PGR e Força Aérea confirmam investigação sobre caça ilegal no campo de tiro de Alcochete

Esta investigação já decorre "há mais de seis meses", revelou a Polícia Judiciária Militar, sem adiantar mais pormenores, alegando que "o processo se encontra em segredo de Justiça".

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou esta quinta-feira a existência de um inquérito em curso sobre um caso de alegada caça ilegal no campo de tiro de Alcochete, no distrito de Setúbal, sob a tutela do Estado-Maior da Força Aérea.

Em resposta escrita enviada à agência Lusa, a PGR adiantou apenas que o inquérito está a ser conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e que a investigação se encontra "sujeita a segredo de justiça", sem revelar por agora mais informações sobre a notícia esta quinta-feira avançada pela CNN Portugal.

Também a Polícia Judiciária Militar (PJM), através do porta-voz Marco Ermidas, indicou à Lusa que os suspeitos envolvidos são "militares e não militares".

Esta investigação já decorre "há mais de seis meses", acrescentou, sem adiantar mais pormenores, alegando que "o processo se encontra em segredo de Justiça".

Também a Força Aérea confirmou a investigação, através de um comunicado enviado às redações. O ramo das forças armadas refere que tem colaborado, de forma "empenhada e interessada na descoberta da verdade", com as autoridades judiciárias.

A Força Aérea explica que, "no Campo de Tiro, devido à sua natureza e à proteção conferida pela condição de unidade militar, é característica a proliferação de espécies cinegéticas que, quando atingem valores muito elevados, provocam risco para as atividades operacionais".

"O aumento descontrolado de algumas destas espécies cinegéticas tem provocado desequilíbrios ecológicos que, além de poderem levar à redução e eliminação de outras espécies, causam prejuízos diversos nas instalações e áreas do Campo de Tiro. Verifica-se, assim, a necessidade permanente de controlo da densidade de algumas espécies cinegéticas para manter este equilíbrio ecológico, não só nos próprios terrenos da Unidade, mas também nas áreas adjacentes que sofrem o impacto da elevada densidade de algumas espécies. Por forma a realizar estes controlos tem-se recorrido a ações de correção de densidade de espécies cinegéticas, exclusivamente javalis, por forma a prevenir e minimizar danos na fauna e perturbação na atividade operacional, revestindo-se estas ações de caráter excecional", pode ler-se na nota, onde é revelada que "foram submetidos ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) diversos pedidos, tendo sempre sido autorizados, o que permitiu a realização de ações de correção de densidade de javalis, sempre comunicadas às entidades competentes e garantido o cumprimento do estipulado na legislação aplicável, relativamente ao ato cinegético".

Segundo a CNN Portugal, em causa estão "suspeitas de corrupção, além de outros crimes, investigados a partir de uma pista relacionada com eventos de caça, semiclandestinos, realizados em plena reserva militar do Campo de Tiro de Alcochete, sob a tutela do Estado-Maior da Força Aérea".

Este órgão de comunicação social noticia ainda que a investigação "partiu de denúncias internas" e "aponta para favorecimento, ao mais alto nível, a empresários que são convidados para caçadas, acompanhados de altas patentes militares, nomeadamente generais".

De acordo com a CNN Portugal, além dos indícios de que aquela atividade ali ocorre "à revelia do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas", existem "suspeitas de contrapartidas financeiras para os responsáveis militares, uma vez que os convidados em causa gerem empresas que têm contratos públicos celebrados com as Forças Armadas".

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