Até ao final do ano a Polícia Judiciária (PJ) vai inaugurar, na sede em Lisboa, um novo centro de perícias digitais que terá, até 2027, mais de uma centena de técnicos especialistas..O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo diretor nacional da PJ, Luís Neves, na sua intervenção durante um almoço-debate promovido pelo Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), sinalizando que, quando a atual direção tomou posse, em 2018, havia apenas 13 peritos digitais em funções - o que significa que crescerão oito vezes mais..Este centro, que se deverá chamar "Laboratório Digital Forense", será um "upgrade" da atual Unidade de Perícias Tecnológicas e Informáticas, prevista da lei orgânica . Luís Neves assinalou a importância deste tipo de perícias em várias áreas da investigação criminal, como o cibercrime, o tráfico de droga, ou a corrupção e reconheceu a dificuldade e a demora em obter resultados quando estes técnicos eram em número muito reduzido.."Lembro-me de uma vez que tínhamos dois telemóveis de um arguido que tinham de ser desencriptados e um deles demorou mês e meio porque teve de ir viajar", contou, para explicar que por vezes têm de recorrer a serviços externos internacionais. "Questionámo-nos porque tinha de ser assim, se éramos menos que os outros?", disse..O diretor nacional da PJ descreveu em detalhe a estratégia de recuperação de recursos humanos e meios materiais que a sua equipa desenvolveu e que permitiu que o governo aprovasse uma portaria que autoriza uma admissão de 150 novos inspetores por ano, até 2027, juntamente com especialistas de polícia científica que, ao ritmo de 50 admissões anuais, atingirão 250 nesse ano, o maior número de sempre..O sucesso da PJ nas candidaturas a financiamentos europeus de projetos na área da inovação tecnológica - um pelouro da diretora nacional adjunta Luísa Proença - foi outra das áreas destacadas..Desde 2019 entraram na PJ cerca de 49 milhões de euros de verbas para 76 projetos, dos quais foram criadas "80 ferramentas digitais" com parcerias nacionais e internacionais, bem como com os três ramos das Forças Armadas. "São ferramentas digitais que ficam ao dispor do Estado", sublinhou Luís Neves..Numa intervenção muito otimista, o diretor nacional, recordou que, em 2018 havia apenas 968 inspetores na PJ, com 52 anos de média de idades. "Em 15 anos a inflação subiu 28% e o nosso orçamento diminuiu 2%. A PJ estava à mercê. A ação era reativa, não podia ser proativa, porque não havia meios. Decidimos que não íamos ser os coveiros desta instituição", afiançou.