Papa lança reforma da Opus Dei

O documento papal, entra em vigor a partir desta quinta-feira e "reduz o poder e a independência" da poderosa organização dentro da Igreja, segundo especialistas em religião.

O papa Francisco decidiu com um Motu Proprio, um documento papal, reformar a influente organização católica Opus Dei, conhecida na Europa e na América Latina pelas suas posições conservadoras.

O documento papal, sob o título "Ad charisma tuendum" ("Para proteger o carisma"), em vigor a partir desta quinta-feira (4) e divulgado em julho passado, "reduz o poder e a independência" da poderosa organização dentro da Igreja, segundo especialistas em religião.

Numa carta aberta, o prelado da Opus Dei, Fernando Ocariz, disse que aceita as mudanças e exortou os membros a seguirem o apelo do papa "para difundir o apelo à santidade no mundo".

O porta-voz da Opus Dei, Manuel Sanchez, disse à AFP: "Alguns interpretaram as disposições da Santa Sé em termos de rebaixamento ou perda de poder. Não estamos interessados ​​nesse tipo de raciocínio, porque para um católico não faz sentido usar categorias de poder mundanas".

As reformas, anunciadas pelo Papa Francisco num decreto Motu Proprio no mês passado, fazem parte de mudanças mais amplas para modernizar e introduzir maior transparência dentro do governo da Igreja Católica.

A partir de agora, o líder da Opus Dei - o prelado - não será mais nomeado bispo e não poderá usar as vestes episcopais, e a organização passa a depender do Dicastério (ou ministério) do Clero.

Todos os anos, em vez dos cinco anos anteriores, o prelado deve apresentar a esse órgão um relatório sobre o seu trabalho. "É necessária uma forma de governo baseada no carisma mais do que na autoridade hierárquica", escreveu o papa no seu decreto.

Quarenta anos após o reconhecimento de João Paulo II, em 1982, "Francisco procura acabar com uma estrutura excessivamente hierárquica", observou Jesus Bastante, da publicação especializada Religião Digital.

Acusada pelos críticos de ser uma espécie de seita secreta para controlar o poder dentro e fora do Vaticano, o que a organização sempre tem negado, a Opus Dei está presente em mais de 60 países e é composta por cerca de 90.000 membros leigos, incluindo personalidades políticas e empresariais, e mais de 2.000 sacerdotes, especialmente na Europa e na América Latina.

Foi fundada em 1928 pelo padre espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer, falecido em Roma em 1975, aos 73 anos, e cuja canonização em 2002 por João Paulo II gerou polémica devido à sua proximidade com a ditadura de Franco em Espanha.

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