Rankings revelam média negativa nos exames em seis concelhos

Com processo de descentralização generalizado, ministro da Educação avisa autarcas sobre assimetrias. Escolas de pequena e média dimensão melhoram resultados.

O número de escolas com média negativa nos exames aumentou de 10 (1,6%) para 27 (4,2%) em 2021, mas ainda está longe das 120 (20%) que tiveram um resultado abaixo de 9,5 valores em 2019. Desde 2020, as provas só são feitas para acesso ao Ensino Superior. Em termos regionais, seis concelhos registaram média negativa e 12 classificação acima de 13 valores. Com o processo de descentralização em velocidade cruzeiro, o ministro da Educação avisou os autarcas de que devem "olhar para os resultados" porque há "assimetrias que persistem".

"Pobreza não é fatalismo", frisou João Costa num encontro com jornalistas sobre os dados do portal Infoescolas. O ministro defendeu que o indicador "Equidade", que avalia o percurso dos alunos abrangidos pela Ação Social Escolar permite "avaliar a qualidade do trabalho das escolas". No topo desta tabela estão as regiões do Alto Minho e do Ave que também são as que têm melhores percentagens de conclusão do Secundário em três anos.

O ranking feito a partir das notas dos exames continua liderado por colégios, com 37 escolas públicas a intrometerem-se entre os 100 primeiros lugares, sendo nove do distrito do Porto, seis de Aveiro, quatro de Viana do Castelo; Braga, Coimbra e Lisboa colocaram três escolas no topo.

Quer saber em que lugar ficou a sua escola? CLIQUE AQUI

Pequenas e sobrelotadas

Para o ministro, os resultados regionais confirmam que o "elevador social" está a funcionar e só vai "acelerar" se o combate às desigualdades continuar o foco das políticas educativas.

Para o presidente do Conselho das Escolas há realidades impossíveis de transpor para as estatísticas. Por exemplo, aponta António Castel-Branco, o número de alunos e de professores é determinante para os resultados. Diretores que se destacaram, nos exames ou "Equidade", ouvidos para este suplemento, sublinham como fundamental para o sucesso terem escolas "de pequena ou média dimensão" que permitem apoios individualizados. Um contexto distinto de escolas sobrelotadas penalizadas com a falta de professores, frisa António Castel-Branco.

O destaque das escolas do Norte Litoral não é surpresa para o coordenador do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar. A evolução registada nos últimos anos resulta, defende José Verdasca, da implementação de planos inovadores e de combate ao insucesso, financiados por fundos comunitários, que envolveram não só as escolas mas as comunidades.

As escolas da região do Alto Minho, que foram afetadas pelo desemprego e pobreza a partir da década de 80 do século passado, "têm vindo a trabalhar precocemente no combate ao abandono e insucesso", frisa Ariana Cosme, professora da Universidade do Porto. A colaboração com as autarquias e instituições do Ensino Superior foi determinante na "criação de projetos educativos coerentes e distintivos".

alexandra.inacio@jn.pt

CRITÉRIOS DO RANKING DN/JN 1. Alunos internos. O ranking das escolas tem por base os resultados da primeira fase de exames dos alunos internos do Ensino Secundário. 2. Número de exames. Foi definido como critério base para elaboração do ranking a nota das dez disciplinas com o maior número de exames: Português, Matemática A, Biologia e Geologia, Física e Química A, Geografia A, História A, Filosofia, Economia A, Inglês e Matemática Aplicada às Ciências Sociais 3. Médias de exame. A classificação é obtida a partir da média das notas de exame às dez disciplinas escolhidas, mas apenas são incluídas as escolas com pelo menos 10 exames, seja no ranking geral, seja no ranking de cada disciplina.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG