PSP quer dissuadir alunos de uso de armas brancas

"Há um aumento do recurso a armas brancas e portanto, nós queremos ajudar os nossos jovens a compreender que isso muitas vezes é um perigo acrescido ao invés de uma proteção", diz Hugo Guinote, responsável na Polícia de Segurança Pública pelo programa Escola Segura.

A prevenção da delinquência juvenil, nomeadamente a dissuasão ao recurso a armas brancas por parte dos jovens, é uma das temáticas que a PSP vai abordar este ano letivo nas escolas, revelou à Lusa o responsável pela Escola Segura.

"Para este ano letivo, a PSP reviu o seu portfólio de ações de sensibilização e vai introduzir duas novas temáticas. Uma passa pela adoção de comportamentos de autoproteção nas viagens de finalistas e outra vai ser a prevenção da delinquência juvenil e, em concreto, a dissuasão ao recurso a armas brancas por parte dos jovens", avançou Hugo Guinote, responsável na Polícia de Segurança Pública pelo programa Escola Segura.

O intendente, que falou à Lusa a propósito dos 30 anos da Escola Segura, disse que a realização destas ações "não resultam necessariamente" dos dados que constam do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2021, mas sim devido ao aumento do uso de armas brancas pelos jovens, "não tanto no espaço escolar", mas nas zonas de diversão noturna.

"Aquilo que nos preocupa é a deteção de armas, mas não tanto no espaço escolar, embora isso também aconteça, mas as nossas operações de fiscalização nas zonas de diversão noturna vão notando isso, que há um aumento do recurso a armas brancas e portanto, nós queremos ajudar os nossos jovens a compreender que isso muitas vezes é um perigo acrescido ao invés de uma proteção", sublinhou.

Segundo o RASI de 2021, a criminal grupal subiu 7,7% no ano passado e a delinquência juvenil 7,3% em relação a 2020, o que levou a criar uma equipa para avaliar este aumento.

Hugo Guinote disse que a PSP está atenta a esta realidade, "não apenas pelo recurso a armas dentro dos estabelecimento de ensino, mas sobretudo pela generalização" que a polícia se vai apercebendo e pela forma como "os jovens vão interiorizando ser normal ter uma arma branca quando vão sair à noite".

"Daí ser uma das temáticas que vamos introduz este ano letivo", disse, frisando que a PSP quer dar uma resposta logo quando surge os primeiros sinais de que esse comportamento está a ser desenvolvido no país.

A PSP registou cerca de 3.300 ocorrências nas escolas, 2.300 das quais criminais, durante o último ano letivo, um aumento em relação aos últimos dois anos, marcados por confinamentos provocados pela pandemia de covid-19, mas inferiores a 2019.

Segundo o responsável, a PSP registou, no último ano letivo, aproximadamente 75 ocorrências com o uso de armas brancas, uma subida em comparando com antes da pandemia.

"Aumentou a deteção de armas no interior de estabelecimentos escolares", disse, ressalvando que a maior parte das ocorrências no último ano letivo são as ofensas à integridade física simples, seguido das ameaças e injúrias.

De acordo com Hugo Guinote, as ofensas à integridade física, que são as agressões e empurrões, estão a diminuir nas escolas, enquanto as ameaças e as injúrias estão a aumentar.

"Quando comparamos as ocorrências registadas no ano letivo 2021/2022, com as ocorrências registadas no ano letivo 2018/2019, o último antes do período da pandemia, temos uma estabilização do número de ocorrências reportadas por ofensas à integridade física simples. Com exceção dos anos da pandemia, as ofensas à integridade física vêm numa trajetória descendente nos últimos dez anos", afirmou.

Cerca de dois terços das 3.300 ocorrências registadas pela PSP aconteceram no interior da escola.

No ano letivo 2021/2022, a PSP efetuou mais de 10.500 ações de sensibilização nas escolas que chegaram a 55.000 alunos, sendo as temáticas mais abordadas a segurança rodoviária, 'cyberbullying', comportamentos de autoproteção no espaço digital.

O programa Escola Segura da PSP chega a 3.100 escolas, envolvendo um total de 150.000 professores e pessoal não docente e mais de 900.000 alunos.

Prevenir e erradicar comportamentos de risco

O responsável precisou que a Escola Segura, que agora completa 30 anos, é o programa mais antigo de policiamento de proximidade que existe no país, esclarecendo que "não é exclusivo das forças de segurança" e que assenta numa parceria entre as escolas, comunidade educativa e polícias.

"Tudo aquilo que é feito é sempre em conjunto entre polícias e professores, pais, auxiliares e, sobretudo, alunos", afirmou, frisando que o programa tem os objetivos genéricos definidos há 30 anos.

Os principais objetivos são, segundo Hugo Guinote, "prevenir e erradicar a ocorrência de comportamentos de risco ou comportamentos ilícitos nas escolas e nas áreas envolventes e promover uma cultura de segurança nas escolas e fomentar o civismo e cidadania".

"Estes são os objetivos gerais do programa. Depois, o que vai variando são as temáticas que nós vamos trabalhando, porque elas têm que ser dinâmicas e acompanhar a própria evolução da sociedade, aquilo que vão sendo as preferências ou as fragilidades dos alunos", disse.

O mesmo responsável salientou que os objetivos do Programa Escola Segura constam de uma portaria definida há 30 anos e "não precisa de ser alterada", porque "dão às forças de segurança e às escolas a latitude suficiente para poderem definir e adaptar as prioridades de intervenção à realidade".

"A realidade, em alguns locais do país, é diferente. As prioridades em algumas escolas podem ser diferentes de outras. Por exemplo, a prioridade de uma escola do primeiro ciclo é necessariamente diferente de uma escola que tem o secundário e nós temos que ter a capacidade de nos ir adaptando", realçou.

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