimbra ainda há “milhares de pessoas sem energia elétrica”, mas reconhece que o município que preside não é o mais afetado. “Leiria, Marinha Grande, Pombal e a zona de Castelo Branco foram muito afetadas. Sem energia elétrica, não há bombagem da água. A queda de árvores também provocou queda de postes de alta tensão. É muito perigoso cortar árvores quando estão emaranhadas nos fios elétricos. A maior preocupação neste momento é a falta de energia elétrica”, frisou, salientando que a “prioridade é salvar vidas e animais”. .O presidente da Câmara Municipal de Leiria elogiou esta manhã o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que "sempre acompanhou os problemas da região", desde Pedrógão Grande à depressão Leslie, mas não poupou críticas quanto à resposta que está a ser dada à devastação que a depressão Kristin trouxe à região. "Há um sentimento de quem deve intervir no território deve trazer soluções. Quem é que acha que está a apresentar soluções", disse Gonçalo Lopes aos jornalistas. "Os meus colegas autarcas têm sofrido na pele aquilo que é a dificuldade de dar resposta. Nós temos que ter todos os recursos disponíveis a nível nacional para acudir à maior catástrofe registada desde a última década em Portugal".O autarca considera que "não é preciso alguém pedir para o exército ir para o terreno, não é preciso a Proteção Civil pedir ao Ministro da Defesa para pôr pessoas no terreno. Porque quem está atento não precisa de ordem de ninguém para estar na linha da frente". Gonçalo Lopes também criticou o aproveitamento político da situação. "Aproveitar o que está a acontecer para fazer campanha, não. É uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas e usar o que está a acontecer para dar um gesto de dádiva acho que é inqualificável do ponto de vista político para quem está na linha da frente", disse o autarca, sem mencionar nomes."A situação que estamos a viver obriga à ação, obriga à determinação, obriga a meios e à presença. Se houve um primeiro momento em que não houve a noção do problema, agora que há consciência, estão aí os helicópteros a voar para verem mais uma vez os carros soterrados, os rios a transbordar, acho que está mais do que identificada a calamidade que está a afetar a nossa região".O autarca disse há animais a morrerem em capoeiras, estufas arrasadas e grandes empresas, como a Roca, que vão estar encerradas "semanas a fio"e "não vão conseguir cumprir com as suas obrigações". Além de pessoas individuais "sem comunicações e sem tomar banho há mais de dois dias, e a informação que me dão é que não sabem quando é que vamos ter eletricidade no meu concelho". .O Presidente da República está na Figueira da Foz, onde foi recebido pelo presidente da autarquia, Pedro Santana Lopes, que descreveu a Marcelo os acontecimentos daquela madrugada que deixaram um rasto de destruição no concelho, incluindo a queda da roda gigante na marginal daquela cidade.Refazer a rede de alta tensão demora o seu tempo, apontou Marcelo. Não é só reparar a rede é reconstrui-la, reforçou também Santana Lopes. Marcelo diz que com estas catástrofes o país está a aprender a preparar-se para "prevenir antes de reagir". A gestão das barragens foi feita "ao milímetro" desde o dia 28, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa. .Cerca de 211 mil clientes da E-Redes continuavam este sábado, às 6h00 sem luz em Portugal continental, a maior parte na zona de Leiria, na sequência da depressão Kristin na madrugada de quarta-feira.Comparativamente ao balanço feito pela E-Redes esta sexta-feira às 22h00 (hora de Portugal continental), há agora mais 23 mil clientes com energia elétrica.Do total de clientes que estavam este sábado sem luz, a maior parte é da zona de Leiria, no total de 169 mil (eram 180 mil no último balanço de sexta-feira).Os restantes clientes sem luz encontravam-se nas zonas de Santarém (12.900 clientes sem luz), Portalegre (10.400), Coimbra (8.200) e Castelo Branco (8.000).Os clientes da E-Redes correspondem a pontos de entrega de energia como habitações, empresas ou lojas com ligação elétrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afetadas.Lusa .O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) realizou uma inspeção técnica ao talude exterior do dique do rio Mondego, na zona sob o tabuleiro da Autoestrada 1, e concluiu que, neste momento, não há qualquer fenómeno de instabilidade ou insegurança estrutural.Em comunicado, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) explicou que esta inspeção surgiu depois de as autoridades locais terem relatado o aparecimento de ressurgências com alguma expressão no talude exterior do dique do rio Mondego regularizado, na zona sob o tabuleiro da Autoestrada A1.A inspeção, realizada na sexta-feira, às 17h30, “permitiu concluir que não se encontra, em curso, neste momento qualquer fenómeno de instabilidade ou insegurança estrutural”.Contudo, face à possibilidade de subidas do nível da água do rio, o LNEC recomendou, como medida preventiva, a instalação de sistemas de filtragem destas ressurgências com recurso a sacos de areia, que serão colocados em todas as juntas onde se verifica a saída de água.“As entidades competentes continuam a acompanhar permanentemente a situação, apelando para que se mantenha a tranquilidade, siga as orientações da Proteção Civil e se mantenha informada através dos canais oficiais”.Ana Abrunhosa, presidente do município de Coimbra, já tinha informado que a Proteção Civil municipal estava a monitorizar em contínuo a situação, estando a barragem da Aguieira a efetuar descargas controladas.Também o comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores, Paulo Palrilha explicou que as infraestruturas que permitem descarregar água do canal central do rio para os campos agrícolas, a jusante da ponte-açude, “estão todas em boas condições e a funcionar”.O rio Mondego possui quatro descarregadores para a margem direita: um dique fusível na zona da mata do Choupal, em Coimbra, a funcionar desde a manhã de sexta-feira, que permite escoar até 200 m3/s e três diques sifão (cada um com capacidade de descarga idêntica ao dique fusível) colocados a jusante daquele, rio abaixo.A descarga de água para os campos de Coimbra e Montemor-o-Velho, embora possa potenciar uma inundação na planície agrícola, insere-se na obra hidráulica do Mondego e permite retirar pressão sobre o leito central e garantir que o rio não galga ou parte as margens (diques) do canal artificial por onde corre até à Figueira da Foz.O presidente da autarquia de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, notou que a gestão dos caudais “está a ser controlada” pelas autoridades, não antecipando problemas mais graves do que a eventual inundação de zonas habitualmente afetadas pela subida das águas, situação que tem levado a sucessivos alertas do município que dirige.“Se tudo funcionar como deve ser [na obra hidráulica], se os descarregadores funcionarem, não deverão existir problemas graves”, como o rebentamento dos diques do canal central - o que sucedeu em 12 locais em 2001 e em dois locais, um no canal central e outro no leito periférico direito nas cheias de 2019 - “porque o rio tinha muita madeira e os descarregadores estavam entupidos”, explicou o autarca.Lusa.O comandante distrital de Leiria da PSP disse este sábado não haver registo de saques ou pilhagens, alertou para tentativas de burla e apelou à população para contactar com esta força de segurança em caso de necessidade.“O nosso foco neste momento é, claramente, o cidadão. Procurar dar as melhores informações para que [os cidadãos] estejam totalmente esclarecidos sobre como é que se está a desenrolar a vida na cidade, designadamente a localização das farmácias, dos Multibancos, dos supermercados que estão abertos e, eventualmente, todas as informações que precisarem sobre familiares” e outras, afirmou à agência Lusa Domingos Urbano Antunes.O comandante distrital da Polícia de Segurança Pública pediu às pessoas que “mantenham o contacto permanente com a Polícia sempre que sentirem essa necessidade, designadamente de movimentações suspeitas ou abordagens de pessoas suspeitas”.“Nestas ocasiões, apesar de não termos tido registo de tentativas de burla, são situações que o padrão indica que, muitas vezes, há estes aproveitamentos”, avisou, pedindo aos cidadãos que estejam “muito cautelosos sobre essas aproximações”.Domingos Urbano Antunes exemplificou com casos de peritagens de seguro, ofertas de trabalho de empresas para reconstrução e falsos familiares.“É necessário que todos nós estejamos despertos para esta situação e que possam logo denunciar isso à Polícia”, insistiu.Ainda neste âmbito, foi feito um reforço da segurança noturna “com recurso a Equipas de Prevenção e Reação Imediata” da PSP.No caso concreto da cidade de Leiria, a PSP está a garantir a mobilidade, o que “é fundamental, sobretudo naquelas zonas onde houve desabamentos e que é preciso operações de limpeza contínuas” e, por isso, fazer cortes de via, esclareceu.“Por outro lado, estamos a permitir todos os corredores de fornecimento de bens essenciais, quer para o fornecimento de supermercados, quer também dos combustíveis essenciais aos geradores para o funcionamento das instituições críticas”, como centro de saúde, lares de idosos ou hospitais, salientou o comandante distrital.Lusa.A circulação na Estrada Nacional 375 continua interrompida na freguesia de Colares, concelho de Sintra, na sequência da tempestade Kristin, disse este sábado à agência Lusa fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Além da Estrada Nova da Rainha (EN375) verificam-se outras situações pontuais em vias secundárias. .A circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa foi retomada, informou a CP em nota publicada no seu site. Mantêm-se suspensos alguns serviços como o da Linha do Norte e comboios urbanos de Coimbra.Quanto às outras linhas afetadas pela depressão Kristin, a empresa diz que "apesar de todos os esforços", ainda não foi possível retomar a circulação ferroviária e que não há previsão de retoma.Mantém-se suspensa a circulação nos comboios urbanos de Coimbra, na Linha do Norte entre Braga e Lisboa, na Linha do Douro entre Régua e Pocinho, na Linha da Beira Alta (supressão do serviço intercidades), no serviço regional entre Coimbra B e Entroncamento e na Linha do Oeste.Também está suspensa a venda para viagens em comboios Alfa Pendular e Intercidades na Linha do Norte este sábado, dia 31, e domingo..A Câmara da Batalha está a distribuir avisos em papel porta-a-porta à população, dadas as dificuldades de comunicações, disse à agência Lusa o presidente do município, que promove este sábado uma ação de voluntariado para limpar o concelho.“Ontem [sexta-feira], como não havia comunicação em todo o concelho, fizemos esse papel, distribuição de flyers de informação. Obviamente que não conseguimos chegar ao concelho todo, mas fizemos essa distribuição junto das infraestruturas comerciais e no porta-a-porta”, afirmou André Sousa à Lusa.No "Aviso à população” é possível ler o ponto de situação relativamente aos abastecimentos de água e eletricidade, e da rede móvel e internet. Também há informação sobre locais para banhos quentes, carregamento de telemóvel e acesso a wi-fi, localização das caixas Multibanco em funcionamento e do local para exercício do voto antecipado em mobilidade.“Hoje, já há parte do concelho com infraestruturas [de telecomunicações] móveis, no entanto vamos continuar a fazer [a distribuição dos avisos], sobretudo na freguesia do Reguengo do Fetal e na freguesia de São Mamede, onde ainda não há tanta iluminação e não há tantas infraestruturas básicas de telecomunicações e, sobretudo, na população mais idosa”, adiantou o autarca..Vários distritos de Portugal continental mantêm-se entre este sábado, dia 31 de janeiro, e segunda-feira com vários avisos devido à agitação marítima, chuva, vento fortes e queda de neve, indicou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).Os distritos do Porto, Viana do Castelo e Braga estiveram sob aviso vermelho até às seis horas deste sábado devido à ondulação - prevendo-se ondas de oeste/noroeste com sete a oito metros, podendo atingir 14/15 metros de altura máxima -, passando depois a laranja até às 21 horas..Também os distritos de Faro, Setúbal e Beja estão a laranja até às 15 horas, passando depois a amarelo devido a agitação marítima forte. Lisboa, Leiria e Aveiro estão a laranja até às 21 horas deste sábado, passando depois a amarelo.O IPMA emitiu também aviso amarelo para Porto, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga entre as 21 horas de domingo e as três horas de segunda-feira, devido ao vento forte com previsão de "rajadas até 80 quilómetros por hora".Pela mesma razão, o sinal amarelo foi emitido para Setúbal e Beja entre as meia-noite e as 6h00 de segunda-feira e, no caso de Faro, o aviso estende-se até às 9h00.Todos os distritos de Portugal Continental vão estar sob aviso amarelo devido à chuva, por vezes forte, até às 06h00 de segunda-feira: Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e Aveiro (a partir das 15h00 de domingo); Coimbra (desde as 18h00 de domingo); Santarém, Bragança, Guarda, Lisboa, Leiria e Castelo Branco (a partir das 21h00 de domingo) e Portalegre, Évora, Faro, Setúbal e Beja (com início às 00h00 de segunda-feira).O IPMA colocou ainda os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Braga a amarelo por causa da queda de neve até às 6h00 de hoje e, num segundo momento, entre as 12h00 e as 23h00 de segunda-feira.Guarda e Castelo Branco estão este sábado, pelo mesmo motivo, com sinal amarelo até às 9h00 e, na segunda-feira, entre as 6h00 e as 23h00.O aviso vermelho é emitido pelo IPMA nos casos de situação meteorológica de risco extremo. Já o aviso laranja indica uma situação meteorológica de risco moderado a elevado e o amarelo risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.O Governo decretou situação de calamidade entre às 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios.Lusa